Na manhã desta quinta-feira (20), Dia Nacional da Consciência Negra, o Santuário Nacional acolheu a Congregação das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Maria, que participou da Santa Missa, às 9h, em Ação de Graças pelos 100 anos de sua presença e missão em Campo Largo, no Paraná.
A celebração foi presidida por Dom Celso Antônio Marchiori, Bispo diocesano de São José dos Pinhais (PR) e, além das religiosas e fiéis da comunidade, contou com a participação de inúmeros peregrinos que passavam pela Basílica de Nossa Senhora.
Dom Celso destacou em sua homilia a história de evangelização da Congregação, que há um século vive um testemunho silencioso no serviço gratuito de educação integral que transformou gerações.
Saudou Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida (SP), a família redentorista, os Padres que concelebraram e todos os presentes, especialmente às Irmãs Franciscanas, os professores, diretores, alunos e ex-alunos do Colégio de Campo Largo (PR) que vieram celebrar este marco da Congregação.
O Bispo, trouxe luzes da Liturgia da Palavra, que deu à celebração um significado ainda mais profundo. Na leitura do Livro dos Macabeus 2,15-19, destacou a figura de Matatias que foi firme na fidelidade a Deus em tempos difíceis, ensinando que a missão pode nascer e frutificar mesmo em contextos adversos.
“Assim fizeram as quatro primeiras irmãs que chegaram a Campo Largo em 1925, vieram com poucos recursos, enfrentaram a pobreza, falta de estrutura, fome. Mas, como Matatias, elas disseram “Nós seguiremos a Aliança de nossos pais”. E graças a essa perseverança, hoje celebramos um século de frutos”, disse.
Depois, comentou o Salmo que nos lembra de oferecer a Deus um sacrifício de louvor. E, de forma particular, dirigiu as seguintes palavras às religiosas, aos funcionários e alunos do Colégio:
“A história de vocês é um sacrifício de louvor. Cada aula dada, cada criança ajudada, cada gesto de ternura, compaixão, cada luta de manter as escolas abertas, tudo isso é louvor”, exclamou.
Já o Evangelho, que apresentou Jesus chorando em Jerusalém pela cidade que não reconheceu a visita de Deus, convidou a todos os presentes para o contrário, segundo Dom Celso:
“Deus nos visitou por meio dessas Irmãs, Deus nos visitou ao inspirar São Zygmunt Felinski a fundar essa congregação que acredita profundamente que a educação é caminho de salvação, de dignidade e de futuro”.
Na sequência o Bispo citou a frase do Santo fundador das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Maria: “Nossa tarefa é semear, o brotar, fazer crescer, florir e frutificar, está nas mãos de Deus”.
Dia Nacional da Consciência Negra
Dom Celso comentou ainda na sua homilia o Dia da Consciência Negra, ao citar tantas famílias negras da Cidade de Campo Largo, que ao longo de décadas encontraram no Colégio Sagrada Família, um espaço de oportunidade de crescimento e valorização.
“Hoje, celebrar o Dia da Consciência Negra é recordar que a educação é ainda mais fecunda, quando promove justiça, combate o racismo, reconhece a dignidade de todos os filhos de Deus e abre portas para quem, historicamente, teve tantas portas fechadas”.
As religiosas Franciscanas da Sagrada Família de Maria chegaram a Campo Largo no ano de 1925 e construíram uma tradição educacional, entre inúmeros desafios, que marcou o desenvolvimento da cidade.
Fundaram escolas, com o apoio da comunidade, que hoje são administradas pelo Estado e pelo município, mas ainda sob direção das religiosas.
Após um século, sua atuação continua presente na formação de milhares de estudantes, deixando um legado de fé, perseverança e compromisso com a educação.
O Portal A12 conversou com a Irmã Lúcia Staron, diretora do Colégio há 20 anos. Em entrevista, ela explicou que a Congregação, fundada na Polônia por São Zygmunt Felinski, veio para o Brasil, na cidade de Curitiba, em 1906, com o objetivo principal de atender os filhos dos imigrantes poloneses.
A partir disso, a missão das Irmãs Franciscanas foi se expandindo na região metropolitana do estado do Paraná. Somente em 1925, as irmãs foram então para Campo Largo, com o objetivo de abrir uma escola.
“Aqui foi uma situação bem diferente. Da primeira turma, nós ainda temos o livro de chamada e observamos que houve muitos alunos daquela época com sobrenomes italianos, portugueses, espanhóis e alguns filhos de descendentes poloneses”, afirmou.
Além disso, a irmã explicou que a missão das religiosas não se concentra somente na escola, mas também na pastoral da Igreja por meio de catequeses e por um período também no Hospital São Lucas.
“No momento, nós trabalhamos no Colégio Estadual Sagrada Família, na Escola Municipal Anchieta, que está no mesmo prédio e também nas pastorais e movimentos, como por exemplo, na paróquia Nossa Senhora da Piedade por meio da catequese”, concluiu.
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