Por Leonardo Caetano de Almeida Em Artigos

Salve, Rainha, Mãe de Misericórdia!

“...esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei...”

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De nossos lábios, advindas do coração, brotam as palavras da prece que recitamos desde a infância para saudar Nossa Senhora: “Salve, Rainha, Mãe de Misericórdia...”. Torna-se ainda mais oportuna a invocação de Maria como a Mãe Misericordiosa neste mês mariano do Ano Santo da Misericórdia.

Antes e mais importante que ser Rainha, como A invocamos na referida oração, Maria é Mãe. De Jesus e nossa! Aos pés da cruz, a Virgem Santíssima assume a missão de Mãe universal da humanidade e, fiel e coerente com os planos de seu Filho morto e ressuscitado, dá continuidade às suas ações misericordiosas. Assunta aos céus, Nossa Senhora é glorificada pela Trindade e coroada, mas não abre mão da sua maternidade em relação a todos os povos, sobre os quais volve seus “olhos misericordiosos”, como suplicamos na “Salve-Rainha”.

 

Ela, então, aponta-nos Jesus, cuja promessa suscita alento e ânimo nos cristãos e pessoas de boa vontade: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”

Em sua existência nesta terra, Maria encarnou a misericórdia em seus gestos solidários e solícitos aos aflitos e necessitados. Haja vista os episódios da visitação à sua prima Isabel, velha e grávida (cf. Lc 1,39-45), e das Bodas de Caná (cf. Jo 2,1-12), quando ela intercede em favor dos noivos que não tinham mais vinho. No Magnificat (cf. Lc 1,46-55), Maria canta e exalta a grandeza da misericórdia divina em favor da libertação dos oprimidos, revelando a predileção do Senhor pelos menores de seu Reino, os quais são elevados e resgatados, em oposição a qualquer esquema de injustiça, opressão ou corrupção. “Sejam misericordiosos, como vosso Pai celeste é misericordioso” (Lc 6,36) – é a proposta de Jesus aos seus discípulos e que é estendida a todos nós pelo Papa Francisco que a torna o grande lema deste Jubileu extraordinário. Assim, Maria, Mãe e Mestra, educa-nos com seu exemplo e repete tal apelo de seu Filho a todos nós, seus devotos, convocando-nos para uma transformação pessoal, eclesial, comunitária e social, que esteja embasada na misericórdia divina experimentada, testemunhada e transmitida. Ela, então, aponta-nos Jesus, cuja promessa suscita alento e ânimo nos cristãos e pessoas de boa vontade: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7).

O olhar misericordioso dAquela a quem nos referimos como Mãe de Misericórdia e Rainha dos céus e da terra se estende a todos os povos que A invocam com clamor filial. A presença de Maria, sempre atenta às necessidades e misérias de seus filhos espalhados pelo mundo, revela, com docilidade, a misericórdia do Pai que não se esquece de nós, seus discípulos, apesar de nossas imperfeições e infidelidades. Acerca disso, recorda-nos Nossa Senhora: “Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que temem” (Lc 1, 50). Com efeito, Maria é Mãe de Misericórdia à medida em que manifesta sua mediação junto ao seu Jesus através de sinais, aparições e imagens sacras por todas as nações.

