Por Tatiana Bettoni Em Notícias Atualizada em 15 AGO 2018 - 10H40

Papa Paulo VI, o beato que ofereceu a primeira rosa de ouro ao Santuário de Aparecida

Ao beatificar o Papa Paulo VI em outubro de 2014, o Papa Francisco destacou a profunda devoção mariana do novo beato, exortando os fiéis a seguirem fielmente os ensinamentos e o exemplo de Giovani Montini. “A este Pontífice, o povo cristão será sempre grato pela Exortação apostólica Marialis cultus e por ter proclamado Maria ‘Mãe da Igreja’ em ocasião do fechamento da terceira sessão do Concílio Vaticano II”, disse Francisco.

Thiago Leon
Thiago Leon
A rosa de ouro ofertada por papa Paulo VI está em exposição no Museu Nossa Senhora Aparecida.

Seu carinho pela Virgem Maria sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi declarado em 15 de agosto de 1967, quando Paulo VI enviou uma rosa de ouro para a Basílica de Aparecida, um presente pelo jubileu de 250 anos do encontro da Imagem nas águas do rio Paraíba do Sul. A segunda rosa de ouro foi trazida por Papa Bento XVI em 2007, quando visitou Aparecida.

A rosa de ouro é uma oferta dos pontífices que simboliza particular estima por cidades, pessoas ou santuários reconhecidos como centros de grande devoção. Além de Aparecida, as maiores igrejas do mundo receberam a honraria, como a Basílica de São João do Latrão, Basílica de São Pedro e de Santa Maria Maior.

Em janeiro de 1967, o presidente eleito do Brasil, Marechal Arthur da Costa e Silva, visitou o Santo Padre em Roma e recebeu de antemão a notícia sobre o presente. Em março, Paulo VI abençoou e adicionou uma essência perfumada em uma rosa de ouro com longas hastes.

Estavam presentes à Capela Sistina, autoridades eclesiásticas do Brasil, como o cardeal arcebispo de Aparecida, Dom Carmelo de Vasconcelos Motta. Papa Paulo VI anunciou ao povo brasileiro que o presente era “um símbolo permanente do grande amor que o Papa vos consagra”. E continuou:

“Dizei a todos o brasileiros, Senhor Cardeal, que esta flor é a expressão mais espontânea do afeto que temos por esse grande povo que nasceu sob o signo da Cruz. No Santuário de Aparecida, ela dará testemunho de Nossa constante oração à Virgem Santíssima para que interceda junto do Seu Filho pelo progresso espiritual e material do Brasil”.

Paulo VI fez ainda uma recomendação aos católicos do Brasil: “nunca separeis Nossa Senhora de Cristo. Não se compreende a Mãe sem o Filho. (...) O culto de Maria é um culto introdutivo: vamos a Maria para chegarmos a Jesus. Amando Nossa Senhora deste modo, poderemos compreendê-la na sua real grandeza e, através dela, chegaremos a Cristo Filho de Deus”.

CDM Santuário Nacional
CDM Santuário Nacional
Paulo VI abençoa rosa de ouro durante cerimônia na Capela Sistina em Roma.

Cinco meses depois, Aparecida (SP) preparava-se intensamente para receber a rosa de ouro, trazida pelo Cardeal Amleto Giovani Cicognani, enviado como Legado da Santa Sé. Casas e ruas foram ornamentadas e mais de trinta mil fiéis assistiram à chegada das comitivas da Presidência da República e Santa Sé.

A Imagem da Senhora Aparecida, que permanecia na Basílica Velha, foi levada solenemente até a Basílica Nova, ainda em construção. Discursos antecederam a entrega da rosa de ouro e a Celebração Eucarística, enquanto um helicóptero lançava pétalas de rosas sobre a multidão. As solenidades foram encerradas com procissão e espetáculo pirotécnico, tudo registrado no periódico Ecos Marianos de 1968, onde está registrada a gratidão e o carinho dos brasileiros para com Papa Paulo VI:

“Aparecida prostra-se reverente aos pés de Sua Santidade, reconhecida por esse rico e carinhoso mimo, testemunho perene do seu amor e interesse para com o Brasil, e lembrança imorredoura do Santo Padre no coração do povo brasileiro”.

 

Fontes:
:. Ecos Marianos, 1968.
:. Portal Zenit.
:. CDM - Centro de Documentação e Memória do Santuário Nacional.


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