Por Pe. Mauro Negro, OSJ Em Artigos

Apresentação do Senhor

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Maria e José cumpriram as prescrições da Torah,

a Lei Judaica e permitiram que a Salvação acontecesse na História.

 

Apresentar alguém é fazer com que esta pessoa seja conhecida. Todos já foram apresentados e receberam apresentações. Pense em um casal que, com alegria e orgulho, vai até a casa dos pais para apresentar o filho recém-nascido. Quantas expectativas nos braços daqueles pais indo aos avós de sua criança!

O Novo Testamento nos narra um fato semelhante, com Maria, José e Jesus. O menino Jesus, apenas nascido, é levado ao Templo por seus pais e é apresentado, dado a conhecer. E aqui acontecem fatos e são ditas palavras interessantes. Lemos isso em Lucas 2,22–40.

Apresentação do Senhor ao seu Povo

Enquanto Jesus é apresentado no Templo, cumprindo Torah, a Lei do Antigo Testamento (o Pentateuco de nossas Bíblias), quem recebe a apresentação, na realidade, é quem vai aceitá-lo como Senhor e Salvador. Em Lucas 2,29–31, o Cântico de Simeão, se afirma: “Agora, Soberano Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque meus olhos viram tua salvação, que preparaste em face de todos os povos, luz para iluminar as nações, e glória de teu povo, Israel”. Esta “luz para iluminar as nações todas” é uma passagem de Isaías 42,1–9 (é o versículo 6), o chamado Primeiro Canto do Servo; é também uma citação de Isaías 49,1–7 (também está no versículo 6), o Segundo Canto do Servo. Ora, o “Servo” é o Senhor Jesus. E quem recebe a apresentação não é Deus, que já conhece seu Filho, mas seu povo e todas as nações que podem aceita-lo.

O que se destaca aqui é a dedicação de Maria e José, pais de Jesus, em cumprir as prescrições da Fé que professavam. As “nações” são todos os povos à exceção de Israel. Este era o Povo de Deus, as nações eram os pagãos, os que, mesmo sem esperar o Salvador como os Judeus esperavam, acabam por recebê-lo em Jesus.

Simeão e Ana: zelosos das Profecias

Simeão era um justo e piedoso homem que habitava Jerusalém, como se lê em Lucas 2,25. Ele esperava a revelação do Messias ou Cristo. Vai ao Templo e o encontra com Maria e José.

Simeão também fez aquele anúncio a Maria: “…uma espada transpassará a tua alma!” (Lucas 2,35). Foi um anúncio de sofrimento para Maria, prevendo a Paixão e Morte de Jesus. É parte da profecia do Servo Sofredor, uma imagem muito forte de Jesus. Já a profetiza Ana, idosa senhora que servia no Templo, é sinal da dedicação sincera dos pequenos à causa de Deus. Simão e Ana são a marca do zelo pelas Profecias que devia animar os fiéis judeus. Mas que nem todos entendiam.

Maria e José: o sinal da Fé

Nesta situação toda encontram-se José, esposo de Maria, e ela, a Mãe do Salvador. Eles cumprem a Torah, observam tudo, assimilam as palavras e os sinais, para compreender o sentido da História. Mas ele será compreendido somente na Ressurreição, o que exige também a Paixão e a Morte. José e Maria estão no tempo da Fé. Precisam da luz que vem de seu Filho, o Salvador. Por isso usamos as velas para celebrar esta solenidade.

Uma Solenidade Cristológica

Até a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II a Apresentação do Senhor, celebrada com velas, acentuava a presença de Maria que oferecia seu Filho ao Senhor. Era a festa de Nossa Senhora das Candeias ou da Candelária. De fato, “candeia” é um modo dizer “vela”.  Candelária seria o conjunto das velas. Mas isto é um pouco parcial. De fato, quem apresenta Jesus é Maria e José, os Santos Esposos. Depois, o ato principal não é apenas a apresentação em si, mas o que ela significa. Jesus Cristo, o Servo do Senhor, é a luz para iluminar as nações todas.

Maria, a Mãe, e José, o Pai, podem nos ajudar a compreender mais este Mistério.

 

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