Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H14

Bodas de Caná - 2º Domingo do Tempo Comum - Ano C

bodas

Homilia 2º DTC-C

 Jo. 2,1-11

Terminado o ciclo do Natal, o calendário cristão nos introduz no “tempo comum”. É uma sucessão de domingos ao longo do ano nos quais vamos lendo os acontecimentos e refletindo sobre os ensinamentos de Jesus relatados nos Evangelhos. Neste ano esta seqüência de domingos começa com aquele episódio das Bodas em Caná da Galiléia. Jesus, sua mãe, os apóstolos eram convidados. Em dado momento faltou o vinho. Maria se preocupou com os noivos e informou o Filho. Ele em resposta mudou a água em vinho. Eis o resumo do acontecimento. O que ele nos ensina?

Esta é uma página de São João rica de simbolismos. A Bíblia usa muitos símbolos a fim de descrever a felicidade que vem de Deus. A realização feliz do projeto de Deus a nosso respeito é comparada à experiência de uma grande alegria partilhada por todos. Exemplo: num banquete; no festim da vitória após a guerra. Mais frequentemente ainda, a alegria de um casamento. No pensamento bíblico-cristão a vida humana na terra deveria ser como uma festa de casamento: cheia de alegria. Vida com fartura de bens acessíveis a todos. O cerne do evangelho é a “boa notícia”, ou seja, a novidade inaudita, alegre, o anúncio da vida como uma festa de comunhão. É isto que a nossa Igreja prega e procura realizar por sua presença evangelizadora no meio dos homens. Apesar do preconceito de seus adversários que a criticam dizendo: a Igreja católica é contra o prazer, o gozo da vida. Uma inverdade. Todo prazer humano legítimo, toda alegria sadia, todo gozo de vida honesto estão dentro do Projeto de Deus revelado por Jesus no Evangelho. Neste sentido, a narrativa das Bodas de Caná, texto de São João para o 2º domingo do tempo comum, é bem ilustrativa. E é profundamente teológica. Leia João, 2,1-11.

 

Ter fé em Jesus é experimentar uma
vida plena e feliz.

O evangelista João é um profundo pensador cristão, um teólogo perito no A.T., e um catequista zeloso da comunidade cristã. Seu primeiro interesse não é o milagre, a mudança da água em vinho. Este é apenas um meio que nos leva a compreender Jesus, o seu mistério, o significado de sua hora e também do papel de Maria na missão do Filho. No milagre está o sinal de algo sublime. Ter fé em Jesus é experimentar uma vida plena e feliz. Isto é possível ao homem porque Jesus muda nossa condição de pecadores. Ao revelar-nos o amor de Deus, realiza a nossa comunhão de vida com ele. É o início de uma nova criação. Uma nova aliança. A água mudada em vinho para que não faltasse alegria na festa, significa tudo isso. As Bodas de Caná, onde ninguém tem nome, nem os noivos, nem os apóstolos, mas só Jesus e Maria, representam a festa de Deus para a qual somos todos convidados. Enquanto Jesus não tinha chegado, a vida humana era vazia como as talhas sem água. Ele veio como um vinho da melhor qualidade, renovando nossa aliança com Deus. 

Os simbolismos continuam: as seis talhas de água vazias, usadas nos ritos de purificação religiosa dos judeus, são uma referência de João ao fim da antiga Lei. Vazia da comunhão com Deus! A prática religiosa mosaica tornara-se estéril, infecunda, sem a alegria da salvação. Aí chegou Jesus e ele substituiu o sentido religioso do Templo. Ele é o novo Templo ou o verdadeiro lugar onde podemos adorar a Deus e sermos por Ele purificados. A graça dada a nós por Deus em Jesus é simbolizada pelo vinho excelente, servido nas Bodas após a mudança da água nele. Até o encarregado da festa, o dono do “buffet” ou o mordomo, ignorava de onde viera aquele vinho mas reconhecia que era o melhor. Também ele representa aqui a religião oficial superada. Por seu lado, os noivos foram salvos de um vexame e ficou garantida a plena alegria dos convivas. Ou seja, com Jesus, o Messias, começou um relacionamento novo, um novo tempo, uma nova ordem. É a da realidade humana vazia e triste, mudada e transformada pela alegria de Deus, alegria amorosa como aquela da comunhão de vida dos noivos. 

 

Aplicação Mariana           

 

Maria conhece o alcance da misericórdia de Deus para toda a nossa vida e não fica indiferente ao nosso rogo.

Como podemos compreender a intervenção de Maria nas Bodas de Caná? Ela é a mulher modelo de uma nova geração. Substitui a Eva pecadora e é ao mesmo tempo exemplo de discípula para todos nós. Por isso pode recomendar aos outros: “Fazei tudo o que ele vos disser”. Porque “ninguém como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne” [1]. Maria conhece o alcance da misericórdia de Deus para toda a nossa vida e não fica indiferente ao nosso rogo.

Entendemos, também, Maria como o modelo, o arquétipo da Igreja-Mãe que neste Ano do Jubileu da Misericórdia, quer mostrar, pelo seu acolhimento materno, que Deus jamais se cansa de perdoar. Diz o Papa Francisco: “Quanto desejo que os anos futuros sejam permeados de misericórdia para ir ao encontro de todas as pessoas levando-lhes a bondade e a ternura de Deus! A todos, crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós” [2].

 

[1] PAPA FRANCISCO. Misericordiae Vultus. Art 24.

[2] Ibidem, Art.5

 

 

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