Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H14

Perante Jesus a alternativa é aceitá-lo ou rejeitá-lo.

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Homilia  - 4º Domingo da Páscoa - Ano C

  Jo10, 27-30

            Na Igreja católica tudo é páscoa: sempre e em todos os tempos. Fundada por Jesus Cristo, tudo nela é fruto de sua ressurreição. Ao se levantar do túmulo Jesus iniciou um novo tempo na história da humanidade. Vivemos esta novidade pascal principalmente aos domingos. O Domingo é a marca cristã no calendário universal. A palavra “domingo” vem do latim: Dominus, ou, o Senhor! Dies domini significa: o dia do Senhor ressuscitado. Jesus tornou-se “senhor” pela sua ressurreição. A carne, o corpo humano submisso à morte foi “levantado” com o de Jesus. Levantar-se! Pôr-se de pé! Esta expressão grega usada na Bíblia refere-se ao que aconteceu na ressurreição. Quem não tinha vida foi posto de pé. Deus concedeu o sopro de sua vida divina ao corpo humano de Jesus de Nazaré. E nele ou na humanidade de sua pessoa igual à nossa, ele mereceu para nós o espírito, o sopro vital divino.

            No calendário da liturgia cristã chegamos ao quarto domingo do tempo pascal. O olhar da fé se detém no “túmulo vazio” onde fora depositado o corpo descido da cruz e confessa: Creio no Senhor ressuscitado ao terceiro dia! Creio no seu Espírito que continua agindo em nós e nos anima a sermos testemunhas do Projeto de Deus: a vida em abundância, a libertação do pecado e da morte! E lembrando o perfil misericordioso e servidor de Jesus no simbolismo do ‘Bom Pastor’, fazemos súplicas pelas vocações tanto sacerdotais como religiosas. Nas missas é lido o trecho do capítulo 10º de São João. Trata-se da catequese original que resume o relacionamento de profunda amizade entre nós e Jesus e por meio dele, com o Pai. No texto, Jesus se contrapõe aos “maus pastores”, ou seja, aos líderes religiosos vistos como condutores incompetentes e aproveitadores do rebanho de Deus, o povo da Aliança. Leia: Jo10, 27-30.

            Podia ser bem romântico na realidade da época, comparar Jesus a um bom pastor. A cena dos pastores guiando ovelhas pelos campos verdes fazia parte da paisagem. Mas, a parábola tornou-se popular nas comunidades cristãs do início da Igreja mais como desafiadora. Ela solicita a fé na presença viva de Jesus ressuscitado guardando os seus discípulos em todos os tempos. Obediente ao Pai até a morte na cruz, Jesus conquistou para seus seguidores a certeza de possuir a vida divina. O evangelho realça o cuidado íntimo do bom pastor Jesus com cada uma das ovelhas. Ninguém vai afastá-las dele! Conhece uma por uma e sua voz é reconhecida e atendida por elas. Há sim uma relação pessoal de vivo afeto na experiência do mútuo conhecimento.

            Quando o Evangelho aplica a Jesus o símbolo do “bom pastor” reprova ao mesmo tempo a falsa mediação religiosa exercida pelos mestres da Lei mosaica. As lideranças religiosas dos fariseus e doutores do Templo, as instituições civis do Templo não prestavam ao povo bíblico o serviço estabelecido conforme a Lei da Aliança. Tinham se apoderado dos ensinamentos bíblicos não para promover o bem espiritual do povo, mas usufruto próprio. Agiam como “falsos pastores ou guias falsos”. Aí veio Jesus. Sua prática de vida na maneira de ser, falar as ideias religiosas etc. acabaram provocando o conflito com as lideranças religiosas que usavam o poder do Templo (a religião) sem pensar no bem estar da população. Não atendiam as pessoas em suas necessidades. Atendiam a si e a seus interesses. Em nossos dias temos visto esse tipo de comportamento também nos três poderes republicanos: Executivo, Legislativo e Judiciário. Muitos políticos, governantes e legisladores se importam com o povo (o rebanho) só como massa anônima. Útil só na hora de votar. Fácil de ser enganado pelas migalhas dadas pelos programas sociais em meio a tantas necessidades.

            Imitar o bom pastoreio de Jesus na Igreja e na sociedade significa amar e cuidar do povo-rebanho nos seus direitos básicos e protege-lo deslegitimando os interesses dos aproveitadores inescrupulosos. Cada comunidade cristã deve ser um abrigo, um refúgio misericordioso, um lugar privilegiado de vida, liberdade e sincera amizade. Nossa Senhora é invocada também com o título Divina Pastora! Se for romântico imaginá-la embalando o filhinho Jesus, é desafiador para todos os seus discípulos contemplá-la acolhendo em seu regaço materno o corpo morto do Filho crucificado. Seu exemplo no discipulado é escola de vida para nós!

 

Pe. Antonio Clayton Sant’Anna – CSsR        

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