52ª Semana Vocacional (A12)
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52ª Semana Vocacional: São José, Pai adotivo de Jesus

Escrito por Secretariado Vocacional Redentorista

29 JUL 2021 - 07H15

A vocação é o chamado de Deus em nossa vida para desempenharmos uma missão específica que nos dará identidade e nos conduzirá à felicidade, isto é, à santidade. A iniciativa desse convite parte sempre de Deus, que não nos obriga ou determina, mas propõe e respeita a liberdade da resposta de cada um de nós. Aceitar essa proposta é um desafio que desestabiliza e rompe com sonhos e projetos pessoais para sonhar o sonho de Deus.

Todos enfrentamos esse dilema vocacional, não estamos isentos de exercermos uma função que nos caracterize e signifique a nossa existência. Porém, para se chegar à concretização dessa missão é necessário vencer muitas dificuldades. A vida de cada pessoa fica sempre marcada na história pela singularidade do seu comportamento, de suas atitudes e ações. Essa situação também não foi diferente para São José, pai adotivo de Jesus.

A missão de São José não foi nada fácil, e assim também é a nossa. Ele é um exemplo que ainda não é suficientemente conhecido, mas precisamos reproduzir em nossa vida a beleza e os frutos de sua história. A sua vida e missão servem como inspiração para fortalecer e suscitar verdadeiras vocações que respondam positivamente à proposta de santidade que Deus nos apresenta.

O Evangelho define São José como o homem justo. A justiça, biblicamente falando, podemos traduzir como santidade. Ela é a resposta de fidelidade do homem ao amor fiel de Deus. Em São José encontramos essa fidelidade por excelência: “era um homem justo” (Mt 1,19). Para os teólogos e Padres da Igreja, José é, depois de Maria, o mais santo dos homens. Sua vocação, ensinar a Deus a viver a nossa vida humana, é de uma dignidade incomparável.

Os evangelistas, sobretudo Mateus e Lucas, nos fornecem poucas informações sobre São José, mas suficientes para compreendermos a grandeza de sua missão. Ele era um humilde carpinteiro (cf. Mt 13,55) desposado com Maria (cf. Mt 1,18; Lc 1,27). O noivado, segundo a lei judaica, era um contrato matrimonial válido. Embora ainda não vivessem juntos, os noivos já eram, na verdade, marido e mulher. Enquanto esperavam o dia solene das bodas, realizavam os preparativos necessários da festa e do novo lar. Assim estavam José e Maria antes da surpresa de Deus em suas vidas.

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José era um homem bom e trabalhador, temente a Deus, da casa de Davi, descendente dos reis de Judá.
Ele não tinha riquezas e vivia do labor de suas mãos na recatada cidade de Nazaré. Embora sendo descendente de reis, possuía apenas um modesto lar para abrigar a sua amada Maria e por ser carpinteiro certamente fabricou o seu próprio mobiliário.

Os projetos do novo casal estavam encaminhados para a realização em breve. Porém, uma surpreendente proposta divina faz seus planos mudarem. Primeiramente, é Maria que recebe a visita e o chamado de Deus. Ela questiona e resiste inicialmente, mas o anjo do Senhor a convence porque para Deus nada é impossível. Diante desse convite tão especial, Maria não recusa e aceita essa missão mesmo sem compreender totalmente o que estava acontecendo e quais seriam as consequências daquela decisão.

O chamado de Deus em nossa vida é surpreendente. A nossa primeira reação é questionar se aquela proposta se dirige realmente a nós e porque não a outra pessoa com mais habilidade e preparação. Mas assim são os mistérios de Deus: “o que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraqueza no mundo, Deus o escolheu para confundir o que é forte” (1Cor 1,27).

Ao receber a notícia de que a sua noiva achava-se grávida pelo Espírito Santo, José ficou perturbado e cheio de dúvidas. Como qualquer vocacionado, sua reação inicial é fugir do chamado: “José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo” (Mt 1,19). Essa era a atitude que estava nos planos de José diante dessa situação que comprometeria toda a sua vida. Somos sempre tentados a tomar as decisões que nos parecem mais favoráveis e fáceis.

