Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 25 MAR 2019 - 17H26

Ascensão: primeiros passos da igreja-em-saída!

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Ascensão do Senhor - Mt 28,16-20

Crescer é plenificar é elevar-se. É buscar mais vida! O calendário cristão aponta e celebra esse impulso do ser, esse horizonte do qual a Ascensão de Jesus é a meta final. A palavra “ascensão” vem do latim: ascendere, isto é subir, elevar-se para o alto. Quando rezamos o Credo, a oração que resume as verdades fundamentais do dogma cristão, nós professamos esta fé. Creio em Jesus Cristo que: “subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai”. O que significam estas palavras? Significam a glorificação de Jesus de Nazaré. A humanidade de Cristo foi glorificada por Deus. Jesus elevou-se plenificada como ser na carne e imergiu na realidade divina. Entrou na essência de Deus. Portanto, o corpo humano de Jesus, corpo antes semelhante ao nosso, após a ressurreição sentou-se à direita de Deus. Sentar à direita é um modo bíblico de reconhecer o poder e a glória de Deus em alguém. Sentado à direita do Pai, o Senhor Jesus está plenamente integrado na divindade. Logo, a Ascensão significa no calendário cristão a plenitude da Páscoa. O coroamento da passagem libertadora de Jesus entre nós, como homem e Filho de Deus.

Naturalmente tudo isso tem muito a ver conosco, os discípulos do Mestre. Falar da Ascensão não é discorrer sobre o passado histórico na origem da Igreja. É antes antecipar a visão de um futuro já garantido e que estamos conquistando agora no presente graças à fé nele: o Cristo ressuscitado e elevado aos céus. Não foi só a pessoa humana dele que subiu e entrou na intimidade de Deus. Ele já nos elevou consigo. Elevou a nossa condição humana mortal. Resgatando-a do poder da morte e do pecado e oferecendo a nós o seu próprio mérito, a sua conquista pessoal. Assim, por ele e nele, nós já temos o direito de estar com Deus de fazer parte da glória de Deus no céu. É o sentido da Ascensão! Além de ser uma celebração religiosa do calendário cristão, a Ascensão nos faz um apelo veemente para nos empenharmos na humanização sempre maior: a nossa, a dos outros, a do mundo todo. Esta é a meta o horizonte imediato e final do mandato missionário deixado por Jesus aos seus seguidores. O “Ide e ensinai e batizai” fecha o Evangelho e abre os caminhos do mundo para os pés da Igreja peregrina e missionária dele. Leia: Mt 28,16-20.

 

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Há um claro envio do Mestre: “Ide e fazei discípulos meus
todos os povos, batizando-os e ensinando-os” (v.19)

 O texto finaliza o Evangelho de Mateus. Com exceção do Evangelho de João, os outros três terminam desse modo: com o “mandato missionário de Jesus”: Ide pelo mundo! Há um claro envio do Mestre: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os e ensinando-os” (v.19) Jesus invoca a sua própria autoridade e promete “estar junto dos seus até o fim do mundo”. (v.20). Está claro aqui como nossos irmãos e irmãs lá no começo da Igreja encaravam sua presença na sociedade e no mundo. Sentiam-se encarregados de uma tarefa. Mobilizados a partir do contato pessoal com o Cristo ressuscitado ou do testemunho recebido dos apóstolos e dos primeiros discípulos. Sentiram-se unidos numa comunidade abençoada por Jesus. Lucas menciona a bênção ao relatar a Ascensão: “Jesus ergueu as mãos e abençoou os discípulos. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu”. (Lc 24, 50-51). É a bênção do envio missionário! O mandato abençoa os primeiros passos da Igreja-em-saída!

A comunidade cristã sentiu-se compromissada com a evangelização. Impulsionada a continuar o modo de vida do Mestre e anunciar sua doutrina. A convivência comunitária não era de lembranças e saudades. Tinha absoluta certeza da presença real de Jesus entre eles. É interessante lembrar aqui: Mateus começa e termina seu evangelho falando de um ‘Deus presente’ no meio dos homens. No início ele se refere a Isaías e diz: “A Virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele era chamado Emanuel, o que quer dizer: Deus-conosco” (Mt 1,23). Agora, mesmo desaparecido dos olhos dos seus seguidores, Jesus continua “estando com”. Ele está no meio de nós!

O ponto de chegada do cristão fiel é participar da glorificação do corpo de Cristo. A Ascensão é a etapa final da humanidade. Estamos construindo o nosso futuro definitivo e absoluto que Jesus já antecipou. É muito consolador pensar assim em meio às dificuldades e sofrimentos. O mistério da Ascensão liga-se necessariamente à assunção de Maria, a mãe glorificada junto ao Filho, antes de todos nós. Primeira discípula-missionária da Igreja em todos os tempos. Que ela esteja sempre à nossa frente na batalha contra todas as maldades e todo pecado, nos ilumine e guie para “andar com Jesus” até o céu.

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