Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna – CSsR Em Artigos

Em Deus a justiça é misericórdia: perdoar, perdoar, perdoar...

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Homilia 11º DOMINGO COMUM - ANO C

Lc 7, 36-50

Junho é o mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus que é a fonte do amor até o fim, o amor que nos libertou e salvou até ao sacrifício da vida. E continua animando nossos projetos, ideias, boas obras através da Eucaristia. No altar da missa recordamos e atualizamos esse amor sem limites de Jesus por nós. Por isso, na terra o tempo do discípulo fiel é de misericórdia! É para fazer misericórdia! O Papa Francisco providencialmente imprimiu em seu pontificado o ano jubilar extraordinário desejando oferecer e preservar o lugar no banquete da vida para todos. Ele nos convida a manter o olhar fixo no rosto de Jesus, atentos à sua Palavra: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso!” (Lc 6,36). O Evangelho de Lucas proclamado neste domingo narra o episódio da mulher pecadora adentrando na sala onde o fariseu Simão dava um banquete para o qual convidara Jesus. A mulher podia acessar a sala, mas sua presença ali era chocante para os padrões culturais judaicos. Leia: Lc 7,36-43.

 Os fariseus se constituíam num grupo ou casta social muito influente na prática religiosa. Faziam parte do “sistema de poder”, político e religioso. O fariseu Simão não fora muito cordial na hospitalidade com Jesus. Havia se descuidado de prestar os serviços e a atenção costumeira ao hóspede. Os convidados à refeição não se sentavam em cadeiras, mas reclinavam-se em divãs e serviam-se da comida com os dedos. Os pés ficavam estendidos no fim do divã. Desse modo, a mulher que entrou na sala do banquete, pôde aproximar-se ungir os pés de Jesus com perfume e expressar com lágrimas copiosas o arrependimento da sua vida pecadora. E usava as madeixas da cabeleira para enxugar os pés de Jesus. Mas ela era uma prostituta. Embora aberta à curiosidade pública a sala do banquete, é claro que a presença de uma prostituta escandalizou a todos. Em verdade ela parecia estar arrependida de sua vida. Mas, deixar-se tocar por uma mulher vista e rotulada como “impura” pelas normas sociais, desabonava Jesus. Se ele fosse mesmo um homem santo, um profeta teria repelido a aproximação de tal mulher! Simão o fariseu pensou mal do seu hóspede, sem nada dizer. A ele importava o “toque” da mulher considerada “impura” segundo os padrões rigorosos da lei da pureza e impureza ritual ou jurídica. Não importava tanto a conduta moral. A prostituta era impura não por causa da imoralidade sexual, mas por causa da violação da norma ritual e exterior!

 Nesse contexto Jesus ofereceu delicadamente aos fariseus a chance de rever a sua prática religiosa tão formalista, tão jurídica, tão exterior... E lhes propôs a parábola dos dois devedores. Ambos deviam para o mesmo credor. Um devia muito, outro devia pouco. Mas nenhum deles podia pagar e foram ambos perdoados. Qual dos dois deveria mostrar maior reconhecimento? Até o fariseu Simão com todo seu rigorismo legal admitiu: onde é mais generoso o perdão, impõe-se uma gratidão maior, um amor mais alto.

O que o fariseu Simão não esperava era ouvir a conclusão de Jesus: a mulher prostituta arrependida, tão desprezada pelos conceitos de “impureza legal” dos fariseus, era quem estava amando mais a Deus ali! Segundo o modo de ser de Deus, o zeloso Simão estava sendo mais pecador que uma prostituta. Ele convidara Jesus, mas só por etiqueta social; nem fora cordial, acolhedor, amável, verdadeiramente amigo. Descuidara-se dos pequenos gestos de hospitalidade: água para os pés; unção com o perfume da etiqueta, o beijo da paz, etc. A mulher sim, fizera tudo isso... E, no lugar dele demonstrara muito amor, muita gratidão com o perdão recebido! Ela estava em paz com Deus e seu “toque”, sua proximidade não oferecia nenhuma impureza!

 A lição de Jesus é válida para nós! Quem sabe nos julgamos muito justos e bonzinhos comparando-nos a outras pessoas? Quem sabe rotulamos determinadas pessoas com preconceitos e juízos apressados? Quem sabe levantamos barreiras contra elas em nossa própria comunidade? O domingo é dia da graça, dia do perdão! A Virgem Maria foi misericordiosa na terra com a gente humilde, sofrida e excluída. No seu cântico de louvor alegrou-se com a misericórdia de Deus que se extende de uma geração à outra! (Lc 1,50). Ela, a mulher mais pura, acolheu em seu regaço materno o corpo do Filho descido da cruz. Ao rezar a Salve Rainha pedimos: esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. Com sua intercessão celebremos ano jubilar da misericórdia!

 

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