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Natividade de Nossa Senhora

8 de SETEMBRO

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Escrito por Rita de Sá Freire

05 JAN 2013 - 00H00 (Atualizada em 08 SET 2026 - 10H16)

Carlos Rodrigues

Na Igreja Católica, celebramos numerosas festas de santos. Entretanto, não se celebra a data de nascimento do santo, mas sim a de sua morte, correspondendo ao dia de sua entrada na vida eterna.

Somente em três casos comemoram-se as festas no dia do nascimento: Nosso Senhor Jesus Cristo (Natal); o nascimento de São João Batista; e a Natividade da Santíssima Virgem.

A Natividade de Nossa Senhora é uma festividade religiosa celebrada pela Igreja Católica precisamente nove meses depois de comemorar a Imaculada Conceição da Virgem Maria.

A festa da Natividade era celebrada no Oriente católico muito antes de ser instituída no Ocidente. Segundo uma bela tradição, tal festa teve início quando São Maurílio a introduziu na diocese de Angers, na França, em consequência de uma revelação, no ano 430:

“Um senhor de Angers encontrava-se na pradaria de Marillais, na noite de 8 de setembro daquele ano, quando ouviu os anjos cantando no Céu. Perguntou-lhes qual o motivo do cântico. Responderam-lhe que cantavam em razão de sua alegria pelo nascimento de Nossa Senhora durante a noite daquele dia”.

Em Roma, já no século VII, encontra-se o registro da comemoração de tal festa. O Papa Sérgio tornou-a solene, mediante uma grande procissão.

Posteriormente, Fulberto, Bispo de Chartres, muito contribuiu para a difusão dessa data em toda a França. Finalmente, o Papa Inocêncio IV, em 1245, durante o Concílio de Lyon, estendeu a festividade para toda a Igreja.

Assim se exprimiu o Padre Antônio Vieira sobre essa celebração:

“Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria? Vede o para que nasceu. Nasceu para que dEla nascesse Deus. (…) Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação; perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança.

Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os discordes, para Senhora da Paz; os desencaminhados, para Senhora da Guia; os cativos, para Senhora do Livramento; os cercados, para Senhora da Vitória.

Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; os navegantes, para Senhora da Boa Viagem; os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso; os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte; os pecadores todos, para Senhora da Graça; e todos os seus devotos, para Senhora da Glória.

E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus” (Sermão do Nascimento da Mãe de Deus).

Também, São João Damasceno, em seu discurso para o nascimento de Nossa Senhora Santíssima, a Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, escreve:

“Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com alegria celebremos a natividade da alegria do mundo inteiro!

Se os gregos destacavam com todo o tipo de honras – com os dons que cada um podia oferecer – o aniversário das divindades, impostos aos espíritos por mitos mentirosos que obscureciam a verdade, e também o dos reis, mesmo se eles fossem o flagelo de toda a existência, que deveríamos nós fazer para honrar o aniversário da Mãe de Deus, por quem toda a raça mortal foi transformada, por quem o castigo de Eva, nossa primeira mãe, foi mudado em alegria?

Com efeito, uma ouviu a sentença divina: «Darás à luz no meio de penas»; a outra ouviu, por seu turno: «Alegra-te, ó Cheia de Graça». À primeira disse-se: «Inclinar-te-ás para o teu marido», mas à segunda: «O Senhor está contigo».

Que homenagem ofereceremos então nós à Mãe do Verbo, senão outra palavra? Que a criação inteira se alegre e festeje, e cante a natividade de uma santa mulher, porque ela gerou para o mundo um tesouro imperecível de bondade, e porque por ela o Criador mudou toda a natureza num estado melhor, pela mediação da humanidade.

Porque, se o homem, que ocupa o meio entre o espírito e a matéria, é o laço de toda a criação, visível e invisível, o Verbo criador de Deus, ao se unir à natureza humana, uniu-se através dela a toda a criação.

Festejemos assim o desaparecimento da humana esterilidade, pois cessou para nós a enfermidade que nos impedia a posse dos bens.”

Dessa forma, a Natividade de Nossa Senhora é celebrada pela Igreja como um dia de alegria universal.

No contexto do Antigo e do Novo Testamento, a Santíssima Virgem Maria nasceu neste dia radiante, tendo sido escolhida antes dos séculos pela Divina Providência para a realização do Mistério da Encarnação do Verbo de Deus. Ela é revelada como a Mãe do Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo.

De acordo com a tradição, Nossa Senhora nasceu na cidade da Galileia, em Nazaré. Seus pais eram Joaquim, da tribo do Profeta-Rei Davi, e Ana, da tribo do primeiro sacerdote Aarão.

O casal estava sem filhos, já que Ana era estéril. Tendo chegado à idade avançada, Joaquim e Ana tiveram forte fé de que tudo era possível com Deus. Joaquim e Ana juraram dedicar o filho que o Senhor pudesse lhes dar a serviço de Deus no Templo.

A esterilidade era considerada castigo divino pelo pecado, e Joaquim e Ana tiveram que suportar o abuso de seus próprios conterrâneos.

Em um dos dias de festa no Templo, Joaquim levou o seu sacrifício para oferecer a Deus, mas o Sumo Sacerdote não quis aceitá-lo, considerando que ele era indigno, já que não tinha filhos.

Em profunda tristeza, Joaquim foi para o deserto e ali rezou a Deus, pedindo uma criança. Ana chorou amargamente quando soube o que tinha acontecido no Templo.

Ana nunca reclamou contra o Senhor, mas rezava para pedir a misericórdia de Deus sobre sua família.

O Senhor cumpriu sua petição quando o casal piedoso havia atingido a velhice extrema e se preparou, pela vida virtuosa, para a vocação sublime de ser os pais da Santíssima Virgem Maria, a futura Mãe do Senhor Jesus Cristo.

O arcanjo Gabriel trouxe a Joaquim e Ana a mensagem alegre de que suas orações foram ouvidas por Deus e deles nasceria uma filha mais abençoada, Maria, por quem viria a salvação de todo o mundo.

A Santíssima Virgem Maria superou em pureza e virtude não só toda a humanidade, mas também os anjos. Maria, a arca da aliança, templo vivo de Deus.

A Natividade de Maria marca o momento em que a grande promessa de Deus para a salvação da humanidade estava prestes a ser cumprida. Este evento trouxe para a terra a graça do Reino de Deus, Reino de Verdade, a piedade, a virtude e a vida eterna.

Maria é revelada a todos nós pela graça, como uma intercessora misericordiosa, corredentora e Mãe, a quem podemos recorrer com devoção filial.

O nascimento de Maria também foi milagroso. Ela foi concebida sem pecado como uma graça especial, porque Deus a havia escolhido para ser a mãe de seu Filho (Theotokos – Mãe de Deus).

Maria, sem pecado, entrou neste mundo por meio do privilégio da Imaculada Conceição e é “o primogênito” dos redimidos.

Seu nascimento é motivo de grande alegria, pois é considerada a “aurora de nossa salvação”, como o Papa Paulo VI escreveu no documento Marialis Cultus, em 1972.

Que a Festa da Natividade nos faça relembrar essa história tão especial, com os olhos agradecidos diante de Deus e dAquela que soube dizer sim e se submeter totalmente à vontade do Criador.

Através do seu fiat, Maria tornou-se a Mãe não somente de Jesus, mas de toda a humanidade.

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