Por Padre Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R Em Notícias

Homilia 26º Domingo Comum

 

 

A Palavra que dá vida

Padre Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R

Deus nos presenteou com muitas maravilhas tanto na ordem da natureza e como da graça. Sempre quer o bem, o conforto, o bem estar, a alegria e o prazer de todos. O profeta Amós, era um homem do campo. Tinha posses, mas, mais que terra e bens, tinha a Palavra de Deus. Não profetizava para ganhar comida. Havia profetas que falavam para agradar quem os agradava. Sua palavra era firme. Não critica o bem estar, mas o estar mal no bem estar. Os ricos viviam gostosamente, sem se preocuparem com a ruína do povo (Am 6,1.4-7).

 

É a mesma situação que Jesus apresentou com parábola do rico e o pobre Lázaro. Este queria matar sua fome com o que caia da mesa do ricaço. A Palavra de Deus que dá Vida instrui sobre a Vida eterna que se edifica com a fé vivida na fraternidade. O profeta disse que esses gozadores da vida vão sofrer o castigo quando houver a invasão dos inimigos.

 

Se tivessem se preocupado com o povo, sua sorte poderia ser diferente. Jesus disse o mesmo sobre rico. Lázaro foi para o Céu e o rico foi enterrado nos tormentos. A vida só tem uma oportunidade. Então começou o diálogo do homem com Abraão. Há uma separação entre o Céu e o Inferno. O homem então pediu que Lázaro fosse avisar a família para que mudassem de vida. Abraão respondeu:

 

“Eles têm Moisés e os Profetas. Que os escutem” (Lc 16,29).

O homem apelou para a aparição de um defunto para dar um susto neles. Nem isso resolve. O que resolve é ouvir e praticar a Palavra de Deus que dá vida. Somente a mudança do coração que aceita a Palavra converte. Aproveitemos a vida, pois é uma só, para viver a Vida que dura para sempre em Deus.

 

Guarda íntegra a fé!

Nesse quadro se pode entender a insistência de Paulo a Timóteo apresentando os elementos fundamentais para uma digna vida cristã: “Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna!” Não é algo puramente intelectual, mas é uma fé que é uma batalha para “fugir das coisas perversas, procurar a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza e a mansidão” (1 Tm 6,11).

 

Fé tem que acontecer no dia a dia. Os “gozadores da vida”, como dizia o profeta Amós, erram não por ter, mas por não olhar ao lado e ver os que não têm e estão sofrendo. Devem lembrar-se que, para chegar a uma tão boa situação, houve muita gente que trabalhou muito por ele. E nem sempre foram pagos condignamente. O Salmo reza: “Do Senhor é a terra e o que ela encerra” (Sl 23,1). Ninguém é dono do mundo sozinho. A meta é caminhara “buscando os bens que a nós reservados” (Oração).

 

Milagres sem fé

O grande milagre da conversão só pode acontecer se for pela Palavra de Deus: “Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas”, isto é, a Palavra de Deus, “eles não acreditarão mesmo que alguém ressuscite dos mortos”. Não existe conversão por medo. S. Afonso afirma que uma conversão só acontece quando é fundada no amor. Milagres podem acontecer, mas, se não for pela fé na Palavra, não muda a vida.

 

Por isso é que muitos procuram uma religiosidade sentimental, puramente devocional sem compromisso nem mudar o coração. Os fariseus tinham essa atitude de exterioridade. Deus cuida dos necessitados através de nós. A Igreja recebeu a missão de conservar a doutrina, mas antes cuidou para que o amor de Deus cheguesse a todos. A Eucaristia é o momento de ouvir a Palavra para a conversão. Onde há sofrimento do povo, a missa não está bem celebrada.

Leituras: Amós 6,1ª4-7; Salmo 145; 1Timóteo 6,11-16; Lucas 16,19-31

Ficha nº 1270 - Homilia 26º Domingo Comum (29.09.13)

O profeta Amós faz denúncias pesadas contra os gozadores da vida que se esqueciam do sofrimento do povo. Jesus conta uma parábola no mesmo sentido. No diálogo com Abraão vemos o sofrimento do gozador da vida e a glória de Lázaro. Com pede que Lázaro vá até seus irmãos, Abraão responde que só com a Palavra de Deus é que se converte. Susto não converte ninguém.

Paulo, a Timóteo insiste nos elementos para uma vida digna cristã. Fé não é só intelectual, mas prática e deve acontecer no dia a dia através das obras. O erro dos gozadores não foi ter muito, mas não ver a situação do povo. A meta é buscar os bens eternos.

O milagre da conversão não acontece pelo medo, mas por amor. Só o amor converte. A fé de exterioridade não resolve. Assim eram os fariseus. Deus quer cuidar dos necessitados através de nós. A Eucaristia é o momento de ouvir a Palavra para a conversão. Onde há sofrimento do povo, a missa não está bem celebrada.

 

Uma fábrica de patetas

Todos nós temos desejos de ser ricos, mas não sabemos o preço da riqueza. O dinheiro tem um vírus que faz crescer os bens, mas pode fazer diminuir o cérebro. Isso podemos provar pelos resultados, como nos conta a primeira leitura. E que dizer do prejuízo espiritual? Vemos sempre alguns destes indo para a outra vida só com a roupa do corpo, que nem chega lá. Papa Francisco disse que nunca viu caminhão de mudança atrás de caixão. Caixão não tem gaveta.

Diz a Bíblia: “Lembre-te de teu fim e não pecarás” (Eclo 7,40). Vemos a situação do rico que foi para o inferno e de lá viu Lázaro pobre que ele não ajudou. Pede socorro. Já era tarde. Pede ajuda para os irmãos para não irem para o inferno, mandado algum morto ir assustá-los. Nem isso converte. O que converte o coração humano é a escuta e vivência da Palavra de Deus.

Os bens terrenos são bons. Usados para o bem eles produzirão frutos para a vida que dura. Mal usados são uma fábrica de bobos! É muito sofrimento para provocar tanta bobeira.

 

 

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