Por Pe. Antonio Clayton Sant'Anna, CSsR Em Grão de Trigo Atualizada em 02 OUT 2017 - 12H21

A misericórdia de Deus eleva nossa pequena estatura

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Homilia 31º Domingo do Tempo Comum  |  Lc 19,1-10                              

Este é um encontro de fé à luz da Palavra de Deus. É Ele quem realmente nos acolhe. Cruzamos nossos passos nos caminhos da vida sob o seu olhar de Pai amoroso. Reflexo desse olhar foi o encontro de Jesus com Zaqueu. Sendo de pequena estatura e querendo apreciar mais de perto a Jesus que iria passar ali, Zaqueu subiu numa árvore para vê-lo. Realçar aqui a menção à “pequena estatura” poderia ser um sinal moral neste caso: crítica à ambição de Zaqueu por dinheiro explorando a cobrança de impostos. Tal comportamento de fato impedia ver (conhecer) e seguir Jesus.

A conversão de Zaqueu, o ambicioso e odiado cobrador de impostos, é um dos vários fatos no Evangelho de Lucas que ilustram a prática misericordiosa de Jesus revelando o agir de Deus. Às vezes basta um gesto qualquer de boa vontade expresso numa ação insignificante, como a curiosidade do pequeno e ousado Zaqueu, para nos levar ao encontro da fé. O ofício público de cobrar impostos estava terceirizado pela ocupação militar romana na Judéia. Zaqueu, pequeno na estatura e alto na ambição e na prepotência, simboliza aquio perfil enriquecido do chefe dos cobradores, figura do judeu mercenário e renegado, um colaboracionista a serviço ao invasor estrangeiro. Logo, tido como traidor da pátria. Ele polarizava em sua pessoa e função a rejeição da sociedade israelita, pois se enriquecera de modo abusivo extorquindo o povo subjugado. Portanto, não deixava de ser objeto do desprezo popular e do ódio da classe dirigente que o definia como: “pecador público”.

Todavia, ele procurava “ver Jesus”. Isso ia além da mera curiosidade e significa no Evangelho desejo de aproximação e encontro. Na cena o querer ver é início de boa vontade. No caso, esta foi criativa. Levou-o a romper caminho por entre a multidão, talvez até recebendo injúrias e gestos de raiva, e subir numa árvore em baixo da qual Jesus deveria passar. Foi quanto bastou para que a salvação de Deus mudasse coração e vida, e livrasse o coletor de sua escravidão ao dinheiro injusto. Ei-lo acolhendo Jesus em sua casa para uma refeição, atestando a conversão e seguimento. Leia: Lucas, 19, 1-10.

Seguir Jesus, essa é afinal a razão porque foram escritos os Evangelhos. Sim, antes vem a notícia, depois o 1º contato, o do encontro “face a face”. Pode ser casual ou propositado. O conhecimento inicial, a mera curiosidade, o ouvir falar, a simples informação, são degraus que vão formar um VER! Ou seja, a experiência da intimidade e amizade profunda, que nos leva realmente à adesão total, à decisão em aceitar Jesus e suas propostas, recebendo-o na “casa do coração” e seguindo-o na vida dia a dia. Lucas focaliza muito a misericórdia de Jesus em gestos e ensino. Ele imagina Jesus a caminho para Jerusalém seguido de seus discípulos. E nesse cenário acontecem encontros, convites e adesões ao discipulado. É o dinamismo do ministério messiânico. Em dado momento da viagem surge o personagem Zaqueu. O episódio da árvore e o da refeição na casa do pequeno fiscal de rendas torna marcante a sua conversão.

 

 O nome próprio ‘Zaqueu’, abreviatura de Zacarias, já tem o significado: Deus se recorda e compadece!

É fundamental na Bíblia o ensino segundo o qual religião é, em resumo, viver e anunciar aos outros a misericórdia de Deus. O nome próprio ‘Zaqueu’, abreviatura de Zacarias, já tem o significado: Deus se recorda e compadece! Ele oferece libertação e vida nova! O Evangelho abre as pistas do caminho libertador de Jesus. Cada texto, lido, meditado e rezado individualmente e nas comunidades pode produzir nos discípulos um novo encontro com o Mestre que é caminho, verdade e vida! Zaqueu foi libertado. Ele saiu do conceito oportunista, infiel à Aliança com Deus, “pecador público” ou excomungado, e passou à honra de ter o famoso profeta Jesus de Nazaré em sua mesa. Jesus curou no pequeno Zaqueu um coração apegado ao dinheiro. E ele cresceu interiormente assumindo a sua verdadeira estatura ao reconhecer os erros de sua vida e ao prometer ressarcir a todos que ele tinha lesado por ambição e ganância. Logo, tratar os outros como Deus nos trata, é esforço constante de conversão que produz cura e libertação em todos.

Os líderes religiosos, porém, em vez de se tocarem pela misericórdia, criticaram Jesus por entrar na casa de um “pecador público” e pior, fazer ali a refeição. Intolerantes, fecharam-se no conceito egoísta de si julgando-se os fiéis observantes da lei de Deus. Mas, Jesus que viera procurar e salvar o que estava perdido (v 10) atestou sua missão através da conversão de Zaqueu.

A árvore do encontro de Zaqueu com Jesus lembra-nos a árvore do bem e do mal no Paraíso. Seu fruto proibido arruinou na desobediência a felicidade do gênero humano (Adão e Eva). Maria, a nova Eva que gerou o novo Adão, dizendo: “faça-se em mim a tua palavra”, confirmou sua adesão ao Filho na hora da extrema obediência, quando com seu sangue Ele restaurava a árvore da vida pela “árvore da cruz” no Calvário. Sob sua proteção torne-se ativa a nossa fé e nosso discipulado.            

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