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Nossa Senhora Aparecida: a história da Padroeira do Brasil

Do encontro da imagem no Rio Paraíba do Sul à devoção que reúne milhões de peregrinos no Santuário Nacional

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Escrito por Rita de Sá Freire

08 OUT 2015 - 11H39 (Atualizada em 25 SET 2026 - 14H02)

Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Padroeira do Brasil

12 de outubro

A história nos conta que, em 1717, por ocasião da passagem pela região do governador da então Província de São Paulo e Minas Gerais, Dom Pedro de Almeida, Conde de Assumar, e sua comitiva, foi solicitado aos pescadores que encontrassem nas águas do Rio Paraíba do Sul a maior quantidade possível de peixes. Entre os pescadores estavam João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia.

Lançaram suas redes várias vezes e não conseguiam pescar nada. Já estavam desanimados quando, de repente, na altura do Porto de Itaguaçu, perceberam algo estranho na rede. Era o corpo de uma imagem feita de terracota. Em seguida, lançaram as redes novamente ao rio e encontraram a cabeça, que se encaixava perfeitamente no corpo da imagem. Após recolherem a imagem, conseguiram grande quantidade de peixes e sentiram que o acontecimento era um sinal dos céus.

Os habitantes do lugar logo atribuíram o fato a um milagre da Virgem, que passaram a chamar Nossa Senhora da Conceição Aparecida. A imagem foi levada para a casa da família de Domingos Garcia, onde foi colocada em um pequeno altar. A partir de então, os moradores da região passaram a se reunir para rezar o terço e cantar a ladainha.

Em 1732, Felipe Pedroso entregou a imagem a seu filho, Atanásio Pedroso, que construiu o primeiro oratório aberto ao público. Logo depois, começaram a ocorrer relatos de graças e prodígios, e a fama de Nossa Senhora Aparecida se espalhou. O número de peregrinos começou a aumentar de forma expressiva e a devoção se estendeu por todo o país.

O grito de independência

O Brasil tornou-se independente sob a maternal proteção de Nossa Senhora Aparecida. Dom Pedro, então Príncipe Regente, viajando do Rio de Janeiro para São Paulo, quis rezar diante da imagem de Aparecida. Prometeu-lhe consagrar o Brasil, caso resolvesse favoravelmente sua complicada situação política.

Isto ocorreu no dia 22 de agosto de 1822. Em 7 de setembro, em São Paulo, na Colina do Ipiranga, nascia o Brasil independente, pelo brado histórico do Príncipe, que se tornaria nosso primeiro Imperador com o nome de Dom Pedro I.

Princesa Isabel e a Virgem Aparecida

A festa da Aparecida, no ano de 1868 — até então celebrada em 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição — encerrou-se com brilho especial. Com efeito, a Princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro, quis dela participar ao lado de seu marido, o Conde d'Eu, na esperança de obterem da Senhora Aparecida a graça de um herdeiro.

Para manifestar sua devoção, a Princesa doou à venerada imagem um manto riquíssimo, ornado com 21 brilhantes, representando as 20 províncias do Império mais a Capital. Anos depois, em 1884, Dona Isabel voltava a Aparecida em reconhecimento pela graça recebida. Feliz, vinha acompanhada não só do esposo, mas também dos três herdeiros, os príncipes Dom Pedro, Dom Luís e Dom Antônio.

A piedosa Princesa quis novamente honrar a milagrosa imagem da Senhora Aparecida, oferecendo-lhe, dessa vez, uma riquíssima coroa de ouro, cravejada de brilhantes. Essa mesma coroa serviu, vinte anos depois, para a solene coroação da imagem, por ordem do Papa São Pio X.

Rainha e Padroeira do Brasil

Em 1903, os bispos da Província Eclesiástica Meridional do Brasil, com vistas ao cinquentenário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição, a transcorrer no ano seguinte, rogaram ao Santo Padre que mandasse coroar em seu nome a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

No dia 8 de setembro de 1904, reuniram-se em Aparecida oito bispos e dois abades, tendo à frente o Núncio Apostólico, Dom Júlio Tonti, além de numerosos sacerdotes e religiosas, autoridades civis e militares e uma grande multidão de fiéis procedentes dos mais diversos lugares do território nacional.

