Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 26 MAR 2019 - 12H46

Onde buscar e como viver a verdadeira alegria do Natal?

adventocoroa
3º Domingo Advento A 

Mt 11,2-11

A vivência espiritual do Advento defende-nos do marketing consumista e centraliza convicções, esperanças e emoções no mistério do Senhor Jesus: a sua vinda histórica, a atual e a futura, no Juízo.

Haja ou não o anti-natal comercial; tenham ou não a nossa fé os poderosos donos do dinheiro, que investem em “papais-noéis”, “árvores de natal”, “luzes e enfeites coloridos”; rezem ou não os ocupantes de altos cargos públicos no poder, nós estamos sim ligados à pessoa viva de Jesus. Discípulos da sua doutrina, sua moral, sua verdade e justiça. Na vivência cristã, o Advento é um tempo marcado por uma espiritualidade, um “jeito cristão” de viver, resumido nas palavras: espera, preparação, vinda. Esperamos Jesus, esperamos tudo aquilo que a sua vinda histórica em Belém significou, significa agora no nosso viver atual e já significa para o futuro, no juízo final da vida humana e do mundo. A espera cristã é olhar histórico e olhar teológico ao mesmo tempo, abrangendo o início e o fim da vinda de Jesus, o Salvador. Veio em Belém na fragilidade humana. Virá na glória quando será o juíz justo, absoluto e definitivo. Nas suas duas primeiras semanas o Avento enfatiza a vinda de Jesus-juiz. Nas duas últimas aproxima-nos do mistério de seu nascimento, fonte da alegria messiânica que é a expectativa da salvação tão desejada!

O desejo da salvação projeta nosso pensamento lá no fim da existência terrena. É escatológico! Faz-nos pensar no fim de tudo. Mas nós já a esperamos agora. De fato estamos vivendo na certeza de que Jesus nos salvou. Daí, a alegria messiânica que marcou a expectativa bíblica da vinda do Messias é também uma experiência atual nossa. Jesus é o acontecimento decisivo na vida de quem é de fato cristão (ã). Ora, esperar sua vinda exige esforço espiritual, tensão interior de conversão e volta para Deus. Exige interesse pela vivência religiosa precavida contra as tentações sempre fortes e insistentes. “Ficai firmes e fortalecei vossos corações porque a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5,8, 2ª leitura). Por isso, a liturgia nos relembra o perfil bíblico austero de João Batista, precursor de Jesus.

 

Sao Joao Batista

Do cárcere orientava seus discípulos para
conhecerem Jesus.

O profeta foi o mensageiro do 1º advento da História. Também ele teve que tomar consciência sobre o sentido da vinda de Jesus. Seria mesmo o Messias esperado? Como distingui-lo no meio dos homens? Como interpretar sua vinda? João, o profeta do deserto, fora preso porque incomodara o rei Herodes e a corte real. Do cárcere orientava seus discípulos para conhecerem Jesus. Leia: Mateus, 11,2-11.

 Vivia-se então a expectativa geral sobre o Messias. Criara-se no povo uma tensão, um desejo vivo principalmente entre os humildes. Pregador da conversão para uma vida justa e homem austero, o Batista enfocava a vinda e o papel do Messias ligados ao juízo de Deus. O Messias viria julgar e punir as injustiças. Viria renovar a aliança com Deus e purificar a prática religiosa ritualista. João denunciara em público a vida devassa do rei Herodes e seus cortezãos e por isso foi preso. Ouvira notícias sobre Jesus e ficara indeciso como pensar. Conhecia a pessoa do primo, mas a sua pregação não parecia reforçar as advertências sobre o iminente juízo de Deus na era messiânica. Jesus era ou não era o Messias? De todo modo João quis enviar seus próprios discípulos para tirarem as dúvidas com Jesus. Eles perguntaram: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro? (v.3). Sem uma resposta direta à pergunta, Jesus provocou nos seguidores do Batista o discernimento capaz de eliminar a dúvida. Que comparassem as suas obras com os anúncios proféticos sobre os tempos messiânicos. Isaías já havia associado o futuro messiânico a fatos libertadores. Isso estava acontecendo, disse Jesus. “Os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscita e os pobres são evangelizados” (Is 35,5-1ª leitura).

Se Jesus não parecia ter o perfil de um líder arrebatador das massas, valia a pena conferir as suas obras. Não realizariam as esperanças de todos conforme os profetas que tinham associado o papel do Messias à fé num Deus aliado dos oprimidos? Era o que Jesus estava sendo! O discernimento ajudou a identificar em Jesus o Messias prometido.

Hoje também precisamos discernir quais valores da sociedade de consumo se referem ao Natal. O que realmente é sinal de Deus e do seu reino em nosso tempo? O que é verdade? O que é progresso real? O que nos dá a certeza de um futuro bom? Assim mereceremos o elogio de Jesus ao profeta João. Se ninguém fora maior que ele até ali, por outro lado o menor discípulo de Jesus era maior do que João. Afinal João pertencia ao tempo da espera, ao passo que os seguidores de Jesus estavam já no tempo da chegada do Reino de Deus.

 João anunciou, mas Maria viveu dentro de si mesma o mistério de Jesus, o salvador. Ela foi batizada nele não com o batismo simbólico de João, e sim com a graça mesma do Espírito Santo. E nisso ela foi associada a nós antes do anúncio messiânico acontecer. Com seu amor de mãe preparemos o nosso natal!

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