Atesta o que expusemos, uma série de episódios que fazem parte de nosso repertório devocional mariano, dentre os quais destacamos: em 1531, na época da feroz colonização do México, que atacou diversos povos nativos, a Mãe de Deus, chamada mais tarde Madrecita de Guadalupe, quis se manifestar a um índio simples, Juan Diego, o qual se tornara depositário da mensagem de amor expressa na tilma em que fica milagrosamente estampada a sua imagem. Anos depois, a Senhora dignou-se manifestar em sua imagem prodigiosa da Penha, de cujo Santuário vela, desde 1667, por toda a cidade de São Paulo, da qual é Padroeira. A nação brasileira, na verdade, está sob o amparo da Virgem de negra cor, cuja imagem milagrosa denominamos Aparecida das águas, nas redes de três benditos pescadores, em 1717, quando a política e a escravidão impiedosas do Brasil colonial condenavam e oprimiam seus filhos mais humildes. Já no ano de 1830, a Imaculada aparece a uma modesta religiosa, Catarina Labouré, e faz revelações sobre acontecimentos terríveis que acometeriam a França e o mundo. À jovem Irmã, Nossa Senhora confia a difusão da medalha milagrosa, por meio da qual concederia graças abundantes aos que dela fizessem uso. A bucólica Fátima (Portugal), em 1917, num período em que o mundo estava envolto em ódio e luta por poder durante a Primeira Grande Guerra, é o lugar onde Maria aparece a três pobres e santos pastorzinhos, aos quais pede que o mundo reze e se converta.Maria varios nomes.jpg

Existem outros infindos títulos e invocações que fazem referência a lugares, milagres, dogmas, atributos e momentos da vida de Maria ou necessidades do povo de Deus e da Igreja: de Lourdes; do Pantanal; da China; do Líbano; de Caacupé; de Nazaré; do Monte Virgem; do Monte Serrat; da Salete; do Carmo; do Lago; Achiropita; da Rosa Mística; do Encanto Eterno; Medianeira de Todas as Graças; do Bom Conselho; do Rosário; da Estrela; da Cabeça; da Escada; da Lapa; da Luz, das Candeias ou da Candelária; Auxiliadora; da Caridade; Menina; das Dores; dos Anjos; Rainha dos Apóstolos; do Desterro; do Patrocínio; da Defesa; da Guia; do Trabalho; do Amparo; da Boa Morte; do Perpétuo Socorro; do Caminho; da Estrada; da Saúde; dos Remédios; Desatadora dos Nós; dos Pobres; dos Navegantes; dos Aflitos; da Esperança; da Paz; da Boa Viagem; do Clero; das Mercês; do Bom Parto; do Bom Sucesso; da Assunção... enfim, uma lista interminável! É sempre Maria que se nos revela Mãe atenta e misericordiosa, fazendo-se solidária a seus filhos em épocas críticas da História. E os destinatários de sua mensagem libertadora são sempre os pequeninos, a quem Deus ama e deseja a dignidade plena: índios, pescadores, crianças, camponeses, pessoas discretas, tementes e simples, tal como Maria de Nazaré.


 

Celebrada na Liturgia e na piedade popular e figura de grande importância na Teologia, a pessoa de Maria alimenta, sustenta e fortifica a fé e as ações pastorais das comunidades cristãs espalhadas por todo o planeta, cumprindo-se aquilo que Ela profetizou: “...todas as gerações me proclamarão bem-aventurada...” (Lc 1,48). Ora, quantos não são os logradouros, vilas, bairros, cidades e nações que se originaram em torno de uma gruta, oratório, capela, igreja ou santuário dedicados à Mãe de Deus? Quiçá tais povos nascidos sob a proteção do olhar misericordioso de Nossa Senhora cultivem entre si a mesma misericórdia divina revelada por Ela...

Ser misericordioso não é agir de forma ingênua e conivente em relação aos erros e às injustiças, mas fazer-se caminheiro pelas estradas dos sofrimentos humanos, solidários e com coração e pensamento semelhantes ao de Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia, que, através do Papa Francisco, assim nos inspira: “Ninguém pode ser excluído da Misericórdia de Deus. A Igreja é a casa que acolhe e não rejeita ninguém”. E quando nos sentirmos desanimados ou perdidos num “vale de lágrimas”, que jamais titubeemos em correr, como crianças que buscam amparo, para os braços carinhosos de nossa Mãezinha, que nos aguarda, em seu colo aconchegante, junto com seu Menino, nosso Irmão, que é a própria Misericórdia do Pai.

 

Leonardo Caetano de Almeida

Associado da Academia Marial de Aparecida  

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Nossa Senhora da Misericórdia

(uma das representações iconográficas referentes a essa invocação que tem tantas variantes)

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