Por Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 02 OUT 2017 - 11H43

A Virgem Maria no Concílio Vaticano II

 Mãe da Igreja

O Concílio Vaticano II aconteceu em Roma, Itália, entre os anos 1962 e 1965. Com uma assistência de mais de dois mil bispos de todo o mundo, foi o concílio mais representativo dos 21 que se realizaram na história da Igreja.

Contou com a colaboração preciosa de muitos peritos e estudiosos.

Papa João XIII

Papa João XXIII

O Concílio, convocado pelo Papa João XXIII, foi promovido em quatro sessões. A primeira transcorreu no próprio pontificado de João XXIII, de 11 de outubro a 8 de dezembro de 1962. As outras sessões foram efetuadas durante o pontificado de Paulo VI, de 29 de setembro a 4 de dezembro de 1963, de 14 de setembro a 21 de novembro de 1964 e de 14 de setembro a 8 de dezembro de 1965.

Por vontade de João XXIII, o objetivo do Concílio II foi eminentemente pastoral e missionário. Não se dedicou a condenar erros, mas a buscar a atualização da doutrina da Igreja ao mundo de hoje e sua projeção na vida. Pôs em evidência a missão salvadora e evangelizadora da Igreja diante dos desafios da cultura moderna.

Os ensinamentos do Concílio tiveram enorme impacto sobre a Igreja em todas as regiões do mundo. Foi bastante produtivo, publicando 16 documentos. Foram elaboradas 4 constituições da maior importância para a Igreja. Foram formulados 9 decretos sobre assuntos particulares ou para determinados grupos dentro da Igreja. E foram editadas 3 declarações.

 

RENOVAÇÃO MARIANA

Papa Paulo VI

Papa Paulo VI

O Concílio foi um marco na renovação da vida e missão da Igreja no mundo atual. Renovou também a mariologia e o culto mariano, com muitos debates e reflexões entre os seus participantes.

Antes do Concílio, a mariologia aparecia separada do resto da teologia, ressaltando as glórias e os privilégios da Virgem Santíssima. Seu método era mais baseado na especulação, formulada a partir de deduções lógicas.

Fiel ao legado da Igreja e sensível às interpelações da cultura hodierna, o Concílio adotou o enfoque histórico-salvífico, situando a compreensão da figura de Maria no horizonte maior da história da salvação. Orientou para que sua figura fosse ser contemplada em sua relação com Jesus Cristo e com a Igreja.

O Concílio favoreceu para que a mariologia fosse integrada no conjunto da teologia, com perspectiva mais bíblica e existencial. A Bíblia é fonte do tratado a respeito de Maria. A tradição da Igreja é considerada.

O Concílio também indicou a dimensão antropológica. Sublinhou o lado humano da Mãe de Jesus, mostrando-a como mulher livre e de fé, pessoa consciente e responsável, que cooperou ativamente no projeto salvífico de Cristo.

Sua preocupação foi mais pastoral. Na mariologia, a preocupação maior do Concílio foi renovar a vida de fé e não criar novos dogmas marianos. Orientou para que a piedade mariana fosse mais autêntica, evitando exageros e desvios.

 

A FIGURA DE MARIA NA “LUMEN GENTIUM”

Maria

O Concílio optou por não fazer um documento autônomo a respeito de Maria, mas integrou sua figura na Constituição Dogmática “Lumen Gentium” (L. G.), que fala sobre a Igreja. O Capítulo VIII, que conclui a Constituição, focaliza a pessoa e a missão da Mãe de Deus.

O Capitulo VIII é curto, mas denso. Busca inserir a figura de Maria no arco completo da história da salvação, especialmente no mistério de Cristo e da Igreja. De rico conteúdo bíblico e teológico, renova a compreensão dos cristãos a respeito da Mãe de Jesus.

Ao elaborar tal texto, a intenção do Concílio não foi desenvolver uma doutrina completa sobre Maria, mas propor uma exposição sintética e essencial a respeito dela, apresentando, inclusive, os deveres dos cristãos para com ela, em particular no âmbito do culto. A Mãe de Jesus está situada na economia da salvação (L. G., nºs. 52-54).

