Por Pe. Edinísio Gonçalves Pereira Vieira, CSsR Em Artigos

A relação entre Maria e a Igreja Missionária

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Mas, que relação existe entre Maria e
uma Igreja mundialmente missionária?

Outubro é mês dedicado pela Igreja no mundo todo às Missões. O objetivo principal é recordar a cada um de nós a missão de evangelizar que recebemos de Jesus no dia do nosso Batismo: “Ide, pois, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado” (Mt 28,19-20). Outubro é, para nós brasileiros, assim como maio, um mês totalmente Mariano. Por isso mesmo, muito especial: dia 12 festejou-se Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil. Mas, que relação existe entre Maria e uma Igreja mundialmente missionária?

De acordo com o Evangelista João, a Igreja tem sua origem nos pés da Cruz de Jesus, quando ele entrega sua Mãe aos cuidados do discípulo que muito ama. E este, por sua vez, à sua Mãe: “Mulher, eis aí teu filho. Filho, eis aí tua Mãe” (Jo 19, 26-27). Já o Livro dos Atos do Apóstolos relata o nascimento da Igreja durante a efusão do Espírito Santo sobre os Apóstolos quando eles se encontram no Cenáculo reunidos em oração com Maria, a Mãe de Jesus (cf. At 1, 12-14.2ss). De qualquer modo, o que realmente nos interessa para esta rápida reflexão é perceber que tanto em João, quanto nos Atos dos Apóstolos, Jesus é a força inspiradora que une, encoraja e envia os discípulos para a missão. E que em Maria aparece explicitamente a missão dada por Cristo à sua Igreja na presença materna de Nossa Senhora: peregrinar, cuidar, amar, proteger e servir.

:: Maria, primeira missionária da Igreja

Para uma fácil compreensão façamos, então, um pequeno paralelo entre Maria e a Igreja. Nos dois relatos bíblicos acima citados aparecem outros personagens juntos à Mãe de Jesus. No primeiro, aparece João que necessariamente não se trata de uma única pessoa. Mas, de uma comunidade inteira que faz a experiência da Redenção de Deus na entrega de Jesus na Cruz. Uma entrega generosa de Cristo que favorece e fecunda a vida humana a partir de sua própria Vida. No segundo, os discípulos. Ou seja, toda uma comunidade que tendo compreendido a Ressurreição de Jesus, o vive pela força do Espírito.  

Assim, pois, podemos entender ou identificar a Mulher descrita junto à Cruz de Jesus no Evangelho de João com a Mulher reunida com os discípulos no Cenáculo conforme Atos dos Apóstolos, como personificando a sua Igreja. A Igreja, Mãe em Maria porque acolhe a todos os filhos seus em seu Filho Jesus. O filho entregue à sua Mãe. E os discípulos reunidos com Maria como filhos e filhas de Deus dispersos pelo mundo inteiro em todos os tempos e lugares. Neste sentido, para viver bem sua missão de Igreja Mariana e Missionária, faz-se necessário que cada um de nós compreenda que o discípulo que Jesus muito ama sou eu hoje; é você hoje e somos todos nós que amamos, defendemos e cuidamos de nossa Igreja. Ela é Cristocêntrica, isto é, centralizada em Cristo, Missionária e Peregrina.

O Capítulo 7º do Documento de Aparecida que trata da Missão dos Discípulos à serviço da vida plena, em seu número 347, diz que “A Igreja peregrina é missionária por natureza, porque toma sua origem da missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio do Pai”. Nesta dinâmica, a Igreja Católica Apostólica Romana procura estar em todos os recantos do mundo onde haja alguém que precisa de cuidado, carinho, atenção, conselho, misericórdia, perdão. Por isso é uma Igreja que nasce para o serviço da caridade. Sobretudo aos mais pobres e abandonados da sociedade. Uma Igreja que vai a todos os lugares achando e recuperando os que estão perdidos e desencontrados. Uma força fecunda a serviço do bem porque o anúncio missionário “é feito da forma adequada, com as atitudes do Mestre, tendo sempre a Eucaristia como fonte e cume de toda atividade missionária” (DA 363).

 

Entendemos Maria como a Igreja que assumiu e exprimiu em si mesma a missão de continuar Jesus na implantação do Reino de Deus aqui na terra.

Da concepção à morte, do nascimento à Ressurreição de Jesus, Maria se fez presente na vida do Filho de Deus. Assim também é nossa Igreja. Por isso ela se alegra com os que sorriem e se compadece com os que choram. E se alimenta da esperança da feliz ressurreição de todos no final dos tempos. Compreender nossa Igreja a partir de Maria nos ajuda a viver melhor nossa vocação e missão. Daí, então, entendemos Maria como a Igreja que assumiu e exprimiu em si mesma a missão de continuar Jesus na implantação do Reino de Deus aqui na terra.

Ao pertencermos à Igreja de Jesus, mariana e servidora, em nossas atitudes e ações cumprimos o mandato de Jesus de ir ao encontro daqueles “que não tem com que retribuir” (Lc 14,14). Assim nos tornamos uma Igreja “em saída” conforme sugere e dá bons exemplos ao mundo todo o nosso querido Papa Francisco.

Pe. Edinísio Gonçalves Pereira Vieira– CSsR
Reitor do Santuário do Divino Pai Eterno
Trindade - Go

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