Após a Missa Solene, celebrada pelo Núncio, o Bispo de Petrópolis, Dom João B. Braga, proferiu um sermão e leu a fórmula da Consagração do Brasil a Nossa Senhora Aparecida. O povo, de joelhos, repetia a oração. A seguir, o Bispo de São Paulo, Dom José de Camargo Barros, cingiu a fronte da imagem com a coroa oferecida pela Princesa Isabel.

Em 16 de julho de 1930, o Papa Pio XI acolheu o pedido dos bispos brasileiros e declarou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. A proclamação solene aconteceu em 31 de maio de 1931, no Rio de Janeiro, então capital do país, diante de uma grande multidão de fiéis e de autoridades civis e eclesiásticas.

Da capelinha improvisada, logo foi preciso outra maior, e depois outra. A devoção a Nossa Senhora Aparecida continuou crescendo, e o espaço destinado aos peregrinos precisou ser ampliado ao longo dos anos. Hoje, o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida recebe milhões de peregrinos que chegam de diferentes regiões do Brasil e do mundo.

As graças e os milagres continuam

A história de Aparecida tem o milagre na sua origem. Pinturas nas paredes da nave central da Basílica Histórica representam de forma expressiva alguns dos primeiros milagres que se tornaram famosos.

Essas graças e prodígios, entretanto, não cessaram com o correr do tempo. Maria Santíssima, de seu trono em Aparecida, continua ainda hoje a derramar sobre seus fiéis devotos chuvas de graças e bênçãos e a operar verdadeiros milagres.

A sacrílega profanação

O Brasil se sentia tranquilo sob a proteção maternal da Senhora Aparecida. Talvez tranquilo demais, pois a decadência moral e religiosa dos últimos tempos — que havia culminado com a introdução do divórcio em 1977 — fazia temer que a Virgem Santíssima estivesse descontente com nosso país.

Foi então que se deu um dos fatos mais graves de nossa história: no dia 16 de maio de 1978, durante a noite, o jovem Rogério Marcos de Oliveira, então com 19 anos, retirou de seu nicho a milagrosa imagem e, ao ser surpreendido pelo guarda do Santuário, deixou-a cair ao chão. Ela se partiu em mais de 200 fragmentos.

A comoção em todo o Brasil foi enorme, e as pessoas piedosas procuraram oferecer atos de reparação por tamanha afronta à Padroeira, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Os fragmentos da imagem foram levados ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), onde a restauradora Maria Helena Chartuni trabalhou durante 33 dias para reconstituí-la. A imagem retornou ao Santuário em 24 de julho de 1979, sendo recebida por uma multidão de devotos.

Advertência materna

Maria Santíssima permitiu a quebra da milagrosa imagem da Aparecida para nos alertar, a fim de que abandonemos o estado de indiferentismo religioso em que se encontra imerso nosso povo; deixemos o uso das modas imorais, que tanto ofendem a Deus e contristam a Virgem toda pura; renunciemos à assistência de novelas e filmes imorais; combatamos os costumes que dissolvem nossa sociedade; enfim, restauremos em toda a sua força a verdadeira família cristã.

Para tanto, impõe-se um "reafervoramento" confiante da terna e enlevada devoção àquela que é a nossa Advogada, clemente e cheia de doçura, a Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de Deus e Mãe nossa. Ergamos, então, nossa súplica à excelsa Padroeira: Senhora Aparecida, salvai o Brasil!

Hoje, peregrinos de todo o país e do exterior chegam aos milhares ao seu majestoso Santuário, em Aparecida, especialmente no mês de outubro, quando se celebra, no dia 12 de outubro, a festa oficial da Rainha e Padroeira do Brasil.

Rita de Sá Freire
Administradora do Apostolado "Nos Passos de Maria"
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