 

"De acordo com o Concílio, Maria está no coração do mistério de Cristo e da Igreja, pois Deus quis que Jesus, Cabeça da Igreja, nascesse de suas entranhas."

De acordo com o Concílio, Maria está no coração do mistério de Cristo e da Igreja, pois Deus quis que Jesus, Cabeça da Igreja, nascesse de suas entranhas. Prenunciada no Antigo Testamento, ela é apresentada, dentro do Novo Testamento, como aquela que aceitou ser cooperadora do projeto divino de salvação, e como a perene associada de todo o trajeto de Jesus Cristo. Por isso, é venerada como a Mãe dos cristãos, na ordem da graça, experimentando a Igreja sua intercessão fraterna (L. G., nºs. 55-62).

O documento do Concílio mostra que a Mãe de Jesus é o tipo de Igreja e o exemplar dos cristãos, levando-se em conta todo o mistério da salvação que nela realizou e sua vida evangélica. É modelo de fé, esperança e caridade (L. G., nºs. 63-65).

Para o Concílio, os cristãos devem realizar um culto especial a Maria, embora essencialmente distinto da adoração que se presta a Deus. As formas de piedade aprovadas pela Igreja fazem com que, enquanto se honra a Mãe de Deus, se honre o seu Filho. A verdadeira devoção mariana procede dos dados da autêntica fé sobre a Virgem Maria e leva a seu amor e imitação. Nela a Igreja vê sempre seu sinal de esperança e conforto (L. G., nºs. 66-68).

          O Concílio não deixou de insistir na necessidade e importância do estudo mariano, dando aos cristãos orientações oportunas e seguras. De forma clara, recomendou aos teólogos e pregadores que evitem, em suas reflexões, todo falso exagero e toda mesquinhez de espírito. Recolham os dados de sua mariologia das fontes autênticas (Sagrada Escritura, Santos Padres, Doutores, Liturgia e Magistério). Cultivem também uma sensibilidade ecumênica, evitando palavras ou fatos equívocos que induzam os outros em erro acerca da doutrina e culto da Mãe de Jesus (L. G., nº. 67).

 

OUTROS TEXTOS CONCILIARES

O Concílio mencionou a figura de Maria em outros textos.

A Constituição sobre a liturgia diz que, durante o ano litúrgico, a Igreja venera com especial amor a Mãe de Deus, que por vínculo indissolúvel está unida à obra redentora de Jesus (S. C., nº. 103).

 O Decreto sobre o apostolado dos leigos mostra que o exemplar perfeito para a vida espiritual destes cristãos há de ser Maria, porque viveu vida simples, unida a Cristo, e sempre cooperando com sua obra redentora (A. A., nº. 4).

 

"O Concílio não deixou de insistir na necessidade e importância do estudo mariano, dando aos cristãos orientações oportunas e seguras."

O Decreto sobre a atualização da vida religiosa recomenda que os religiosos, por intercessão de Maria, progridam e produzam frutos (P. C., nº. 25).

 O Decreto sobre a formação sacerdotal orienta para que os seminaristas amem filialmente a Maria (O. T, nº. 8).

O Decreto sobre o ministério dos presbíteros requer, como um dos meios de sua espiritualidade, a devoção filial a Maria (P. O., nº. 18).

O Decreto sobre a atividade missionária da Igreja refere-se a Maria em suas ponderações: “Como pela descida do Espírito Santo sobre a Virgem Maria fora concebido Cristo e como pelo mesmo Espírito descendo sobre Cristo em oração Ele fora impelido à realização do ministério, assim em Pentecostes começaram os atos dos Apóstolos” (A. G., nº. 4).

 

Escrito por
Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R. (Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R.)
Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R.

Redentorista da Província de São Paulo, formado em filosofia e teologia. Atuou como formador, trabalhou no Santuário Nacional, onde foi diretor da Academia Marial.

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