Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 26 MAR 2019 - 12H47

As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

epifania do senhor

 Mt 2,1-12 -   Epifania   

Acompanhando o calendário litúrgico prolongamos a expectativa e as esperanças próprias do início de ano. Nosso olhar repousa ainda na serenidade do presépio desejosos de perpetuar o clima tão gostoso do Natal, a sua alegria! A data já passou sim, já o mistério continua o ano todo. Nem bem cessou a melodia “adeus ano velho...” dando boas vindas ao novo ano, ele já vai desfolhando dia por dia e de modo inexorável a sua folhinha, o tempo. A nossa vida vai passando com o tempo. Somos e não somos donos dele! Não podemos parar seu curso, esquecê-lo ou fugir dele. E o discípulo-missionário de Jesus, cônscio da responsabilidade quanto à vida que passa, se pergunta: “O que posso fazer para ser feliz e tornar felizes as pessoas?”. O que está ao meu alcance para melhorar nossa vida na terra, pois Jesus veio para todos!

 

Celebrar a Epifania aprofunda o sentido do nascimento de Jesus.

Então, celebrar a Epifania aprofunda o sentido do nascimento de Jesus. Encarnou-se na história dos povos, não só do povo bíblico judeu. Como palavra grega, a Epifania significava no vocabulário religioso antigo a manifestação ou aparição benevolente da divindade. Por esta palavra o Evangelho narra o fato da visita dos assim chamados reis magos a Jesus. A adoração dos magos ofertando presentes é o reconhecimento de Jesus como “Luz das Nações”. A Igreja aprendeu a entender a salvação de Jesus como um fato de natureza universal. É o mundo inteiro e toda a história que se iluminam com sua vinda na carne! Cristo não veio só para o seu povo, veio para todos os povos. A Epifania encerra o ciclo do Natal na liturgia e no calendário cristão. Ensina-nos a viver a fé com espírito de abertura e acolhida a todos, procurando os caminhos da salvação de nosso Deus não na grandeza e no poder, mas no esforço, na luta, na procura da verdade, da justiça e da paz.

Crer em Jesus Cristo luz dos povos será sempre a estrela que brilha e guia nossos passos de peregrinos e os anseios da verdadeira cidadania. Leia: Mateus, 2, 1-12.

O que os chamados magos procuravam? Um rei messiânico, isto é, um salvador descendente da dinastia real de Davi, segundo os anúncios proféticos. Herodes não era judeu e estava no trono porque nomeado e protegido conforme interesses da política romana. Os magos foram personagens misteriosos na literatura antiga. Nos evangelhos só Mateus os menciona. Mas, a preocupação do texto não é com eles, suas funções e poderes. E sim com o que eles vieram fazer junto a Jesus, ainda em tenra idade, e por que. O modo como procuraram conhecer o Menino e dar-lhe seus presentes indica no Evangelho a coisa mais importante a fazer na vida. Eles eram pagãos, mas tinham um coração justo e bom. Homens sábios interessados em astros e estrelas pesquisavam antigas tradições e chegaram a ser uma casta sacerdotal. No Egito, na Síria e na Babilônia judeus emigrados haviam levado consigo as esperanças proféticas de Isaías ligadas à crença num Messias salvador para o povo judeu e todos os homens.

Mateus não nos diz de onde vieram exatamente. Chegaram do distante Oriente por caminhos incertos e inseguros. Corajosos ousaram até a apresentar-se na corte de Herodes, rei temido pela crueldade, indagando sobre outro “rei recém-nascido”. Descobriram a luz de uma nova estrela no céu na qual viram um sinal esperançoso do nascimento dele, o Messias profetizado. Maior foi a inspiração da bondade acalentada em seu coração e assim chegaram até onde estava o Menino com Maria sua mãe. Souberam encontrá-lo apesar da ignorância de Herodes e dos temores das autoridades de Jerusalém. “Ajoelharam-se diante dele, e lhe prestaram homenagem. Depois, abriram seus cofres e ofereceram presentes ao menino: ouro, incenso e mirra” (v.11).

Interpretando a letra do Evangelho a tradição cristã viu nos três presentes o número de pessoas e lhes deu um nome: Gaspar, Melchior e Baltasar. A intenção de Mateus parece ser mais teológica do que histórica. Ele recorre a vários textos proféticos anteriores para instruir os judeus convertidos no conhecimento exato de Jesus Cristo. Mesmo recusado por seus conterrâneos de Nazaré, condenado à morte pelas autoridades, rejeitado por todo o povo, Jesus era o verdadeiro Messias e Salvador “luz para todas as nações”. De todas elas ele formou um novo povo aliado de Deus através da Igreja e dos seus seguidores. Os três presentes: ouro, incenso e mirra é uma referência de Mateus ao profeta Isaías 60, 6 (1ª leitura da missa).

O episódio que inquietou tanto a Herodes e seus bajuladores, ao mesmo tempo nos mostra que o Evangelho é contrário ao exercício ambicioso e violento do poder. Em Jesus, o rei-pastor sucessor de Davi, projeta-se uma nova sociedade que liberta a pessoa não só da tirania e desgoverno político, mas de todas as opressões geradas na sua corrupção, como o domínio da lei do mercado e a imposição ideológica da grande mídia. Em Jesus, brilha a estrela da fraternidade, do amor e da paz para a convivência sadia, ética e feliz de todos os povos.

Deus se aniquilou no seu mistério eterno revestindo-se de nossa carne, na vida de Jesus! A humilde e santa Virgem Maria foi se abrindo ao mistério divino e pautando cada decisão de sua vida no ambiente simples dos serviços caseiros de esposa, mãe e dona de casa! Tudo o que a Bíblia relata de Cristo nos leva a acha-lo oferecido em Maria, nas suas atitudes de silêncio, escuta e partilha. Com sua ajuda perseveremos este ano na busca do Salvador.

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