Por Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 02 OUT 2017 - 11H44

A Virgem Maria no Catecismo da Igreja

Sermão do Nascimento da Mãe de Deus

O Catecismo da Igreja Católica apresenta o mistério da Virgem Maria, baseando-se em dados da Sagrada Escritura, da tradição da Igreja e do magistério eclesiástico, para que os cristãos possam conhecê-la melhor e cultivem para com ela verdadeiro culto.

O Catecismo destaca o mistério da Virgem Maria em duas partes principais: “Nascido da Virgem Maria” (nos. 487-511) e “Maria – Mãe de Cristo, Mãe da Igreja” (nos. 963-975). Faz também referências a ela em muitos outros itens. O nosso estudo de Maria no Catecismo ressalta apenas quatro aspectos: sua fé, sua vida, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja.

A FÉ DE MARIA

A fé de Maria é sublime e exemplar. Ela realiza de maneira mais perfeita a obediência da fé. “Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazida pelo anjo Gabriel, acreditando que ‘nada é impossível a Deus’ (Lc 1,37) e dando seu assentimento: ‘Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1,38). Isabel a saudou: ‘Bem-aventurada a que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido’ (Lc 1,45).

É em virtude desta fé que todas as gerações a proclamarão bem-aventurada” (no. 148).

 A fé de Maria é firme e permanente. “Durante toda a sua vida e até sua última provação, quando Jesus, seu filho, morreu na cruz, sua fé não vacilou. Maria não deixou de crer no cumprimento da Palavra de Deus. Por isso a Igreja venera em Maria a realização mais pura da fé” (no. 149).

A fé de Maria é adesão confiante em Deus. “Somente a fé pode aderir aos caminhos misteriosos da onipotência de Deus. Esta fé gloria-se de suas fraquezas a fim de atrair sobre si o poder de Cristo. Desta fé, a Virgem Maria é modelo supremo, ela que acreditou que ‘nada é impossível a Deus’ (Lc 1,37) e que pôde engrandecer o Senhor. ‘O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor, seu nome é Santo’ (Lc 1,49)” (no. 273).

A VIDA DE MARIA

 Toda a vida de Maria é relacionada com a vida de Jesus Cristo, o Salvador do gênero humano. Ela é a “obra-prima da missão do Filho e do Espírito na plenitude do tempo. Pela primeira vez no plano de salvação e porque o seu Espírito a preparou, o Pai encontra a morada em que seu Filho e seu Espírito podem morar entre os homens” (no. 721).

O Espírito Santo prepara Maria e realiza o projeto amoroso de Deus, fazendo com que ela conceba em seu ventre o Salvador. “Em Maria, o Espírito realiza o desígnio benevolente do Pai. É pelo Espírito Santo que a Virgem concebe e dá à luz o Filho de Deus. Sua virgindade transforma-se em fecundidade única pelo poder do Espírito e da fé” (no. 723).

Maria é a pessoa de fé que vive em silêncio o mistério de Deus que acontece em sua existência. Todavia, o Espírito Santo se encarrega de revelar ao mundo que aquele menino, filho de Maria, é o Filho do Pai Eterno, o Salvador prometido por Deus e esperado pelo povo de Deus. “Em Maria, o Espírito Santo manifesta o Filho do Pai tornado Filho da Virgem. Ela é a Sarça ardente da Teofania definitiva: repleta do Espírito Santo, ela mostra o Verbo na humildade de sua carne, e é aos pobres e às primícias das nações que ela o dá a conhecer” (no. 724).

Maria é o caminho que leva os homens a Jesus Cristo, de maneira que o recebam como Salvador. Por ela o “Espírito Santo começa a pôr em comunhão com Cristo os homens, objetos do amor benevolente de Deus, e os humildes são sempre os primeiros a recebê-lo: os pastores, os magos, Simeão e Ana, os esposos de Caná e os primeiros discípulos” (no. 149).

MÃE DE CRISTO

 Maria de Nazare Anunciação

Maria aceita o projeto amoroso de Deus, tornando-se Mãe de Jesus Cristo. “Ao anúncio de que, sem conhecer homem algum, ela conceberia o Filho do Altíssimo pela virtude do Espírito Santo, Maria respondeu com a obediência da fé, certa de que ‘nada é impossível a Deus’: ‘Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1,37-38). Assim, dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria se tornou Mãe de Jesus e, abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, para servir, na dependência dele e com Ele, pela graça de Deus, ao Mistério da Redenção” (no. 494).

Maria é Mãe de Deus, porque mãe de Jesus Cristo, que é Deus. “Denominada nos Evangelhos ‘a Mãe de Jesus’ (Jo 2,1;19,25), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito Santo, desde antes do nascimento de seu Filho, como ‘a Mãe de seu Senhor’ (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu do Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos)” (no. 495).

:: Mãe de Deus

Já nos primeiros séculos da história do cristianismo surgiram heresias, que negavam ora a divindade ora a humanidade de Jesus. Mas a Igreja, iluminada pelo Espírito Santo, sempre afirmou que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ele se fez homem em Maria sem deixar de ser Deus. Ele se encarnou, assumindo a natureza humana em Maria, sem perder a natureza divina (cf. nos. 461-469).

MÃE DA IGREJA

 

Maria também ocupa o seu lugar no mistério da Igreja. Sendo Mãe de Jesus, ela também é Mãe dos membros de Cristo

Maria também ocupa o seu lugar no mistério da Igreja. Sendo Mãe de Jesus, ela também é Mãe dos membros de Cristo. Pois pelo batismo os cristãos são membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Nesse sentido, Maria é Mãe de toda a Igreja. Ao gerar Jesus, ela se fez Mãe do Cristo todo, ou seja, de Jesus e de sua Igreja (cf. no. 963).

Maria é a Mãe da Igreja na ordem da graça. Ela aderiu totalmente à vontade do Pai, à obra redentora de Jesus e à inspiração do Espírito Santo. Por isso ela é, para todo o povo de Deus, o modelo da fé e da caridade. É o exemplo da realização da Igreja. Entre todas as criaturas humanas, a Mãe de Jesus se destaca de maneira singular. Pela sua fé, obediência, esperança e ardente caridade, ela foi a maior cooperadora do Salvador e, portanto, a Mãe que ajudou na salvação de todos os seres humanos. Por isso ela se tornou Mãe da Igreja (cf. nos. 967-968).

No céu, Maria continua sendo Mãe da Igreja e sua intercessora junto de seu Filho. Sua missão materna não diminui a obra salvadora de Jesus, mas dela depende (nos. 969-970).

O respeito e a piedade da Igreja para com a Mãe de Jesus fazem parte do culto cristão. Desde os primeiros tempos da Igreja, ela é honrada de maneira especial, por ser a Mãe de Deus. Esta piedade encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas a ela e na oração mariana, tal como Rosário (no. 971).

Escrito por
Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R. (Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R.)
Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R.

Redentorista da Província de São Paulo, formado em filosofia e teologia. Atuou como formador, trabalhou no Santuário Nacional, onde foi diretor da Academia Marial.

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