Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Artigos

Maria, companheira dos pobres

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Fazer companhia a alguém significa dar acolhida, ser solidário, mostrar respeito, gestos que descrevem identificação mais espiritual que material. Ora, por tudo o que sabemos sobre Nossa Senhora a partir dos Evangelhos, dos escritos já no 2º século da era cristã e da tradição vivida no culto, Maria vivia essa identificação, esse companheirismo. Ela fazia parte dos grupos sócio-religiosos que os estudiosos da Bíblia intitulam: os anawin. Num aspecto, são os carentes de bens materiais. Vivendo na condição de vulnerabilidade social e dependência humana ficavam mais expostos às injustiças, aos sofrimentos e às diversas aflições do dia a dia. Noutro aspecto, a literatura bíblica olha os anawin a partir da sua absoluta confiança em Deus. São pessoas de espírito humilde que não se abatem em meio às provações, mas procuram fielmente conhecer e fazer a vontade de Deus. Jesus Cristo, além de viver essa realidade junto com sua mãe e o pai adotivo José, ancorou nela a razão de ser de sua vinda ao mundo. No início do seu ministério declarou de modo explícito na sinagoga de Nazaré que Ele “viera para evangelizar os pobres e libertar os oprimidos” (Lucas, 4, 18).

 

Identificaram em Maria a sua companheira na pobreza, na pequenez, bem como na condição de anawin.

Sendo pobres, Jesus e sua mãe não resolveram o problema social dos pastores, por exemplo. Tratava-se de uma classe bem abandonada, vistos até como gente suspeita e não confiável. Mesmo assim, foram os primeiros a visitarem o recém-nascido da manjedoura. Impressionados com a visão, o contato com Maria, José e o recém-nascido no quadro geral de pobreza, sentiram-se invadidos por uma alegria imensa. Identificaram em Maria a sua companheira na pobreza, na pequenez, bem como na condição de anawin. Libertados da indigência espiritual, voltaram para sua tarefa “maravilhados glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto...” (Lucas, 2,20). Os rudes guardas noturnos de rebanhos nos campos se tornaram mensageiros do nascimento de Jesus. A catequese de Lucas vê neles como que pré-missionários da Boa Nova da Salvação vivida e anunciada aos outros como fonte da verdadeira alegria.

É comum na Bíblia constatar que os pobres, os desprezados e postos à margem dos bens e serviços da cidadania, os despossuídos enfim, são mais facilmente sensíveis à experiência do divino. Quem se abre ao agir de Deus intimamente, tomado por fatos sobrenaturais, quer partilhar a sua alegria com os outros. Maria foi assim, fez isso e o proclamou no Magnificat. Por experiência própria ela atestou a inequívoca opção por Deus em favor dos famintos, os desprovidos de poder, os oprimidos e penalizados, mas cheios de esperança no amor salvador. Por inspiração divina o evangelista Lucas transmitiu às gerações cristãs de todos os tempos o companheirismo da Virgem a partir da sua condição de anawin.

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