Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H35

O pão nosso de cada dia nos dai hoje! (Série Pai Nosso)

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Os discípulos um dia pediram a jesus: ensina-me a rezar! Pedido estranho, pois eles ignoravam os Salmos e louvores da Bíblia. Certamente não pediram fórmulas. Tinham ficado impressionados com a intimidade orante do Mestre, tocados pelo modo familiar e carinhoso como Jesus falava com Deus tratando-o: Abbá (paizinho querido). Esse modo de Jesus falar com Deus já induzia à oração. Vimos que no Pai Nosso após a invocação a Deus ‘que está no céu’ os três primeiros pedidos se referem diretamente a Ele e só dele dependem, mas solicitam nossa colaboração. Na segunda parte rezamos para sermos responsáveis uns com os outros na busca de um mundo justo e fraterno. Assim, os quatro pedidos finais se resumem em quatro palavras simbólicas: o pão, o perdão, a tentação, o mal.

Quando os discípulos noutro dia insistiam para que o Mestre se alimentasse, Ele lhes falou de uma comida por excelência: “Eu tenho para comer um alimento que não conheceis: é fazer a vontade daquele que me enviou e completar a sua obra”  (João 4,32s). Fazer a vontade de Deus inclui manter a vida pela alimentação, mas o pão de cada dia significa também sustentar-se com a Palavra (não só de pão vive o homem!) e com o pão da Eucaristia que garante a vida eterna. Enfim, pedir ‘dai-nos hoje‘ não se limita ao tempo de cada dia, mas abrange a vida inteira. Queremos alimentar já agora o nosso “hoje diário” com o pão do Reino, o ‘pão do amanhã’. (“Feliz quem comer o pão no Reino de Deus” – Lc 14,15). Por isso, cremos e nos alimentamos da Eucaristia, comida supersubstancial que sacia nossa fome de Deus.

 

A fome é uma das maiores no mundo.

Trata-se ainda do “pão nosso“, porque a oração nos une num só corpo em Cristo. Ele nos convida e reúne para realizar o projeto de Deus no mundo: santificar o Nome; desejar o Reino; fazer sua Vontade. Somos peregrinos a caminho do banquete do céu, e portanto comensais irmanados na mesa comum que restaura nossas forças terrenas. O pão nosso simboliza a partilha fraterna de todos os bens da terra. Do contrário, eles seriam o “pão da discórdia”: provocando lutas de vida ou morte como instrumento de exploração e divisão. De fato, sem nossa união contra todo o tipo de mal, injustiça e pecado, nunca haverá progresso humano real: na ONU, nos programas de qualquer governo, no dia a dia. Não haverá “Brasil sem miséria”. Por isso, rezando ao Pai comum em nome de Jesus, nós nos sentimos responsáveis pelas angústias dos outros. A fome é uma das maiores no mundo.

pescadores

O Papa Francisco vindo ao Brasil recordou-nos que: “No início do evento de Aparecida, está a busca dos pescadores pobres. Muita fome e poucos recursos. As pessoas sempre precisam de pão. Os homens partem sempre de suas carências, mesmo hoje” (Papa Francisco,JMJ, 27/-7/2013).

 

 

 

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