Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 02 OUT 2017 - 12H45

Na vida: encontrar, seguir e anunciar Jesus, o Messias!

 jesus_cegoHomilia 30º Domingo do Tempo Comum-B             

 Mc 10,46-52               

 

A liturgia da Palavra no último domingo de outubro focaliza o compromisso missionário inerente à fé em Jesus Cristo e à pertença à sua Igreja. Acolhe também a 30ª edição do Dia Nacional da Juventude com o tema: Jovens construindo uma nova sociedade. Missão não é só consequência da prática religiosa cristã. Não é só anúncio importante da presença evangelizadora da Igreja no mundo. É marca, é característica essencial do ato de fé em Jesus e em seu Evangelho. Outubro é privilegiado no calendário porque nos traz a chance de repensar o que estamos fazendo e que tipo de evangelização está ao nosso alcance no caminho da fé. Na Igreja, na paróquia, no bairro, na família. O envolvimento com o tema “missão” veio ajudar a cada um de nós a se recolocar no esquema da nova evangelização vigente no terceiro milênio. Foi sem dúvida proveitoso participar das reflexões, orações, apelos e atividades da Pastoral missionária na comunidade.

 

Evangelizar é estar no caminho de Jesus

 Evangelizar é estar no caminho de Jesus! Esta afirmação oportuna encerra o mês das Missões. O livro Atos dos Apóstolos registra a palavra “caminho” como sinônimo da própria comunidade ou Igreja. Era uma atitude consciente vivida por nossos irmãos e irmãs na fé lá nos primeiros tempos. Faziam parte do “caminho”. Que caminho é esse? Donde veio tal ideia? Da missão de Jesus e da sua prática de vida junto do povo. O evangelho de Marcos é um roteiro de catequese que vai desdobrando o ministério de Jesus como se fosse um itinerário da Galiléia a Jerusalém. São os dois pontos ou polos de uma estrada. As atividades e ensinamentos de Jesus, os milagres, as controvérsias com os fariseus, tudo vai acontecendo nesse caminhar!

Jesus é o missionário itinerante do Pai. Enviado por Ele, Jesus saiu da Galiléia - região desprezada como periferia miserável - e caminhou até Jerusalém, a capital e centro do poder. Poder que negando o projeto salvador de Deus recusou o ensino de Jesus e o crucificou. Manter o poder sacrificando os outros é a política habitual. Mas, caminhar com Jesus é vencer o sofrimento. Crer nele é segui-lo corajosamente até mesmo recusando calar-se diante do poder. É assumir a sua causa, o seu projeto de vida até as últimas consequências. O exemplo vivo desse seguimento na fé foi dado por um cego de nascença mendigando à beira da estrada. O Evangelho o apresenta como um modelo do verdadeiro discípulo. Ler: Marcos, 10,46-52.

Caminho, cego e mendigo! Juntas, as três palavras emolduram no Evangelho a mensagem que solicita nossa adesão. Quem daria atenção a um cego mendigando esmolas à beira da estrada? É o quadro da miséria, do abandono e da marginalização social. Mas o cego – personagem símbolo do marginalizado – ao se colocar no caminho de Jesus, é notado, é visto, é atendido e é libertado. Sai da sua pobre condição e, sobretudo é iluminado com a visão da fé! O significado dele é referência na intenção do evangelista, pois Marcos registra o nome: o cego chamava-se Bartimeu. Sentado, porém, como um mendigo objeto apenas da compaixão dos viandantes, sujo e esfarrapado, engolindo o pó da estrada, castigado pelo sol e pelo frio, Bartimeu era um “zé-ninguém”. Apesar de tudo, conseguiu encontrar Jesus, perceber a sua passagem e vê-lo. E aqui o verbo “ver” não indica apenas a cura da cegueira. Refere-se ao discipulado! A entrar no “caminho” de Jesus com toda coragem. A princípio ouvia só o barulho e vozerio de passos e povo na estrada. Coisa talvez não muito comum. Algo novo estava acontecendo ali. Seus olhos eram cegos não podiam ver. Mas seus ouvidos ouviram o nome de Jesus. Nome que já lhe soara antes como esperança de libertação, e cura. A fama de Jesus já tinha chegado aos ouvidos do cego. E eis que agora de repente, Jesus em pessoa passava ali pertinho dele. A estrada não é lugar de parar e sim de passar. Logo, Bartimeu não podia perder aquela chance única. Começou a gritar o nome de Jesus com toda a força dos pulmões. “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim”. (v. 47). Filho de Davi era a expressão popular segundo a Bíblia, que lembrava a promessa esperançosa da vinda do Messias. O Evangelho põe na boca do cego, um apelo messiânico, uma referência à esperança do povo bíblico nas promessas de Deus. E, através do cego que não via, Jesus é anunciado como esse Messias!

 Jesus estava ali junto aos pobres, aos cegos, aos mendigos, aos paralíticos, aos aleijados, aos leprosos, e muitos não acreditavam. Viam-no com os olhos, ou só olhavam para Ele de um modo interesseiro ou político: um agitador social. Mais um! No entanto, a narrativa do milagre da cura do cego está dentro do Evangelho com um propósito bem definido. Até ali o único homem capaz de perceber o segredo de Jesus foi um cego. Não foram nem os discípulos escolhidos por ele. Fica-nos apresentado um excluído como o discípulo verdadeiro. Só esse foi capaz de entrar no Caminho e seguir em frente com Jesus.

 

 No caminho de Jesus com Maria           

jesus_apostoloA primeira pessoa convidada a seguir o Messias foi a Virgem. O mecanismo da exclusão logo a atingiu. O próprio noivo, José, só foi entender a gravidez imprevista de sua noiva, ao ser advertido por uma revelação particular. Maria acreditou sem ter visto, apenas aceitou a Palavra. Ela, piedosa moça formada segundo o ensino profético, esperava sim a vinda do Salvador prometido. E uma vez iluminada pela Graça deu a resposta exemplar e perfeita da entrega na fé: o “faça-se”! O cego pediu para ver e, depois, comprometeu-se a seguir Jesus na alegria da visão recuperada. Maria fez da fé na Palavra a razão de todo o seu viver mesmo quando foi avisada por Simeão (homem de Deus) que uma espada dolorosa lhe atravessaria o íntimo do ser, por causa de seu Filho Jesus. (Lucas, 2,34). Cada um de nós é convidado a acompanhar o Messias. A crer nele como Salvador. A descobrir na trama do mundo, onde achá-lo e por onde andar para segui-lo. Saber como viver o Evangelho continua sendo-nos difícil. Precisamos muito do auxílio da Mãe da Igreja!

                                                                                                                        

                                        

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