Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H16

Maria e o nosso batismo em Cristo

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O calendário cristão finaliza o ciclo do Natal relembrando o episódio bíblico do Batismo de Jesus. Não se trata do mesmo batismo que nós recebemos nele e por Ele, seu autor. Ele nos libertou de nossa condição de pecadores e nos fez filhos e filhas de Deus produzindo em nós uma transformação espiritual interior. Esse batismo sacramental nos é dado através da Igreja e de fato infunde a vida de Deus em nós. Ora, o batismo de João Batista não tinha nem podia ter esse poder, não produzia na vida de ninguém o efeito sobrenatural próprio do sacramento. Não conferia um novo nascimento: o da Graça. João Batista concebido também em pecado herdou o estado de culpa original e precisava como nós todos da regeneração da Graça. Jesus, no mistério da união das duas naturezas -a divina e a humana- evidentemente não esteve sujeito à realidade humana do pecado. Por isso, nenhum tipo de batismo lhe era necessário. Nem mesmo aquele ritual simbólico penitencial de João Batista.

Marcos faz então do batismo de João ocasião para expor a origem divina de Jesus (o Filho amado do Pai) e a sua consagração messiânica. É o início da sua vida pública e do seu ministério sobre o Reino de Deus. O profeta já tinha avisado: “Eu batizei com água, mas Ele vos batizará com o Espírito Santo!” (Marcos, 1,7-8). batismo_do_senhor_1Jesus inaugura uma nova criação, vida nova e novo nascimento: o batismo no Espírito.

Ora, a ação recriadora de Deus, realizada na pessoa de Cristo, teve a mediação materna de Maria porque Deus assim o quis. O Verbo se aniquilou no seio puríssimo dela, mesmo se preparado como morada digna. Aí se abrigou o embrião divino-humano do Filho do Altíssimo. Engravidada pela sombra do Espírito Maria foi a mulher peregrina na fé. Se nossa regeneração batismal veio do sangue do Cordeiro inocente imolado na cruz selando a nova aliança da humanidade com Deus, era sangue-elemento biológico herdado de Maria. Dado por ela ao Filho antes mesmo de Ele conferir à Igreja o mandato de ensinar e batizar. Se o batismo nos mergulha na natureza divina, Maria não precisou ser lavada como nós na água sacramental, pois gerou a ‘cabeça da nova humanidade’. É a primeira regenerada, a primeira batizada, a primeira cristã do povo santo e peregrino do Senhor. Impossível desconsiderar a participação da Virgem nesse mistério da graça purificadora que nos lava do pecado e inunda nosso viver da luz de Deus. Encerrado o ciclo natalino, a sequência inexorável do tempo que passa vai desfazendo as expectativas do ano novo, mas o projeto de ser “filhos no Filho” selado em nós pelo Batismo é indelével e continua. E Maria nos acompanha! Nós a invocamos e nela confiamos cantando: “Sou teu povo Senhor e estou nesta estrada. Vai conosco Maria, nossa mãe muito amada”.

 

 

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