Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Artigos

Nossa Senhora Aparecida

11º Charretaço na Festa da Padroeira (Ivan Simas)

 

Maria é apenas o invólucro da mensagem de Jesus.

Um dia na segunda quinzena de outubro de 1717, três pescadores retiraram das águas do rio Paraíba aqui nas cercanias da outrora Vila de Guaratinguetá, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Com seus familiares e vizinhos passaram a invocá-la com o título: Nossa Senhora Aparecida. Esta imagem original que representa Maria de Nazaré mãe de Jesus, está exposta no Santuário Nacional e recebe cada ano a veneração de milhões de peregrinos. É só uma imagem, sem nenhuma preciosidade exterior. Mas, desde o princípio a história dela foi sendo escrita não por historiadores e sim por fatos maravilhosos repassados em tradição oral. O culto a ela surgiu espontâneo no povo: reza do terço, testemunho de graças recebidas, curiosidade de quem procura os “sinais de Deus” em coisas simples. Depois, vieram as romarias individuais ou coletivas. Romeiros, excursionistas, turistas, simples passantes vindos de ônibus, carros, motos, bicicletas, a cavalo, a pé. Seu culto não foi criado ou imposto por nenhuma autoridade eclesiástica. É fruto da religiosidade popular realimentada e purificada sempre através da evangelização intensa no Santuário. Este é hoje “praça forte” de anúncio da Palavra, catequese, acolhida espiritual, conversão para o amor a Deus e aos irmãos. Maria não é o centro do Santuário, menos ainda a imagem como tal. Jesus Cristo é o centro de tudo. A própria devoção mariana é meio ou caminho para o encontro com Jesus Cristo, nas celebrações da fé, no conhecimento da doutrina, na orientação moral da convivência em família, na responsabilidade do trabalho ou profissão, e em toda a vida social. Na liturgia e na pastoral do Santuário, Maria é apenas o invólucro da mensagem de Jesus. A imagem de Aparecida fala em uma linguagem simbólica que se traduz nas emoções, louvores e invocações dos fiéis. É curioso: muitas pessoas contam sentir algo místico simplesmente rezando perante a imagem!

Venerando Maria sob qualquer título, imaginamos a pessoa na glória do céu, nossa intercessora junto ao Filho no seio da Trindade Santa. Bendizemos e louvamos sua participação na redenção do Senhor: da encarnação ao pleno gozo do mistério divino. Em outubro, inúmeras cidades, paróquias, Igrejas e capelas do Brasil afora, celebram a bem-aventurança de Maria. Discípula-missionária da primeira hora da Igreja, ela nos impele ao amor de Jesus Cristo. A devoção mariana é libertadora e transformadora. O achado mesmo da imagem por três pescadores seria uma resposta divina ao clamor da situação histórica da escravidão negra e indígena no Brasil Imperial. Escravos negros acorrentados transitavam pelo vale do Paraíba rumo ao trabalho forçado nas minas de ouro na região de São Paulo e de Minas Gerais. Pescada das águas a imagem encheu de peixes as redes dos pobres. Continua sendo sinal da vida abundante distribuindo graças, consolando e abençoando milhões de peregrinos que acorrem ao seu Santuário.

 

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