Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 02 OUT 2017 - 11H38

ASSUNÇÃO DE MARIA - Na glória do Filho, a Mãe já foi preparar a casa para nós

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O culto cristão principalmente ao iniciar a semana com o domingo eleva o nosso olhar para o horizonte, o término de nossa peregrinação terrena. Unimo-nos a Jesus - o vivente, o ressuscitado - e nele assumimos também o projeto de Deus sobre a vida, o mundo, a história, o sentido das coisas que vivemos. Unidos em Jesus e com Ele endireitamos os caminhos por onde estamos andando. Celebrar a Eucaristia é renovar nossa pertença a Cristo inserindo-nos na comunidade peregrinante. À frente dessa comunidade está Maria, já assunta aos céus!

Ser de Cristo, pertencer a Cristo! Essa foi uma consciência viva desde os tempos apostólicos da Igreja. Por tudo o que significou e significa na vivência da fé cristã junto a Jesus, com os apóstolos e a primeira comunidade, Maria pertenceu a Cristo de modo inigualável e único. Ela pertenceu inteiramente a Ele, desde o “sim” da anunciação. Ela o viveu no mais íntimo do seu próprio ser compartilhando o mistério e a missão do Filho de Deus humanado. Desde as coisas mais humildes do quotidiano do lar e da família, passando pelos fatos, costumes e tradições do povo de Deus. Não nos é possível “isolar” Maria e vê-la apenas com um olhar histórico. A sua figura pessoal impregnou o Evangelho e, depois, a história, a tradição cristã, o magistério da Igreja como a referência mais qualitativa do que significa: ser cristão, pertencer a Cristo, segui-lo. A Assunção consumou sua fidelidade sem igual a Cristo Jesus. Ao celebrar e festejar a sua primeira discípula elevada ao céu em corpo e alma (Assunção) a Igreja contempla nela o seu futuro já realizado. O que devemos ser ao atingir a meta parece estar descrito no livro do Apocalipse. Leia: 11,19, -12, 1-10, texto da primeira leitura da missa da Assunção de Nossa Senhora.

O Apocalipse foi escrito para encorajar as comunidades cristãs em tempos de perseguição. É livro atribuído a São João Evangelista e anuncia a revelação de Jesus Cristo através de figuras, imagens e símbolos. O autor trabalha com “sinais” que são familiares para os já iniciados na vida cristã. Os sinais são como “linguagem em código” ou cifrada que passa mensagens aos leitores sem identificar a origem cristã da escrita, e sem o perigo de expô-los aos perseguidores. Familiarizados com o tom misterioso do livro logo percebemos que o Apocalipse é um documento espiritual de resistência para a Igreja na época dos mártires, lá no seu primeiro século. Portanto, ao contrário do que se imagina, o Apocalipse não nos incute medo e sim esperança, garra e coragem. É livro profético. Mostra-nos a salvação de Deus no passado e no presente e abre-nos ao futuro vitorioso. No centro de tudo está a pessoa de Jesus Cristo, Senhor da vida e da história. Ele é o Cordeiro a quem seguem seus escolhidos. Ele é a “lâmpada da glória de Deus que ilumina a nova Jerusalém” (Ap.21,23.) Imolado, ressuscitado e glorificado revelou aos homens os desígnios de Deus.

Na tensa expectativa do auge da perseguição surge a figura de uma Mulher em dores de parto. Ela é um grande sinal do poder de Deus: está vestida de sol, posiciona-se sobre a lua, está coroada por 12 estrelas. Mas, é ameaçada por um dragão que também aguarda a mulher dar à luz para devorar-lhe o Filho. Os capítulos 11 e 12 do livro desenham assim o grande confronto entre o poder de Deus e a maldade dos homens no mundo. A Mulher é o “grande sinal” profético da vitória de Deus. Segundo o senso comum dos intérpretes neste cenário a mulher representa a um só tempo o papel de Maria e o papel da Igreja na história da salvação. Maria é o ícone da Igreja redimida por seu fundador: o Cristo! Ela, nova Eva, deu à luz o salvador. Mãe e Filho foram protegidos por Deus. O Filho é o início, as primícias de uma nova humanidade. A geração do Povo de Deus redimida e libertada do poder das trevas, ou seja, das injustiças, pecado e força do mal.

Aplicação mariana

Maria é vencedora com Jesus, o “Filho levado para junto de Deus e do seu trono” (12,5). Ela continua vencendo hoje inspirando e intercedendo pela Igreja dele como seu modelo fiel, primeira discípula plenamente inserida na glória do Cordeiro. A Igreja e cada comunidade cristã estão continuamente gerando e dando à luz ao Cristo, ao seu reinado, no mundo avesso a Ele e intolerante com seus seguidores. A Assunção é uma verdade da fé que significa a plenitude da nossa salvação em Cristo já concretizada na pessoa de Maria, a Virgem fiel que gerou o Cordeiro imolado no Calvário. Que Ela nos sustente no amor e no esforço pessoal e comunitário de viver conforme o Evangelho superando fraquezas e tentações até nos encontrarmos no novo céu e nova terra. Lá com Maria, pertenceremos eternamente a Cristo. Amém!

                                                                                                     

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