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Aos pés da cruz, Maria acolhe nossas dores e nos conduz a Jesus

Na memória de Nossa Senhora das Dores, celebrada nesta terça-feira (15), o Santuário Nacional recordou a presença fiel de Maria junto ao Filho e sua missão de mãe diante do sofrimento de seus filhos

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Escrito por Luciana Gianesini

15 SET 2026 - 10H59

Reprodução/ YouTube Santuário Nacional

A Igreja celebra, neste 15 de setembro, a memória de Nossa Senhora das Dores, título mariano que contempla a Mãe de Jesus junto à cruz.

No Santuário Nacional de Aparecida, a celebração das 9h levou os devotos a recordar as dores vividas por Maria ao longo da vida de Jesus e, nelas, reconhecer também os sofrimentos presentes na vida de tantas famílias.

A Santa Missa foi presidida pelo missionário redentorista Pe. Wieslau Gron, C.Ss.R., com a participação do Ir. Mário André de Oliveira, C.Ss.R. na motivação da celebração. Um dos momentos que marcou a liturgia foi a execução da Sequência de Nossa Senhora das Dores, cantada pela musicista do Santuário Nacional, Camila Rabelo.

Reprodução/ YouTube Santuário Nacional Reprodução/ YouTube Santuário Nacional

A liturgia apresentou o relato de São João sobre Maria aos pés da cruz. Diante dela, Jesus entrega sua Mãe ao discípulo amado: “Mulher, eis o teu filho”, e, em seguida, diz ao discípulo: “Eis a tua mãe” (Jo 19,25-27). É justamente nessa cena que a Igreja contempla Maria como aquela que permanece junto de Jesus até o fim e, ao mesmo tempo, recebe uma missão materna que alcança todos os seus filhos.

As dores de Maria também falam das nossas

Na homilia, o Pe. Wieslau recordou que Maria esteve presente em toda a trajetória de Jesus, “desde a sua concepção até o seu último suspiro”. Ao apresentar as Sete Dores de Nossa Senhora, o missionário redentorista relacionou cada sofrimento da Mãe às experiências enfrentadas por tantas pessoas.

A primeira dor, anunciada pelo velho Simeão, foi apresentada como a dor do medo diante do futuro. Depois, ao falar da segunda dor, a fuga para o Egito, o sacerdote aproximou a experiência de Maria da realidade de famílias obrigadas a deixar sua terra por causa da pobreza, da violência, das guerras e dos desastres.

“Essa dor de Maria é tão parecida com as dores de tantas nossas famílias que fogem. Fogem! Fogem da pobreza, fogem da violência, da guerra, dos desastres da natureza, da seca. [...] É a dor da insegurança, da falta de um lar.”

A terceira dor, quando Jesus permanece no Templo e é procurado por Maria e José durante três dias, foi relacionada pelo sacerdote à angústia de pais que sofrem ao ver os filhos se afastarem. O abandono, os vícios, a criminalidade e outras situações que ferem as famílias também foram lembrados.

Ao chegar à quarta dor, o encontro de Maria com Jesus no caminho do Calvário, o Pe. Wieslau destacou uma experiência particularmente presente na vida de muitas mães: a impotência diante do sofrimento de um filho.

É a dor da impotência de tantas mães que acompanham os sofrimentos de seus filhos e não podem fazer nada, principalmente nos hospitais, quando veem a mãe, veem seu filho com câncer [...] quando não podem fazer nada diante de algum sofrimento.”

Aos pés da cruz, Maria vive a quinta dor. É ali que Jesus lhe entrega João e, nele, toda a Igreja. Para o sacerdote, porém, aquele momento também revela a dimensão humana da dor de uma mãe que acompanha o sofrimento do próprio filho.

Depois da morte de Jesus, a sexta e a sétima dores recordam o momento em que Maria recebe o corpo do Filho e, posteriormente, acompanha sua deposição no túmulo. São momentos associados ao luto, à despedida, ao silêncio e ao vazio deixado pela perda de alguém amado.

Reprodução/ YouTube Santuário Nacional Reprodução/ YouTube Santuário Nacional

Da dor à esperança

O sacerdote ressaltou que a espiritualidade de Nossa Senhora das Dores não conduz ao desânimo. Pelo contrário, a presença de Maria junto à cruz aponta para a confiança em Deus e para a vitória da vida.

“Quando visitados nos sofrimentos, não devemos desanimar. O sofrimento não pode nos destruir, abalar. Mas os sofrimentos que nós temos na nossa vida, se unirmos com sofrimentos de Jesus, podemos tudo vencer, porque depois dos sofrimentos vêm os dias de alegria. Que o amor é mais forte do que a morte, que pela cruz se chega até a luz — per crucem — a luz, que é Jesus.

Para os devotos que chegaram ao Santuário, o convite feito durante a homilia foi também muito concreto: colocar diante de Deus aquilo que cada um trouxe consigo.

“Vocês que vieram aqui para o Santuário trouxeram também as suas dores. Talvez alguém tenha trazido a dor do abandono, da traição, do peso dos pecados na sua consciência. Ofereçam agora no altar. Peçam a Deus que ele transforme as suas dores em alegria.

Nossa Senhora das Dores, Mãe que permanece

A celebração terminou com a renovação da consagração a Nossa Senhora Aparecida. Diante da imagem da Padroeira do Brasil, os devotos foram convidados a confiar à Mãe o entendimento, a língua e o coração, pedindo sua proteção e sua intercessão.

A oração retomou, assim, o sentido apresentado durante toda a Missa: contemplar Maria em sua dor não significa permanecer preso ao sofrimento. A Mãe que esteve de pé junto à cruz conduz os filhos ao próprio Cristo.

A memória de Nossa Senhora das Dores, celebrada um dia depois da Exaltação da Santa Cruz, convida, assim, cada devoto a olhar para a própria vida e confiar à Mãe as dores que carrega. Aos pés da cruz, Maria permanece com Jesus e permanece também junto aos seus filhos.

Reveja!


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