Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Catequese Atualizada em 26 MAR 2019 - 12H49

Perpétuo Socorro: o ícone mais universal de Maria

Nas comemorações próprias dos missionários redentoristas celebra-se hoje um dos títulos mais sugestivos e usados de Nossa Senhora: o título que a venera como Mãe do Perpétuo Socorro. Trata-se mesmo do ícone mais universal de Maria. Em 1866 o Papa Pio IX entregou este famoso ícone da Mãe do Perpétuo Socorro aos cuidados dos Missionários Redentoristas. Portanto nesse ano estamos em pleno jubileu de 150 anos dessa entrega. Já no ano passado, 2015, iniciou-se a realização do jubileu sesquicentenário. O projeto era abranger todas as unidades da Congregação do Santíssimo Redentor nas igrejas paroquiais e capelas onde trabalham os redentoristas no mundo inteiro. Em maio passado o Papa Francisco abençoou doze ícones da Mãe do Perpétuo Socorro os quais vão peregrinar também pelo muno a partir de hoje. Desse modo encerra-se o ano jubilar. “De acordo com padre Juventius Andrade, da Comissão do Jubileu, esta peregrinação tem como missão renovar o mandato do Papa Pio IX aos redentoristas” e o compromisso original para difundir mais ainda a esta invocação mariana."[1].

Traduzida do grego a palavra ícone significa: imagem exposta à veneração contemplativa. Muito usados na liturgia bizantina, os ícones são catequeses em pinturas. Pretendem tornar presente aquilo que representam na linguagem artística própria dessa técnica e estilo chamado: iconografia. São venerados pelo olhar (contemplativo) dos fiéis, à semelhança do ouvido que se dispõe a ouvir a Palavra de Deus proclamada. A Igreja cristã oriental desenvolveu toda uma teologia do ícone. A imagem está como que à espera da contemplação do fiel para elevá-lo à realidade espiritual das pessoas glorificadas em Deus.

Entre as famosas representações iconográficas de Maria temos então o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Não é o ícone mais famoso e nem o mais antigo, mas é considerado um dos mais populares na devoção mariana, tanto no Oriente quanto no Ocidente cristão. E ao que consta é o mais universalizado. Pesquisadores levantaram a sua origem hipotética a partir da ilha de Creta, provavelmente por volta do século XIII a XIV (900 D.C.). A sua veneração teria chegado ao século XV. O artista que o idealizou procurou reproduzir através dele o tema: Virgem da Paixão. Na verdade, o quadro é um verdadeiro anúncio visual do mistério da cruz ou da redenção de Jesus. E não demorou muito a piedade popular deu-lhe o título sugestivo pelo qual é conhecido no mundo: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Os diversos aspectos simbólicos da paixão sugeridos na pintura do quadro impressionam o devoto que o contempla em oração. A diversidade das cores não é casual ou ao gosto do pintor. O fundo dourado lembra a ressurreição, a eternidade, a vida na Cidade Santa, a Jerusalém do céu, morada de Deus, segundo o livro do Apocalipse 21,15-21. O manto azul da Virgem é a cor do céu lembrando o mistério divino na anunciação da maternidade  (Lc 1,35). A túnica vermelha de Maria é a cor do sofrimento e da virgindade e lembra-nos a dor interior dela, assim como anunciava Simeão em Lucas 2,35. O manto marrom que Jesus veste no quadro simboliza a vida humana terrestre que Deus assumiu. A túnica de Jesus é verde, pois Ele é a esperança da vida eterna. A sandália suspensa no pé do Menino Jesus pode fazer referência à Nova Aliança de Deus conosco no Filho. A faixa vermelha na cintura de Jesus Menino poderia simbolizar a sua realeza proclama no processo de sua condenação.

 

Há um diálogo de olhares entre a Virgem e o devoto.

Há um diálogo de olhares entre a Virgem e o devoto. Maria vê as nossas necessidades. “O ícone da Virgem da Paixão salienta a centralidade salvífica da paixão de Cristo e também a bondade da Mãe de Deus, sempre pronta a atender às necessidades daqueles que a veneram” [2]. O olhar da Virgem parece transmitir-nos um misto de ternura e tristeza, enquanto sua mão materna dá proteção às mãozinhas do filho que veio correndo lhe pedir socorro. Pois, de um lado e de outro o olhar do filho fica amedrontado com os instrumentos da paixão: a cruz, a lança, o hissopo com a esponja de vinagre, os cravos apresentados pelos anjos. Mas, em vez de voltar o semblante para acolher e tranquilizar o filho, como faria toda mãe num momento de perigo, a mãe do Perpétuo Socorro está olhando para quem a está contemplando. Seu olhar sereno mostra-nos a mulher forte da fé, presente na hora suprema de Jesus. Ele a deu como herança maior a seus seguidores: “Mulher eis aí teu filho!” (João 19, 26.). Na intenção catequética do pintor quem recorre a Maria espera ser socorrido por ela nas horas mais difíceis, pois a veem como a mãe que lhes foi dada: “eis aí tua mãe!” (Jo 19, 27).

A linguagem artística e a mensagem teológica do quadro centralizam-se mais em Jesus do que em Maria. Somente o Menino Jesus está retratado nele de corpo inteiro. Por sua vez, o título de “mãe de Deus” (Theotókos) é a inscrição dada à obra pintada.Por isso, o primeiro e maior sinal de socorro de Nossa Senhora no ícone é a sua mão direita, grande, aberta, com os alongados e finos dedos apontando para Jesus como a dizer que é Ele quem verdadeiramente nos salva. Ele é quem nos socorre. Ele é o caminho, a verdade e a vida!

[1] PORTAL A12. A missão dos 12 ícones da Mãe do Perpétuo Socorro abençoados pelo Papa. 30 de maio de 2016. Disponível em: https://www.a12.com/redentoristas/noticias/detalhes/a-missao-dos-12-icones-da-mae-do-perpetuo-socorro-abencoados-pelo-papa. Acesso em: 01/06/16.

[1] BISINOTO CSsR, Pe. Eugênio Antônio. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Revista Diálogo. n° 3, jan-jun/2015. p.32.

Há um diálogo de olhares entre a Virgem e o devoto.
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