Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 25 MAR 2019 - 17H18

A “aparecida” que não apareceu; foi achada e acolhida

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Na segunda quinzena de outubro de 1717 aconteceu um fato que poderia ser contado como mais uma “história de pescador”. Nesse caso, teria sido logo esquecido. Na verdade mudou a vida não só de três pescadores casuais e de suas famílias; inseriu-se também na história do Brasil, continua lembrado e influência o pensamento religioso e civil de milhões de brasileiros até hoje. Naquela data três pescadores retiraram do rio Paraíba perto da Vila Santo Antônio de Guaratinguetá uma imagem de barro cozido. Ela representava a gravidez da Virgem Maria. “E tendo a lua sob os pés” lembrava a mulher que o livro do Apocalipse, cap.12, 1, menciona como um grande sinal de Deus. A imagem achada no rio reproduzia uma iconografia comum na época: Nossa Senhora da Conceição. Na palavra conceição estão subentendidas a Encarnação do Verbo e a firme convicção de fé sobre a condição privilegiada e única da geração imaculada de Nossa Senhora. O mundo cristão já há séculos suspirava pela declaração dogmática a respeito. O próprio rei Dom João IV havia declarado em 1646 Nossa Senhora padroeira de Portugal e de todos os seus domínios com o título: Imaculada Conceição. Esculpir imagens materializando essa ideia era até um ato de catequese mariana. No século dezessete as famílias tinham seu oratório doméstico. Nele não ficava ausente a imagem de Nossa Senhora da Conceição.

Com a rápida divulgação seja do acontecido seja do culto devocional intenso prestado à imagem pescada em 1717 surgiu o acréscimo: Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Não por ter sido a rigor uma aparição. Nem mesmo os detalhes concretos da pesca ficaram consignados na história do “achado”. De algum modo a imagem se achou na rede de arrasto. Sinais prodigiosos se agregaram à sua veneração, e na boca do povo ela passou a ser conhecida e vista como: aparição. Considerando hoje à distância no tempo os sinais codificados em referência à pesca da imagem, a fama de graças alcançadas, a crescente curiosidade de pessoas vindas de longe, podemos ver aí uma epifania. Isto é, a intervenção extraordinária e benévola de Deus em favor do seu povo. Análises, conjeturas, pesquisas do mero raciocínio humano não oferecem uma explicação satisfatória sobre o fenômeno do culto à Senhora Aparecida perenizando-se e às portas dos 300 anos. O Santuário, as romarias, o afluxo contínuo dos devotos, a evangelização pela Palavra: tudo isso constitui um “evangelho”, um acontecimento que jorra alegria. Na simplicidade do seu tamanho (36 cm), no despojamento do objeto em si (barro cozido), na singeleza da escultura, na sua misteriosa atração, a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida é um “evangelho”, uma boa nova, um anúncio feliz de vida e de futuro bom para nós e a Pátria.

Dai-nos a bênção, ó Mãe querida!

 

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