Por Ir. Afonso Murad Em Artigos

Alegre-se Maria!

Por vezes, vemos as pessoas e o que elas dizem, e não percebemos a profundidade que um gesto ou uma palavra revelam. Assim também acontece nas orações vocais. O católico está acostumado a rezar Pai Nosso, Ave Maria e outras orações, e corre o risco de fazê-lo mecanicamente, sem saborear as palavras. Neste e nos próximos números da revista vamos meditar as palavras da Oração mais conhecida a Maria. E que tal começar com a primeira palavra, que dá nome à prece: “Ave, Maria”?

Foto de: Thiago Leon

Envio Imagem de Aparecida para Alagoinhas e Belo Horizonte (foto: Thiago Leon)

 

Esta palavra traduz a saudação inicial do Anjo Gabriel à Maria, na Anunciação. Se você abrir a bíblia da CNBB em Lc 1,28, verá: O anjo entrou onde ela estava e lhe disse: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo. Mas então, o que significa “Ave”?

O Novo Testamento foi escrito em grego, que era uma língua conhecida na região onde o cristianismo se espalhou no primeiro século. No texto original de Lucas, que os estudiosos da Bíblia pesquisam, se diz “Alegra-te”!

O enviado de Deus convida Maria a participar da alegria que irrompe com a vinda do Messias! Aliás, os relatos do nascimento e da infância de Jesus no evangelho de Lucas estão embebidos de grande contentamento, de euforia. Da alegria comparticipam também os pastores, os anjos, Simeão, Ana e a própria Maria, que inicia seu canto de louvor, dizendo:

“Meu espírito se alegra em Deus, meu salvador” (Lc 1,47b). Por isso, os primeiros mistérios do rosário se chamam “gozosos”. É pura alegria!

Como aconteceu com Maria, cada um de nós é convidado por Deus para se alegrar com a vinda de Jesus. O contentamento do natal brota deste grande e belo mistério: o filho de Deus veio morar no meio de nós, conhecer de perto as belezas e as limitações humanas.

Quando São Jerônimo traduziu a bíblia para o latim, no século 5°, ele pensou que a palavra do anjo não era simplesmente um convite a se alegrar, e sim uma saudação para uma pessoa especial, a mãe de Jesus. Então, ele traduziu por “Ave. Podia significar tanto o cumprimento para uma autoridade, quanto uma forma de dizer: “olá!”, “oi”.

Quando iniciamos nossa oração a Maria, lembramos destes dois sentidos. Saudamos Maria, dirigindo-nos a ela com confiança e proximidade. E, como ela, nos alegramos com Jesus, o Deus conosco!

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Ir. Afonso Murad

Professor de teologia, escritor e ambientalista. Autor de "Maria, toda de Deus e tão humana", Santuário e Paulinas.

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