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8º Dia da Novena: Bispo propõe caminhos para a justiça e a paz

Dom Eduardo Malaspina, Bispo de Itapeva (SP), destacou três caminhos para viver a justiça social e construir a paz: "o olhar, a mesa e as mãos"

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Escrito por Letícia Dias

10 OUT 2026 - 21H28 (Atualizada em 10 OUT 2026 - 21H38)

Thiago Leon

O Santuário Nacional celebrou, neste sábado (10), às 19h, o oitavo dia da Novena de Nossa Senhora Aparecida, com o tema “Com Maria, praticamos a justiça social como compromisso de amor e de paz!”, reunindo devotos de todo o Brasil em torno do Altar Central da Casa da Mãe.

Dom Eduardo Malaspina, Bispo de Itapeva (SP), presidiu a celebração, que foi animada pelo Missionário Redentorista Pe. Reinaldo Beijamim, C.Ss.R.

Estiveram também presentes o Arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antonio da Silva; o Arcebispo Emérito de Aparecida, Dom Orlando Brandes; o Bispo Emérito da Prelazia de Coari (AM), Dom Joércio Gonçalves Pereira, C.Ss.R.; o Bispo Emérito da Diocese de Itaguaí (RJ), Dom Frei José Ubiratan Lopes, OFMCap; o reitor do Santuário Nacional, Pe. Eduardo Catalfo, C.Ss.R.; o superior provincial da Província Redentorista Nossa Senhora Aparecida, Pe. Marlos Aurélio da Silva, C.Ss.R.; além dos demais sacerdotes e religiosos.

A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi entronizada em um carro-andor que trazia uma cruz e a representação de Jesus adormecido, com os pés chagados à mostra.

Durante a entrada, mães acompanhadas de seus filhos se aproximaram do altar e, com terços nas mãos, suplicaram a intercessão da Padroeira, confiando-lhe suas famílias e recordando as dores de tantas mães que enfrentam situações de sofrimento e vulnerabilidade.

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Já a entrada da Bíblia Sagrada contou com a representação de pessoas em situação de rua, carregando cobertores e marmitas, acompanhadas por uma agente da Pastoral de Rua, que transportou em suas mãos um cesto com as Sagradas Escrituras e um pão. O gesto chamou a atenção para a realidade daqueles que vivem à margem da sociedade, reforçando o chamado de todos nós, cristãos, à promoção da dignidade humana.

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Dom Eduardo iniciou sua Mensagem de Esperança, neste oitavo dia da Novena Solene, cantando “Justiça e paz se abraçarão” e apresentou três palavras como caminhos para viver o tema da celebração: o olhar, a mesa e as mãos.

A partir da Palavra de Deus, especialmente da mensagem do profeta Isaías, o Bispo convidou os devotos a refletirem sobre uma fé que ultrapassa as palavras e se transforma em atitudes concretas diante das necessidades do próximo.

O olhar: a justiça começa quando aprendemos a ver

A primeira palavra apresentada por Dom Eduardo foi “o olhar”. Ele destacou que a oração deve conduzir à compaixão e ao compromisso com aqueles que precisam de ajuda, pois a justiça começa quando somos capazes de reconhecer o sofrimento do outro e agir para que sua dignidade seja respeitada.

O Bispo recordou o episódio das bodas de Caná, quando Maria percebeu a falta de vinho antes mesmo de ser solicitada. Também relembrou o encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul, em 1717.

Ao relacionar esses acontecimentos à vivência da fé, Dom Eduardo ressaltou a importância de olhar para as necessidades do próximo antes que elas se transformem em um pedido de socorro.

“A justiça começa quando aprendemos a enxergar a falta do outro antes que ela se torne um grito. E não nos esqueçamos dos três pescadores. Naquele dia, no rio Paraíba, que parecia fechado, as redes voltavam vazias, faltavam peixes para apresentar ao Conde e foi no desespero da pesca que viram um milagre acontecendo: das águas subiu o corpo e a cabeça de uma imagem e depois os peixes vieram de forma tão abundante que quase afundaram o barco. A imagem encontrada nas águas anuncia: Deus sempre nos surpreende, sempre nos visita onde menos esperamos", explicou.

O Bispo também recordou as palavras do Papa Leão XIV sobre os pobres e reforçou que a atenção a eles não pode se limitar a uma observação distante. É necessário aproximar-se, escutar e colaborar para que todos tenham uma vida digna.

A mesa: onde a justiça se torna amor

A segunda palavra foi “a mesa”, apresentada por Dom Eduardo como lugar de cuidado, reconhecimento e comunhão. O Bispo destacou que a mesa revela quem participa dela e quem permanece excluído. Além disso, fez um convite aos fiéis a refletirem sobre as condições necessárias para que todos tenham acesso a uma vida digna.

Ao lembrar o cântico de Maria no Magnificat, que anuncia Deus enchendo de bens os famintos, Dom Eduardo ressaltou que direitos fundamentais não devem ser tratados como favores, mas reconhecidos como direitos de todos.

“Há coisas que não são favor, são justiça: o salário justo, a casa digna, a escola boa, a saúde que chega, o respeito devido ao trabalhador, a proteção dos pequenos. Nada disso é favor de alguém. É direito de todos. Por isso, o saudoso Papa Francisco nos recordava que paz, justiça e conservação da criação são três questões absolutamente ligadas. É que o mundo ferido fere também os pobres. Quem destrói a terra acaba destruindo a mesa do irmão. Por isso, não basta perguntar o que eu posso dar, é preciso perguntar o que precisamos mudar”, afirmou.

Nesse sentido, Dom Eduardo destacou que a solidariedade precisa ir além da ajuda imediata e contribuir para transformar as causas da desigualdade: “A caridade socorre. A justiça transforma as causas da dor", disse.

As mãos: a justiça precisa ser praticada

A terceira palavra apresentada por Dom Eduardo foi “as mãos”. O Bispo disse que a paz é construída diariamente, por meio de atitudes concretas, e que a justiça não deve ser apenas contemplada, mas colocada em prática.

Como exemplo, recordou a visita de Maria à sua prima Isabel, após a anunciação do anjo. Ao se levantar apressadamente para encontrá-la, Maria demonstrou uma fé que se transforma em presença e serviço.

Dom Eduardo convidou os devotos a reconhecerem que a construção da paz começa nas relações cotidianas: em casa, no trabalho, na comunidade e na maneira de acolher aqueles que sofrem ou pensam de forma diferente.

“A paz não é silêncio sobre a injustiça, é justiça que protege, é amor que reconcilia, é mãos que perseveram. O devoto de Aparecida não volta levando somente uma lembrança. Volta para a vida levando uma tarefa: tornar mais humana a sua casa”

O Bispo também pontuou que as situações de injustiça não podem ser tratadas como algo normal e recordou o chamado do Papa Leão XIV à coragem de se comprometer com os desafios do tempo presente. Para ele, as mãos que constroem o Reino de Deus devem estar disponíveis para cuidar, acolher e promover a reconciliação.

Ao concluir a reflexão, Dom Eduardo convidou os fiéis a assumirem o compromisso de viver a justiça e trabalhar pela paz e recordou que cada atitude pode contribuir para uma sociedade mais humana. Como síntese da mensagem, propôs aos presentes a frase: “Vivo na justiça e trabalho pela paz”, reforçando que a paz de todos começa com a justiça praticada por cada pessoa.

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Assista à reflexão de Dom Eduardo Malaspina:

Leia também: Novena da Tarde destaca a justiça social como caminho de paz


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