Maria foi assunta ao céu. Está na glória de Deus, junto da Santíssima Trindade, e, na comunhão dos santos, Nossa Senhora intercede por nós, seus filhos. Depois de viver com disponibilidade e perseverança o projeto de Deus, ela foi glorificada em corpo e alma. A Mãe de Jesus já participa da glória que os fiéis esperam alcançar após a ressurreição dos mortos.
A Assunção de Nossa Senhora constitui uma verdade de fé que faz parte da doutrina da Igreja. Proclamado em meados do século XX, esse foi o último dogma mariano definido pela Igreja Católica.
A fé na Assunção de Nossa Senhora tem raízes antigas na tradição cristã. Desde os primeiros séculos, escritores cristãos fizeram referências ao destino final de Maria, embora os testemunhos mais antigos nem sempre apresentem uma formulação uniforme sobre o modo como ocorreu o fim de sua vida terrena.
São Efrém, que morreu em 373, e Santo Epifânio, que morreu em 403, estão entre os autores antigos associados às reflexões sobre o destino final de Maria. Santo Epifânio, por exemplo, reconhecia que havia diferentes posições sobre o assunto, sem apresentar como certeza uma definição sobre o destino de seu corpo.
No século VI, já era celebrada em Jerusalém a festa da Dormição de Nossa Senhora, relacionada à passagem de Maria desta vida para a glória. A celebração foi posteriormente difundida em outras regiões do Oriente. No Ocidente, a festa passou a ser celebrada em Roma a partir do século VII, durante o pontificado do Papa São Sérgio I (687-701), e posteriormente se difundiu por outras regiões da Europa, recebendo o título de Assunção de Santa Maria.
A partir dos séculos seguintes, numerosos escritores e teólogos do Oriente e do Ocidente passaram a testemunhar a fé na glorificação de Maria em corpo e alma. Ao longo dos séculos, essa crença foi se consolidando na tradição da Igreja, até chegar à definição dogmática de 1950.
No Ocidente, a partir do século XV, a fé na Assunção de Nossa Senhora continuava amplamente difundida entre o povo católico e contava com o apoio de muitos teólogos. Nos séculos XVIII e XIX, foram apresentadas à Santa Sé diversas petições em favor da definição do dogma da Assunção de Maria.
Entre essas manifestações, destacaram-se pedidos feitos por teólogos e autoridades eclesiásticas, além de uma petição apresentada pela rainha Isabel II da Espanha, em 1863, ao Papa Pio IX.
Por ocasião do Concílio Vaticano I, em 1870, cerca de 200 bispos pediram ao Papa Pio IX a definição dogmática da Assunção de Maria. O assunto, porém, não chegou a ser aprofundado, pois o Concílio foi interrompido antes que a questão pudesse avançar.
No século XX, centenas de petições em favor da definição da Assunção de Maria chegaram à Santa Sé. Em 1946, o Papa Pio XII consultou os bispos do mundo inteiro sobre a possibilidade e a conveniência de proclamar esse dogma mariano. A resposta foi amplamente favorável: entre 1.181 respostas recebidas, apenas seis apresentaram reservas quanto ao caráter revelado dessa verdade de fé.
No dia 1º de novembro de 1950, por meio da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, o Papa Pio XII proclamou solenemente o dogma da Assunção de Nossa Senhora. Assim se expressou o Pontífice: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste”.
Com essa definição, a Igreja ensina que Maria foi elevada ao céu em corpo e alma. O dogma não define como verdade de fé se Maria passou ou não pela morte; o que afirma é sua glorificação em corpo e alma. Assim, ela antecipa, de modo singular, a participação plena na glória da ressurreição que Deus promete aos fiéis.
A Assunção de Nossa Senhora está profundamente ligada à Sagrada Escritura, à Tradição e à reflexão dos Padres da Igreja e dos teólogos. Ao longo da história, diversos textos bíblicos foram relacionados a esse mistério mariano, entre eles Gn 3,15; Ex 20,12; Is 60,3; Sl 132,8; Ct 3,6; Lc 1,28 e Ap 12. A Igreja contempla, assim, a participação singular de Maria na glória de Jesus Cristo, depois de ter participado de sua vida e de sua missão.
A Solenidade da Assunção de Nossa Senhora é celebrada em 15 de agosto e está entre as principais celebrações marianas da Igreja. No Brasil, conforme as disposições litúrgicas, em muitos lugares a solenidade é celebrada no domingo mais próximo, especialmente quando o dia 15 de agosto não cai em domingo. A data e a forma de celebração podem variar conforme as determinações do calendário litúrgico local.
O prefácio próprio da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, presente no Missal Romano, proclama o mistério celebrado: “Hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho, pois preservastes da corrupção da morte aquela que gerou, de modo inefável, vosso próprio Filho feito homem, autor de toda a vida”.
A Assunção de Nossa Senhora recorda o destino da existência humana. A fé cristã proclama que, após a morte, os que permanecem unidos a Cristo participarão da ressurreição. Maria já participa, de maneira antecipada e singular, dessa glória. Por isso, ela é apresentada pela Igreja como imagem e início daquilo que a própria Igreja espera ser.
A Constituição Dogmática Lumen gentium, do Concílio Vaticano II, afirma que a Mãe de Jesus, glorificada em corpo e alma no céu, é “a imagem e o começo da Igreja como deverá ser consumada no tempo futuro” e sinal de esperança para o povo de Deus que ainda peregrina neste mundo.
A Assunção de Maria também aponta para a dignidade do corpo humano e para a esperança cristã na ressurreição. O Catecismo da Igreja Católica ensina que Maria, ao ser elevada em corpo e alma à glória do céu, antecipa a ressurreição dos membros do Corpo de Cristo.
A Assunção também ilumina a dignidade da mulher. Em Maria, a Igreja contempla uma mulher que participa da glória de Deus e que continua sendo apresentada como modelo de fé, esperança e fidelidade. Esse mistério recorda, assim, a dignidade de toda pessoa humana e a vocação de cada homem e mulher à vida plena em Deus.
Já glorificada, Maria é Mãe da Igreja e continua a exercer sua missão materna em favor dos discípulos de Cristo. O Concílio Vaticano II ensina que, elevada ao céu, ela não abandona sua missão, mas intercede pelos fiéis e permanece como sinal de esperança e conforto para o povo de Deus que peregrina na história.
Celebrar a Assunção de Nossa Senhora, portanto, é contemplar em Maria a realização da promessa de Deus e renovar a esperança na vida eterna. Elevada ao céu em corpo e alma, ela aponta para Cristo e nos recorda que a vida humana encontra sua plenitude na comunhão com Deus.
Boleto
Carregando ...
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:
Carregando ...
Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.