Por Pe. Armando Cardoso, SJ Em Artigos

O Beato José de Anchieta e a Ave Maria

apostolo

A Academia Marial de Aparecida  tem como patrono o Beato Pe. José de Anchieta (1534-1597), missionário jesuíta considerado o apóstolo do Brasil. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, quando de sua visita ao Brasil em 1980. Os associados da  Academia Marial receberam com grande alegria, como toda a Igreja do Brasil, a notícia de sua canonização pelo Papa Francisco que ocorrerá no próximo mês de abril. De amor ardoroso à Maria Santíssima, autor do famoso Poema à Virgem escrito quando era refém dos índios em Iperoig (Ubatuba), Anchieta é considerado nosso primeiro mariólogo. O texto abaixo, do +Pe. Armando Cardoso-SJ, guardado nos arquivos da Academia é aqui adaptado em homenagem ao seu aniversário, dia 19 de março.

Pe. José de Anchieta foi superior provincial dos jesuítas no Brasil-Colônia. Grande humanista foi sempre um homem original. Epistológrafo, historiador, poeta em latim, português e tupi; músico, mestre em letras, compositor, cantador, coreógrafo, teatrólogo; e outras qualidades mais humildes como: estradeiro, alpargateiro, conhecedor e amante de toda a natureza brasileira (minerais, animais, etc.) Diríamos hoje: era um gênio! E ao mesmo tempo grande e santo missionário, um homem de profunda tradição espiritual cristã. Amava a oração. Não só meditar. Pronunciava com afeto orações como Shalóm, Mariám!  (Ave Maria!).

Que sentido teria para ele esta pequenina oração de louvor e petição, tão evangélica? Por ser isso mesmo: uma oração tirada do Evangelho (Lc 1,28). Ele bem sabia que em aramaico, a língua que Jesus falava, o anjo teria dito a Maria: “Shalóm!”, uma saudação: “Paz!” ou “Salve!”, Anchieta estudara línguas em Portugal, no Colégio das Artes. O aramaico  Shalóm é no grego o vocativo: “Kekharitoméne!”. Traduzido em latim: “gratia plena”, e em português: “muito agraciada!” ou “cheia de graça!” Já por si bonita, a saudação indica que Maria a Virgem de Nazaré foi a escolhida por Deus para ser a Mãe de Jesus o Salvador. Notemos que, valorizando o vocativo sem o nome de Maria, deixado pelo anjo para a outra frase, a tradução melhor seria a seguinte: “Alegra-te, ó muito agraciada (cheia de graça)!” Porque o adjetivo tem aqui o valor de um substantivo ou nome. Vejamos se a tradução de Anchieta em tupi é ou não tão bela como em português no tempo em que no Brasil se falavam as duas línguas. Em tupi é assim: “Ave, Maria, graça resétynysémbae!”: ao pé da letra: “Ave, Maria, de graça cheia!”.   A preposição no tupi é posposição e esta saudação inclui palavras portuguesas que não tinham na língua indígena correspondentes exatos. “Tynysémbae” é um adjetivo substantivado, bonito e bem soante que significa no vocativo não acompanhado de nome: “ó, cheia, repleta, abundante!”. Portanto o tupi não fica atrás em beleza comparado com as línguas das quais é tradução literal. O restante da Ave Maria continua a ser evangélico na saudação de Isabel. E a conclusão é da Igreja recomendando-a  aos verdadeiramente cristãos.

 

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