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Após aposentadoria, devota se dedica a acolher peregrinos

No Caminho da Fé, Elisabete encontrou na missão de receber os peregrinos uma forma de fortalecer sua devoção à Mãe Aparecida e testemunhar as bênçãos de Deus.

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Escrito por Maria Luise Brey

22 OUT 2026 - 14H46 (Atualizada em 22 OUT 2026 - 16H10)

Elisabete Quintanilha/ Arquivo Pessoal

A devoção a Nossa Senhora Aparecida se manifesta de diferentes formas na vida dos fiéis. Para Elisabete Quintanilha Candido, esse amor à Mãe Aparecida ganhou um novo significado ao transformar sua pousada em um lugar de acolhimento para os peregrinos que percorrem o Caminho da Fé, em direção ao Santuário Nacional, em Aparecida (SP).

Natural de Luminosa (MG), ela e o marido decidiram retornar à cidade em 2025, após anos vivendo em Campos do Jordão (SP). O que começou como um sonho de construir um lugar para viver a aposentadoria se tornou uma missão de fé, marcada pela hospitalidade, pela gratidão e pelo encontro com histórias de devoção.

“Estamos muito felizes com essa missão que Deus nos preparou. Acolher os nossos peregrinos com carinho, fazer com que eles se sintam em casa”, conta Elisabete.

Os planos de Deus e o nascimento da pousada

Inicialmente, seu marido, Luiz Antônio Candido, sonhava em abrir um restaurante quando se aposentasse. No entanto, enquanto a região se tornava parte da rota do Caminho da Fé, os planos do casal também foram tomando outro rumo. Assim, a ideia de abrir uma pousada começou a ganhar forma.

“Tenho certeza de que Deus determinou o momento certo de voltar para Luminosa. [...] Deus tinha planos maravilhosos para nós”, recorda.

A pousada recebeu seus primeiros hóspedes em outubro de 2025, apenas três meses depois da mudança. Até então, Elisabete ainda não havia escolhido um nome para o estabelecimento. Foi justamente a chegada dos primeiros peregrinos que trouxe a resposta.

Uma das hóspedes, Maria Batista, observou uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe na casa e perguntou se aquele seria o nome da pousada. Elisabete não teve dúvidas: “A senhora acabou de batizar a minha pousada”.

Assim, a sugestão daquela peregrina se tornou parte da história do lugar, que passou a acolher os caminhantes também sob a inspiração da devoção mariana.


Um lugar de descanso, fé e amizade

Para Elisabete, receber os peregrinos vai muito além de oferecer hospedagem. Cada pessoa que chega traz consigo uma história, intenções de oração, agradecimentos e desafios enfrentados durante a caminhada.

Muitos chegam cansados, com dores nos pés e calos após percorrer longas distâncias. Por isso, ela procura levar o acolhimento e o carinho, para que possam descansar e recuperar as forças para continuar a jornada até a Casa da Mãe Aparecida.

“Eu falo que cada peregrino que chega aqui é como se eles fizessem parte da minha família, porque a gente cria um vínculo de amizade com eles”, explica.

Ao ouvir os relatos de quem passa pela pousada, Elisabete também encontra motivos para agradecer. As histórias de vida, os testemunhos de graças alcançadas e os relatos de milagres compartilhados pelos peregrinos renovam sua confiança e a de sua família.

“Com suas histórias de vida, de milagres que acontecem no caminho e tantas bênçãos recebidas. Tudo isso nos comove, porque a presença de Nossa Senhora está presente em todo momento em nossa vida, fazendo com que a nossa fé aumente cada dia mais”, testemunha.

O servir que fortalece a devoção

A fé em Nossa Senhora Aparecida sempre fez parte da vida de Elisabete e de sua família. Com a chegada dos peregrinos, porém, essa devoção passou a ser vivida de maneira ainda mais próxima, por meio dos gestos cotidianos de cuidado e da partilha de experiências.

A cada novo hóspede, o casal percebe que o acolhimento é uma via de mão dupla: enquanto oferece descanso e carinho a quem caminha, também recebe histórias que inspiram e fortalecem sua própria espiritualidade.

Para Elisabete, a força que move os peregrinos até a Casa da Mãe Aparecida é a mesma fé que os ajuda a superar o cansaço e as dificuldades do percurso. 

O sonho de voltar a Luminosa, portanto, ganhou um sentido que vai além da realização pessoal. Hoje, a aposentadoria se tornou uma oportunidade de servir, acolher e testemunhar o amor de Deus e a presença materna de Maria na vida de seus filhos. 

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