Por Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 30 MAI 2018 - 09H50

Nossa Senhora, uma líder leiga


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Maio é o mês dedicado especialmente a Maria, e, em muitos lugares, continua sendo um tempo de piedade popular extremamente colorido. O povo se reúne nas capelas, entoa o Rosário, canta a Ladainha de Nossa Senhora, manifesta suas intenções e preces, e tudo isso liderado quase sempre por Leigos ou Leigas.

Estamos no Ano do Laicato, que se iniciou na festa de Cristo Rei em 2017 e se encerrará no dia 25 de novembro de 2018. Nossos bispos decidiram dedicar um ano todo a celebrar a presença dos Leigos e das Leigas na história e na vida de nossa Igreja, para aprofundar sua identidade de sujeitos eclesiais e para que continuem testemunhando Jesus e seu Reino dentro da sociedade atual.

Leia MaisEditora Santuário lança livro sobre história da devoção a Nossa Senhora Aparecida Entenda a origem dos diversos títulos de Nossa SenhoraQual o terceiro segredo de Nossa Senhora de Fátima?Qual o sentido da Consagração que se faz a Nossa Senhora ao final das missas em Aparecida?Quando falamos em Leigos, estamos longe daquela acepção popular: desconhecimento ou ignorância de alguma matéria. Na Igreja de Jesus, Leigo indica o cidadão cristão, uma cidadania, que lhe foi conferida no dia do batizado. É uma designação que tem sua origem na palavra grega “laós”, que significa povo cidadão. Dela se origina a palavra liturgia, ou seja, aquela celebração que é ação do povo reunido. Portanto, somos batizados, somos cidadãos da Igreja.

Em geral, quando ouvimos falar em Igreja, pensamos apenas em Papa, bispos, padres, diáconos e freiras. Muitos não têm consciência de que a Igreja, cuja finalidade essencial é viver em união de graça com a Trindade santa e em união fraterna entre nós é, primeiramente, o Povo de Deus. Todo o resto, como os ministérios ordenados e não ordenados, existe para ajudar a atingir essa meta.

É bom recordar que a Igreja cristã não nasceu no templo de Jerusalém nem nas sinagogas judaicas, mas na casa de Nazaré, onde viviam três Leigos piedosos: José, Maria e Jesus. Nenhum deles era membro da hierarquia, nem exercia qualquer ministério religioso. Maria era uma mulher leiga, dona de casa. Jesus era simplesmente um leigo, conhecido como o filho do carpinteiro. E José era um trabalhador leigo, simples e dedicado a sua família. Foi assim, no espaço simples de uma casa de família, que veio habitar a plenitude da divindade, o Verbo eterno.

Pela nossa origem, cremos que, em nossa Igreja, não pode haver disputas de poder, clericalismo, em que os ministros ordenados decidem e fazem tudo sozinhos, e paroquialismo autoreferencial, em que tudo acontece dentro da igreja e de suas dependências. Ela é missionária, principalmente pela presença dos Leigos nas famílias e em todos os espaços da vida e das atividades da sociedade.

Nossa Senhora é o exemplo da Leiga perfeita, que cumpriu e continua cumprindo sua missão até hoje. Ela ajudou a educar seu Filho e esteve a seu lado nos momentos em que se fazia necessária; principalmente aos pés da cruz. Nunca exigiu privilégios pelo fato de ser a mãe de Jesus, mas ficou ao lado dos discípulos, no Cenáculo, quando eles estavam desorientados, porque Jesus já havia voltado para o Pai. Foi ela que os animou e preparou para que recebessem o Espírito Santo e se transformassem em Missionários evangelizadores.

Por isso, a condição de Leigo e Leiga confere uma dignidade e uma missão, que brota do próprio fato de ser batizado. Somos discípulos-missionários, somos Leigos evangelizados e evangelizadores. Nossa participação ativa e nosso mandato missionário não deveriam jamais depender de outros títulos ou delegações. Afinal, como Jesus, Maria e José, somos sujeitos eclesiais e não objetos nem plateia.


Escrito por
Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R. (Aquivo redentorista)
Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R.

Missionário Redentorista

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