Nesta segunda-feira, 7 de setembro, o Brasil celebra 204 anos de independência, e o Santuário Nacional de Aparecida acolheu a 39ª Romaria das Trabalhadoras e o 32º Grito das Excluídas e dos Excluídos, na Santa Missa das 12h.
A celebração foi presidida por Dom Mário Antonio da Silva, Arcebispo de Aparecida, e concelebrada pelos demais sacerdotes presentes. Logo no início, o Arcebispo saudou a todos os presentes e aos devotos que acompanharam pela Rede Aparecida de Comunicação.
Em sua homilia, Dom Mário nos convidou, durante o Dia da Independência do Brasil, a pensarmos na história de nosso país e em nossa responsabilidade como cidadãos. Citando o Evangelho do dia (Lc 6,6-11), ele explicou que Jesus não permite neutralidade diante de uma vida ameaçada:
"Jesus poderia simplesmente ter continuado ensinando, mas Ele vê aquele homem, vê sua dor, vê sua exclusão e o chama para o centro: 'Levanta-te e fica aqui no meio'. Colocar no centro quem foi colocado à margem, quem não tem voz, quem não tem moradia, quem perdeu a terra, quem vive na pobreza. Colocar no centro as mulheres vítimas de violência, quem trabalha e não consegue viver com dignidade, quem é descartado."
Dom Mário ainda reforçou que Jesus nos recorda de colocar a vida humana no centro, compreendendo a importância de viver em comunidade, deixando que "o Evangelho ilumine a realidade".
"Uma religião que conhece muitas regras, mas perdeu a compaixão. Uma política que conhece muitos discursos, mas não conhece o sofrimento do povo. Uma sociedade que fala muito de desenvolvimento, mas deixa a gente sem casa, que fala de progresso, mas deixa a pessoa sem trabalho digno, que fala de segurança, mas não consegue proteger as mulheres da violência.
E aqui a palavra feminicídio precisa ser pronunciada sem medo. Feminicídio é o extremo de um processo de violência que muitas vezes começou muito antes. A violência contra a mulher, muitas vezes, começa silenciosa, começa no controle excessivo, no ciúme apresentado como prova de amor, na vigilância do celular, no isolamento dos familiares e amigos, na humilhação, na ameaça, no controle do dinheiro, na desvalorização constante. E pode chegar à agressão física, à violência sexual e, tragicamente, ao feminicídio. Por tudo isso, combater o feminicídio também significa combater os pequenos sinais de violência que tantas vezes são naturalizados. Queremos mulheres vivas e livres."
O Arcebispo finalizou sua reflexão pedindo que estendêssemos a mão para quem precisa e não ignorássemos a dor do outro. Dessa forma, recordando os sinais da sensibilidade e da libertação que o próprio Jesus nos ensina no Evangelho.
"Estende a mão para servir, porque uma mão estendida é uma mão que participa da construção do Reino de Deus. E Maria, Senhora Aparecida, tão amada pelo povo brasileiro, nos ensine a fazer aquilo que ela fez: colocar-se a serviço. Que o Brasil seja uma pátria onde a vida esteja, realmente, em primeiro lugar. Que o Evangelho continue acontecendo, hoje, no Brasil e em todas as nações."
Veja como foi a celebração:
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