Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Catequese Atualizada em 26 MAR 2019 - 12H52

Bendita sejais, Senhora das dores!

Bendita sejais, Senhora das dores!Os evangelhos narram sobriamente a paixão e morte de Jesus. Os autores sagrados parecem constranger-se diante da cultura romana, pregando um crucificado judeu como Filho de Deus. Embora mínimas as referências, cada gesto ou palavra do crucificado supõe sua presença de mãe dolorosa. Em pé junto à cruz ela sentiu-se pregada com o Filho. A vítima era Ele. Contudo, nenhum gemido de dor, nenhum suspiro, nada do que Jesus sofria deixou de repercutir nas fibras mais íntimas do coração materno da Senhora das dores. Somente ela pôde avaliar a amplidão angustiante de Cristo lamentando com voz forte: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Aceitar que o amor de Deus estava naquele abismo máximo de sofrimento foi para ela a prova maior da fé. Se pudesse faria tudo para consolar seu Jesus! Se os chefes, os sumos sacerdotes, os adversários, os soldados ao menos não proferissem zombarias, insultos e provocações blasfemas tripudiando cruelmente sobre o agonizante: “Salvou os outros, salve-se agora a si mesmo, se é o Cristo, o eleito de Deus” (Lc. 23,35). “Confiou em Deus! Ele que o livre agora, se é que se interessa por ele, pois disse: Eu sou o Filho de Deus” (Mt.27,43). “Desça agora da cruz, rei de Israel, para nós vermos e acreditarmos” (Mc.15,32).

 As expressões de culto venerando as dores de Maria são antiquíssimas na piedade popular: a celebração das sete dores; o cântico Bendita sejais; a imagem da Pietá; títulos como Virgem das Dores, Rainha dos mártires e tantos outros. A tocante procissão do enterro com o sermão da soledade na sexta-feira santa, etc. não surgiram de exageros meditativos ou mero sentimentalismo. Possíveis excessos devocionais nas formas do culto mariano não obscurecem o conteúdo e o sentido da invocação a Nossa Senhora das Dores. Duas passagens bíblicas lhe dão fundamento explícito. A primeira é a profecia de Simeão, servidor antigo do Templo ao acolher dos braços de Maria o recém-nascido Jesus apresentado ao Senhor pelos pais que cumpriam a Lei da Primogenitura e a purificação da parturiente. (Lucas, 2,22-35). Simeão profetiza que a criança será: salvação para uns, desgraça para outros. E a mãe participará de tudo: “a ti própria uma espada te traspassará a alma”. A segunda passagem ainda mais abrangente é do Evangelho de São João. No Calvário, hora suprema de Jesus, Maria está de pé junto à cruz. (João, 19,25). Em total compaixão: a paixão de Jesus é sua também. Ela sofreu-com: mergulhada no sofrimento dele pela nossa salvação. Solidária com Ele desde a encarnação é serva cooperadora na sua maternidade a serviço da redenção numa mediação antropológica e eclesial. A Igreja peregrinante precisa dela: Mãe, eis aí teu filho! E cabe ao filho estar com a mãe: eis aí tua mãe! As dores de Maria geram os seguidores de Jesus na Igreja da qual ela é primeira discípula e mãe. (João, 19,26-27). “Ó vós todos que passais pelo caminho: olhai e vede se há dor igual à minha dor!”

Pe. Antonio Clayton Sant’Anna – CSsR

Diretor da Academia Marial

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