Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 30 SET 2019 - 09H04

Dia Nacional da Bíblia

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Bíblia

(Mc 9, 38-43. 45. 47-48)                           

No calendário da Igreja católica celebramos o Dia da Bíblia. Além de comemorativa a data condensa no fim de setembro todo o esforço pastoral bíblico-evangelizador da Igreja nesse mês. Esforço concentrado nas dioceses, paróquias e comunidades cristãs, afim de nos motivar no uso constante da Sagrada Escritura. Na leitura diária, na meditação pessoal, no intercâmbio e partilha comunitária dos círculos bíblicos. Toda a prática religiosa cristã nasceu da revelação divina: Deus se comunicou a nós. Desvendou seu mistério! Isso é o que significa revelar! Desvendar a face, mostrar o rosto! Deus falou e fala continuamente em sua palavra revelada. Uma palavra que ouvida com humildade leva a pessoa-ouvinte a descobrir-se a si mesma. Tornar-se consciente de si; saber a que veio ao mundo e qual o sentido último de sua existência. Logo, ler a Bíblia não é tanto um exercício intelectual ou um enriquecimento cultural para quem a lê. Será antes um ato de fé na Palavra de Deus. A fé – dom divino – me convida a sair de mim mesmo. A romper o círculo estreito da minha pobreza na compreensão total das coisas e aventurar-me além da minha própria razão. Aventurar-me não para divagar simplesmente em fantasias e ilusões. Nascida da Palavra de Deus a fé é-nos dada como uma ferramenta. Ferramenta indispensável à valorização e defesa da vida, à organização da convivência social na justiça e na fraternidade.

 A Bíblia é mais que um livro ou mais que uma coleção de livros antigos. Ela nunca será antiga, pois encerra o projeto amoroso de Deus, conduzindo a história, os acontecimentos e os grandes anseios do coração humano. Mesmo com tanto materialismo, tanta pornografia, corrupção e injustiças sociais... Há uma fome infinita do sagrado, do divino, de Deus. A fome de Deus em nosso modo de viver é tanto mais veemente, quanto mais intolerante e agressivo for o contexto social. Agressividade, intolerância, padrões egoístas de comportamento... São tantas as situações da vida moderna exigindo firmeza e responsabilidade na vivência da Palavra de Deus. Leia: Marcos, 9, 38-43.45.47-48 – (26º Domingo comum- ano B).

Temos aqui um trecho do capítulo 9 reunindo temas esparsos. Sem muita ligação uns com os outros, mas todos eles mostrando o esforço de Jesus em ensinar os discípulos. Jesus procurou passar a seus seguidores um projeto novo de convivência, de aceitação mútua na vida comunitária e fraterna. O ponto fundamental do ensino gira em torno da verdadeira compreensão da Bíblia, quando ela fala do Messias. O Messias não devia ser esperado como alguém cheio de poderes e distribuindo favores a seus amigos. Na verdade, era isso que os apóstolos esperavam de Jesus. Ora, a comunidade formada a partir da fé nele, deverá ter como objetivo servir humildemente e não dominar as pessoas. A fé cristã autêntica não produz o monopólio dos dons de Deus, mas respeita a espontaneidade do seu Espírito, que “sopra onde quer” (João, 3,8). Por isso, a Igreja é portadora da Boa Notícia da salvação e do Reinado de Deus, mas não é dela nem a Palavra, nem o Reino. Ou seja, não cabe à Igreja – que reúne os discípulos de Cristo – julgar-se dona da graça e da ação divina sobre os homens. As graças do Reino estão na comunidade, sem dúvida, mas só Deus é o dono, só Ele as distribui!

Eis porque Jesus corrige o ciúme dos discípulos que reclamavam de alguém de fora do grupo que invocava o nome do Mestre para expulsar demônios: “ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor”. (Mc. 9,39). O importante é a solidariedade, acrescenta Jesus. Até o gesto solidário de dar um copo d’água será recompensado.

A seguir, o texto fala do escândalo. Ele sim prejudica a comunidade em sua fé. A palavra significa: “induzir alguém ao pecado, à fraqueza moral”. Principalmente fazer isso ao pequeno, ao humilde, ao menos preparado para se defender do escândalo. Provocará castigos terríveis. Tão terríveis que a desgraça de alguém afogado no mar com uma pedra amarrada ao pescoço é sorte menos infeliz do que a merecida pelo escandaloso.

Finalmente, vem o apelo dramático à conversão. Os membros da comunidade cristã deverão fazer uma opção corajosa e radical pela justiça do Reino. Ainda que por causa disso fosse preciso perder a mão, o pé, o olho, enfim, os membros tão necessários à saúde e ao corpo. Optar pelos ensinamentos de Jesus a fim de viver na terra a justiça e o amor queridos por Deus! A escolha é um dilema: ou o Reino ou a desgraça total! Jesus coloca os seus discípulos perante uma opção sem meios termos. É hora de nos perguntarmos: o que realmente estamos ganhando e o que realmente estamos perdendo nesta vida? Só há um meio seguro de saber: ouvir, conhecer e viver conforme a Palavra de Deus!

O apelo e o exemplo de Maria na pertença a Jesus.

O Espírito de Deus “soprou” quando e como quis no íntimo de Maria. Ela foi o lugar privilegiado da ação divina. A Virgem deixou-se monopolizar totalmente pelo chamado amoroso do Senhor. E ela foi a “interlocutora do Pai em seu projeto de enviar o Verbo ao mundo para a salvação humana...” (DA.266). Em Maria, diz o Documento de Aparecida, “a Palavra de Deus se encontra de verdade em sua casa, de onde sai e entra com naturalidade. Ela fala e pensa com a Palavra de Deus; a Palavra de Deus se faz a sua palavra e sua palavra nasce da Palavra de Deus.” (DA 271). A reunião dos purpurados e teólogos representativos da América Latina em Aparecida durante o mês de maio de 2007 representou um novo Pentecostes para o Continente. Nele, “o sopro do Espírito” através do Documento de Aparecida vem marcando mais e mais nossas comunidades com um discipulado-missionário fiel, criativo, aberto à tolerância, e à alegria de viver num encontro mais forte com Jesus Cristo, sob a intercessão da Mãe da Palavra.                                                                                                                                                      

 

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