Nossa tendência inicial é de sempre fugirmos da proposta de Deus por medo ou por não querer comprometer com a missão apresentada. Essa característica esteve muito presente na vida de grandes personagens bíblicos que relutaram para assumir sua vocação. Alguns se consideravam incapazes de realizar tal tarefa, apresentando suas justificativas, e outros até procuravam se esconder e se fazer de desentendidos como se nada soubessem.

Entre esses personagens destacamos a figura do profeta Jonas, que ilustra perfeitamente essa realidade vocacional que continua acontecendo em nossos dias. Ele foi um profeta chamado por Deus, mas fez oposição à sua missão. Trata-se de uma narrativa muito popular, tanto na tradição judaica quanto na cristã. Jonas é um rebelde, que ao fugir da sua vocação, foi engolido por um grande peixe, no seu ventre permaneceu três dias e três noites, e depois foi vomitado em terra firme, são e salvo!

Assim como Jonas que foge do chamado de Deus até receber um novo convite e obedecer, José também procura fugir da missão que o Senhor lhe preparou. Quando percebeu que Maria ia ser mãe ficou sem saber o que fazer, qual atitude tomar. Ele sabia que não tivera parte na gravidez, mas também era impossível duvidar da fidelidade da esposa. Por ser um homem justo, resolve deixá-la secretamente. Assim, não queria levantar suspeitas, nem comentar nada com ninguém, e aquela situação ficaria sem explicação.

Não foi fácil para José compreender o que estava acontecendo com Maria, mas avisado em sonho se coloca à disposição de Deus para que seja feita a sua vontade. Com a aceitação da proposta de Deus, é inserido na história da salvação como um dos mais importantes colaboradores no plano da salvação. Ao receber Maria em sua casa, o Espírito Santo dá a José um coração de pai. Essa missão, ser pai adotivo de Jesus, é tão nobre e sublime que o faz representante de Deus Pai aqui na terra para o seu Filho Jesus.

O Papa Francisco, na Carta Apostólica Patris Corde, partilha algumas reflexões pessoais sobre esta figura extraordinária, tão próxima da condição humana e de cada um de nós. Ele inicia a carta dizendo que com o coração de pai, José amou Jesus. O objetivo desta carta é aumentar o amor por este grande Santo. O Santo Padre apresenta sete imagens de paternidade aplicadas a São José: 1) Pai amado; 2) Pai na ternura; 3) Pai na obediência; 4) Pai no acolhimento; 5) Pai com coragem criativa; 6) Pai trabalhador; 7) Pai na sombra.

São José é pai de coração, capaz de dar e gerar vida no dia a dia. E esse é o papel de todo vocacionado: “gerar e regenerar vidas todos os dias”. Para executar essa missão, contamos com a ajuda do Senhor que molda os nossos corações e o testemunho de tantos homens e mulheres que foram fiéis ao chamado de Deus em suas vidas.

São José é o guardião de Jesus e da Igreja, e consequentemente guardião das vocações. Mesmo sem proferir nenhuma palavra nos evangelhos, foi grande defensor disponível e dedicado à sua família: “José levantou-se, de noite, com o menino e sua mãe, e retirou-se para o Egito” (Mt 2,14). Essa atitude de cuidado e solicitude revela uma vida cheia de alegria e amor de Deus, uma vocação realizada – uma vida feliz. Que o guardião da Sagrada Família nos inspire a responder o chamado de Deus em nossa vida e cumprir com fidelidade nossa missão.

Pe. Manuel Novaes Dias, C.Ss.R.
Formador da etapa do Aspirantado
Bom Jesus da Lapa (BA)
Vice-Província Redentorista da Bahia

Para refletir:

1) Que dificuldades ou desafios enfrentamos ao responder o chamado de Deus em nossa vida?
2) Como as dúvidas e tentativas de fugas, de São José e do profeta Jonas diante da proposta de Deus, podem iluminar a nossa realidade vocacional hoje?
3) Quais os aspectos da paternidade de São José nos ajudam a vivenciar com amor nossa vocação?

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