Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 26 MAR 2019 - 12H48

A renúncia total por Cristo ainda é menos que segui-Lo!

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Homilia 23º Domingo do Tempo Comum - ANO C
 Lc 14,25-33                       

 

A carência primeira e maior do coração humano é a Palavra de Deus.

No calendário cristão o mês de setembro vem renovar nosso amor e carinho com a Bíblia Sagrada. A carência primeira e maior do coração humano é a Palavra de Deus: Ela é “lâmpada para nossos passos; luz no caminho” (Sl 119,105). Desde os inícios da Igreja os cristãos reunidos em assembleia procuram reavaliar e retomar com mais empenho a decisão por Jesus Cristo. Não somos cristãos perfeitos, mas queremos e devemos sê-lo! Jesus ensina “Sede perfeitos como o Pai do céu o é”. (Mt 5,48). Trata-se de compromisso absoluto do qual depende a vida inteira e, logo, sujeito à constante revisão. A pertença e a frequência à igreja na comunidade nos animam, nos capacitam e nos fazem perseverar no projeto da vida cristã, assumido no dia do nosso batismo. Em cada eucaristia dominical temos a chance especial de avaliar, repensar e retomar nossas decisões, permanecendo bons discípulos (as) de Jesus. Caminhar unidos no amor de Cristo. “O amor de Cristo nos uniu”!

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Em São Lucas Jesus declara sem meias palavras a exigência
do seguimento radical

Nesses mais de dois mil anos o Evangelho insiste: “Buscai em 1.º lugar o Reino de Deus”! Na modernidade tudo parece ter ficado mais exigente para os cristãos desejarem e buscarem os valores do Reino. Mais do que nunca, o cristão (ã) hoje devem ser capazes de decisões maduras e de uma fé resistente. Ser capaz de enfrentar modismos, rótulos, aparências enganosas, opiniões e ideias talvez do agrado social, mas incoerentes com a fé em Cristo e a pertença à sua Igreja. Entusiasmar-se com Jesus e aceitar suas ideias é fácil. Difícil é ser coerente na prática e validar por atos e gestos o compromisso de amá-lo e segui-lo em quaisquer circunstâncias ou situações. Certamente ele não quer seguidores fracos, volúveis, sem disponibilidade e coragem no confronto com renúncias e sacrifícios. Não vai querer a companhia de cristãos de nome, por hábito, tradição de família e menos ainda por mera conveniência. Em São Lucas Jesus declara sem meias palavras a exigência do seguimento radical e o compromisso consequente para segui-lo, à custa até de renúncias de coisas boas e tão sagradas como a família. Leia: Lucas 14,25-33

O trecho é parte daqueles capítulos de Lucas conhecidos pelos comentaristas como: a viagem de Jesus para Jerusalém. Lucas descreve Jesus indo para a cidade-símbolo do povo escolhido. Símbolo, pois, da Aliança com Javé. Enquanto caminha Jesus instrui, forma e prepara seus discípulos em vista do momento decisivo da sua vida. Expõe sem meias palavras as condições para segui-lo, ser ‘cristão’. Caminhar para Jerusalém, - a praça forte do poder político-religioso judaico - era perigoso até ao risco da vida. Exigia muito mais do que merasimpatia ou entusiasmo passageiro pelo Mestre. Esta é a lição incisiva do texto: ser discípulo implica em abrir mão de tudo. Decidir-se por Jesus e seu Evangelho é fazer dele a prioridade absoluta da vida. Lá no contexto de Lucas e hoje para nós, Jesus propõe seus valores, sua visão das pessoas, seu juízo sobre os interesses do mundo e suas convicções sobre Deus e a religião. Ele será criticado, incompreendido e recusado pelo sistema social e político. Ora, as propostas e ensinamentos de Jesus exigem nossa coerência moral também.

As duas comparações: a do construtor da torre e a do rei em guerra acentuam como é preciso ter um desapego afetivo completo e radical de si próprio, calcular as dificuldades e empenhar-se preventivamente no propósito de servir ao Reino de Deus seguindo Jesus. Ter a disponibilidade para assumir a cruz, a renúncia de si, no caminho para Jerusalém. A cidade é aqui também o símbolo da rejeição total. Todos nós caminhamos para a “nossa Jerusalém” ao longo da vida! Em cada situação é preciso pensar bem, calcular, ver o risco, ao fazer a opção por Jesus. Não cabe nenhuma decisão superficial e descartável. Nada de romantismo. Nada de conveniências e emoções!

Na vida de Jesus, o ir para Jerusalém significava: construir o reinado de Deus! O poder corrompido do anti-reino se encastelara no Templo administrado pelas classes da elite. Logo, as dificuldades pareciam então insuperáveis. Parecem hoje também para nós! O discipulado implica fazer a experiência da renúncia radical de si mesmo: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo” (v. 27).

A comunidade de Lucas entendeu e viveu assim a sua fé em Cristo. Mas, a primeira cristã que se especializou no discipulado foi Maria. Ela foi “odiada” (deixada de lado) até a cruz. No calvário ela consumou a renúncia total de si. Que sua presença na glória nos ajude a compreender a incompatibilidade entre ser discípulo e apegar-se mais às pessoas, à família e bens do que a Ele. Olhemos para frente sem medo de ser generosos no compromisso! E sem nos deixar iludir por ilusões. Suportemos as críticas, nunca desanimemos nas dificuldades!

 

Em São Lucas Jesus declara sem meias palavras a exigência do seguimento radical
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