Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H14

A ternura de Deus na suprema simplicidade da Encarnação

Natal

 

Menino Jesus

Deus se fez “palavra-carne” entre nós,
com o nascimento de Jesus Cristo.

“O Verbo se fez carne e habitou entre nós!” O “verbo de Deus” é a palavra da sua comunicação como criador, reveladora do seu poder e do seu projeto amoroso de associar-nos à sua felicidade. Deus se fez “palavra-carne” entre nós, com o nascimento de Jesus Cristo. Diante do presépio, na imagem e na contemplação da cena, adoramos o mistério do Emanuel, o Deus-conosco, que se fez um de nós e veio morar conosco! Não podemos separar o Natal-festa do Natal-bíblico ou da sua origem. Em nossa cultura o Natal é vivido quase só envolto no clima das emoções familiares, troca de votos, presentes e afetos familiares. Tem-se a impressão de que fica em segundo plano o seu mistério. Antes de ser festa da família inculturando costumes, ele é mistério fundamental da fé cristã. Jesus é Deus verdadeiro e homem verdadeiro! E nós só podemos fazer o ato de fé Nele, crendo na Palavra revelada de Deus ou a partir das referências bíblicas do AT e do NT. Por isso rezamos no CREDO: “Creio em Jesus Cristo, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo e nasceu da Virgem Maria”. 

O Evangelho associa a pessoa de Maria ao mistério de nossa salvação em Jesus. Ela, em sua gravidez miraculosa representou toda a expectativa do povo bíblico anterior à vinda do Messias. Ela acolheu e viveu no máximo grau de fé, a revelação da Palavra, o projeto salvador do Pai. Ela é não só mãe na carne do Filho de Deus, é sócia do Espírito Santo. Limitar e desmerecer o culto que é devido à Maria exatamente por causa de Jesus, é desvalorizar o seu papel na Encarnação e é pretender corrigir o que Deus fez! É necessário crer nele do modo como Ele se dispôs a ser acolhido por Maria

 

 

É um dado da história e uma certeza inabalável da fé cristã: lá onde a desgraça parece não ter fim Deus intervém, faz-se a luz e chega até nós a alegria da salvação.

É um dado da história e uma certeza inabalável da fé cristã: lá onde a desgraça parece não ter fim Deus intervém, faz-se a luz e chega até nós a alegria da salvação. Aí sabemos que Ele é “Deus conosco” e celebramos o Natal. Leia a narrativa de São Lucas a respeito do nascimento de Jesus. Lucas 2,1-14

No anúncio do nascimento de Jesus a primeira impressão é que Lucas está preocupado com a história ao registrar os nomes dos governantes da época e enquadrar o tempo da vinda de Jesus. Mas ao evangelista, lhe interessa mesmo a história da salvação. A que é escrita por Deus, quaisquer sejam os acontecimentos, os nomes famosos e os poderes dos homens. Lucas instrui as comunidades sobre o mistério do Messias lembrando sua ligação com a dinastia do rei Davi. E daí com as promessas de Deus na Antiga Aliança. Aliás, o Evangelho nunca tem como objetivo a história em si, escrita segundo os interesses dos homens e seus projetos de poder, fama, conquistas, ambições e política. O Evangelho narra os acontecimentos com a intenção de enquadrar neles as intervenções de Deus a nosso favor. É nesse pano de fundo que lemos a narrativa de Lucas sobre o nascimento de Jesus em Belém, a aparição dos anjos aos pastores, a visita deles à manjedoura e tudo o mais!

 

Maria e Menino Jesus

Ela é não só mãe na carne do Filho de Deus,
é sócia do Espírito Santo.

Na aparência foi o recenseamento ordenado pelo imperador romano Cesar Augusto que levou José a viajar com Maria sua esposa grávida. Recenseamento é ato de domínio político e econômico por meio do qual os donos do poder recolhiam tributos e impostos. Revelava o controle e domínio sobre o povo. Mas, acima desse enfoque dos fatos se levanta a ação de Deus. Ele vem de encontro aos pobres, representados no texto pela classe social então mais baixa: os pastores. Justamente eles têm a primeira notícia do Salvador nascido! Ostentam no episódio o “privilégio histórico” de receberem em primeira-mão a alegria da vinda messiânica. Em Jesus, Deus não chega recenseando, isto é, dominando e cobrando subordinação. Ele chega amando e salvando! Mesmo escondendo o seu poder e a sua majestade, a ação libertadora de Deus modifica e transforma as relações entre os homens. Elas eram relações separando dominadores e dominados. Com Jesus, são relações de fraternidade e respeito. E Ele, diz Lucas, é descendente real de Davi, mas nasce envolvido nos sinais da pobreza, da humildade e da simplicidade. Nasce numa aldeia -Belém- e não na capital, Jerusalém.

 

Hoje, na cultura atual, existe um “anti-Natal”, uma história contrária ao Projeto de Deus em Jesus.

Hoje, na cultura atual, existe um “anti-Natal”, uma história contrária ao Projeto de Deus em Jesus. O “anti-Natal” faz comemorações estranhas à alegria da fé. O “anti-Natal” nos faz apenas consumidores de comida, bebida, presentes, passatempo e exageros que causam não raro frustrações e até dores! Vivamos o Natal! Simplesmente! Sem muitos “recheios e enfeites”. Sem desfigurações! Vivamos a história libertadora de nosso Deus. Talvez seja necessário nos distanciarmos um pouco das coisas que costumam acompanhar a festa natalina. Um distanciamento e certo desapego pessoal trarão realmente o mistério para dentro do nosso coração. Para os pastores Maria foi o “lugar geográfico do encontro com Jesus”. Hoje a ternura da Virgem-Mãe aquece o nosso coração e com ela adoramos o “Filho do Altíssimo que nos foi dado” e veio para nos salvar, desejando-nos mutuamente: um Feliz e Santo Natal!                                          

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