Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H37

Pai nosso’ – O Deus de Jesus Cristo! (Série Pai Nosso)

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Em todos os tempos o coração humano quis e continua querendo saber quem é Deus? Com que nome defini-lo?

Porém, só Deus se define a si mesmo. Moisés pastoreava o rebanho na solidão do Horeb ou Sinai (montanha de Deus). Fugira da ira do Faraó. Atento a tudo o que ocorria a seu redor admirou-se ao ver um espinheiro seco ardendo em chamas sem fim. Na solidão das alturas aquilo marcou para ele a experiência do encontro com um Deus libertador que “descia do céu” (Êxodo, 3, 8) sem ser visível e o enviava como seu mensageiro e agente da libertação do povo oprimido no Egito. Mas, se era perigoso a um fugitivo retornar aos egípcios, perigo maior passaria face ao descrédito dos hebreus ao que ele diria sobre Deus. Eles lhe perguntariam o nome (a definição) dele! O que dizer? Foi instruído a responder: O Eu sou, mandou-me a vocês! (Êxodo, 3,14). O “Eu sou”, é! Nenhuma ciência o define, pois sendo objeto de perguntas para todas, a todas transcende em seu mistério. A cultura patriarcal bíblica mostrava-se reticente até em pronunciar a palavra “Deus” (Javé). Preferia dizer: Adonai (meu Senhor). Nos episódios da Aliança, Deus se manifesta como aliado poderoso, protetor e parceiro fiel do seu povo. O Antigo Testamento raramente invoca-o como Pai!

Ora, no ‘Pai Nosso’ está a síntese do pensamento de Jesus sobre Deus. Ele é o Pai sim, que só o Filho revela: “Eu e o Pai somos um!” (João, 10,30).  Para entendermos o invocativo ‘Pai nosso’ na oração ensinada por Jesus, precisamos ultrapassar o simbolismo dessa palavra nas religiões. No contexto bíblico esta oração expressa o núcleo da pregação de Jesus sobre o Reino de Deus. Na catequese cristã Moisés, mediador da Primeira Aliança de Deus com o povo da Bíblia, prefigurava Jesus, que viria estabelecer uma Nova Aliança com seu sangue derramado na cruz. No Calvário realizou-se a verdadeira libertação já prefigurada na missão de Moisés. Jesus mesmo explicou a Nicodemos: “Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, afim de que todo aquele que crê tenha por meio dele a vida eterna.” (João, 3,14). Por isso, na montanha do Tabor Jesus se transfigurou ladeado pelos representantes da Lei e dos Profetas: Moisés e Elias. Eles testemunham sua condição divina. No Sermão da montanha (que evoca o Sinai) Jesus promulga a nova lei: as bem-aventuranças. Anúncio maior da Boa Nova elas têm seu resumo no Pai Nosso. Nas bem-aventuranças e nos pedidos do Pai Nosso podemos todos nos aproximar de Deus sem temor, ao contrário do modo como os pagãos rezavam. Só a partir da relação pessoal de Jesus – rosto humano do divino e rosto divino do humano- Deus nos é revelado como o Pai Nosso.

 

 

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