Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 30 SET 2019 - 11H16

São Jerônimo

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No último dia de setembro, o calendário cristão recorda-se de São Jerônimo. Ele dedicou a vida inteira, todas as suas pesquisas e sua brilhante inteligência ao estudo da Sagrada Escritura, da qual fez a tradução para o latim popular, tradução conhecida nos meios teológicos como Vulgata.

As palavras, os gestos, os livros, a imagem: toda e qualquer forma de comunicação humana, uma vez realizada torna-se passado. Cede vez e lugar a outra comunicação qualquer. E mesmo se repetimos o conteúdo já transmitido, precisamos atualizá-lo com nossas palavras.

Com a Palavra de Deus é diferente, pois a Sua “fala” é sempre viva e atual. Ele está falando hoje aquilo que sua Palavra, escrita por sua inspiração nos livros sagrados da Bíblia, disse no contexto de um povo, uma cultura ou compondo fatos históricos. Deus é imutável, pois é perfeição infinita, também na sua Palavra.

Ele falou para sempre: o passado, o presente e o futuro. Não precisamos alterar sua fala. Nós é que talvez não saibamos ouvi-lo aqui e agora. Por isso, ler, estudar, interpretar e rezar a Bíblia, é deixar-se envolver cada vez mais pelo mistério de Deus. Revelado por Jesus, o mistério de Deus se faz em sua pessoa o supremo gesto salvífico ou libertador para toda a humanidade.

Um dos grandes estudiosos desse mistério que é a atualidade da Palavra de Deus em todos os tempos foi São Jerônimo. Ele viveu no 5º século DC. Nascido em família nobre e rica, seguiu a vocação monástica e nela agigantou-se na espiritualidade graças à sua impressionante cultura bíblica. Homem de grande inteligência e vasta sabedoria, amou profundamente a Bíblia Sagrada, a Igreja e, sobretudo, a Jesus Cristo.

E para melhor assimilar o mistério da Palavra de Deus, Jerônimo viveu e trabalhou grande parte de sua vida em Belém, aí morrendo em 420 DC. Aí, junto ao local onde a tradição cristã associa ao nascimento de Cristo, o santo dedicou-se à oração e à penitência. Em Belém, onde nasceu na carne a Palavra viva de Deus, nasceu também o amor e o estudo que fizeram de Jerônimo um dos maiores intérpretes da Bíblia até hoje. Com razão, ele podia exclamar: "Ignorar a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo!"

Todo grupo de oração, todo movimento de igreja, toda atividade pastoral de qualquer comunidade cristã, tem que se plantar e brotar nessa terra boa e fecunda: a Palavra do Senhor. Palavra que é semente do reinado de Deus em nosso coração e na sociedade. A Bíblia e, principalmente, o Novo Testamento, são o “poço de água viva” onde nos encontramos com o mistério de Deus em Cristo. Ele é a água que jorra para a vida eterna. “Aquele que beber da água que eu vou dar esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe darei, vai se tornar dentro dele uma fonte de água que jorra para a vida eterna” (João, 4,14). Palavras de Jesus no diálogo com a samaritana.

Maria, a virgem da escuta, a serva fiel e obediente da Palavra, a mãe do Verbo, a primeira discípula da Igreja, foi mulher bendita e privilegiada, partilhando ao vivo da presença de Jesus na Terra. O que se passava no íntimo de Maria nesse contato diuturno e constante com Ele? Quem pode saber?

Ela, que “conservava todas as recordações e as meditava em seu coração” (Lucas, 1,19), ensina-nos o primado da escuta da Palavra em nossa vida de discípulos e missionários. (Documento de Aparecida, nº271).

 

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