Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H18

Batismo do Senhor

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Lc. 3,15-16.21-22

A solenidade festiva do Batismo de Jesus finaliza no calendário cristão o tempo do natal. Os quatro evangelistas narram o episódio: João Batista batizando Jesus. O leitor comum desatento, corre o perigo de não compreender o sentido bíblico do fato. Não se trata do mesmo batismo que nós recebemos: o do sacramento. É oportuno explicar: quando fomos batizados na Igreja foi a graça de Jesus que agiu em nós. Ela produziu em nós uma transformação espiritual interior e libertou-nos da condição original em que nascemos: aquela do pecado. O rito a Igreja o fez, não como um simbolismo. Foi um sinal sacramental do início da vida divina em nós. Ora, o batismo de João Batista não fazia isso. Mesmo sendo precursor de Jesus, o profeta não possuía o poder de comunicar a alguém a vida de Deus. João Batista, herdeiro como nós da mancha original, foi também concebido em pecado. O mistério de Jesus no Evangelho o revela como sendo uma pessoa com duas naturezas: a divina e a humana. É claro que ele não esteve jamais sujeito ao pecado. Nem poderia estar. Por isso não precisava de nenhum tipo de batismo. Ao contrário, ele é o autor dessa graça como de todas as outras que são sinais da vida de Deus em nós.

 

O mergulho na água do rio Jordão. Os evangelhos nos mostram Jesus se submetendo também a esta penitência pública, não só para nos dar o exemplo. É uma proclamação pública da presença dele no meio das pessoas, como o Messias de Deus. 

Por que então os Evangelhos narram o batismo de Jesus por João? Entenderemos melhor se partirmos de um fato: a expectativa da vinda do Messias predito pelos profetas. Naquele momento essa era uma esperança coletiva bem forte e generalizada no meio do povo. No entanto atribuía-se ao Messias um papel mais político que religioso: o de líder da libertação do País do domínio estrangeiro. Por sua vez, a pregação de João Batista ligava a vinda do Messias a um julgamento, um juízo de Deus. Logo, era preciso esperá-lo numa atitude de conversão. Ou seja, abandonar o orgulho, o egoísmo e toda injustiça. Mudar de vida. O gesto simbólico público disso era o batismo de penitência. O mergulho na água do rio Jordão. Os evangelhos nos mostram Jesus se submetendo também a esta penitência pública, não só para nos dar o exemplo. É uma proclamação pública da presença dele no meio das pessoas, como o Messias de Deus. O ungido, o consagrado por Deus. Enfim, chama a atenção do povo para sua missão libertadora. Vejamos a narrativa do fato em Lc. 3,15-16;21-22.

Lucas informa sobre a expectativa da vinda do Messias. Ela foi reanimada por João Batista. Ele empolgava as pessoas. Era uma figura austera e sua personalidade firme cativou o povo. Sua palavra tocava as consciências. De modo especial os empobrecidos suspiravam por uma vida mais justa na sociedade e mais santa aos olhos de Deus. Paralelamente crescia o desejo geral da libertação política. Diversos grupos semeavam uma conspiração oculta contra a ocupação romana. Por tudo isso, começou a se espalhar um boato: e se João Batista fosse o Messias prometido e tão esperado? O profeta logo percebeu que esse modo de pensar não ajudava as pessoas a compreenderem a missão do Messias. Negou o boato de modo veemente. Ele, João, comparado ao Messias estava na situação menor que a de um escravo que desamarrava as correias das sandálias do patrão. Nem isso João se julgava digno de fazer para o Messias. O batismo que João fazia ao povo, valia o que valia a água. Nada mais que um sinal de penitência e purificação. Já o batismo a ser dado pelo Messias teria a força divina. Um batismo com o Espírito de Deus e com fogo. A menção ao fogo significa o poder de julgar do Messias.

O texto mostra um Jesus-Messias solidário. Ele se misturou ao povo e se fez batizar. Submeteu-se também ao rito penitencial sugestivo da purificação dos pecados sem ser pecador. Assim fica expressa sua profunda solidariedade com o ser humano e em que sentido ele seria o salvador-messias. Nele a humanidade inteira, em todos os tempos, ficaria purificada aos olhos de Deus. Sobre ele desce o Espírito Santo e o Pai se manifesta declarando-o seu Filho. A passagem descreve o mistério divino e humano da pessoa de Jesus, através de uma teofania. Teofania é um modo de falar sobre Deus, um estilo literário como a Bíblia narra uma intervenção sobrenatural divina na trama da vida humana.

 

Aplicação Mariana

Engravidada pela sombra do Espírito Maria foi a mulher peregrina na fé. Se nossa regeneração batismal veio do sangue do Cordeiro inocente imolado na cruz selando a nova aliança da humanidade com Deus, era sangue-elemento biológico herdado de Maria. Dado por ela ao Filho antes mesmo de Ele conferir à Igreja o mandato de ensinar e batizar. Se o batismo nos mergulha na natureza divina, Maria não precisou ser lavada como nós na água sacramental, pois gerou a ‘cabeça da nova humanidade’. Acima da maternidade biológica, a Virgem Maria (e unicamente ela) viveu de modo singular o encontro, o contato, a intimidade com o Messias e seu ministério libertador. É a primeira regenerada, a primeira batizada, a primeira cristã do povo santo e peregrino do Senhor. Que ela nos ajude a assumir com garra o projeto batismal: a vida santa aos olhos do Pai!

 

Pe. Antonio Clayton Sant’Anna – CSsR 

 

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