Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H14

Senhor, conservai e renovai em mim o fogo do vosso amor!

jesusthroughfire

 

20º domingo comum, ano C :: LC 12,49-53 ::

Atualmente é notória no mundo a ocorrência de novos grupos religiosos oferecendo aos homens a sua visão de Deus, do homem e da vida. Pluralismo faz parte do fenômeno cultural da sociedade moderna pacífica que advoga a tolerância, a respeitosa aceitação das ideias e atitudes expressivas da diversidade plural na convivência. Também na prática da religião abre-se espaço valorizando as manifestações de liberdade e pluralidade na convivência democrática. Por outro lado existe o “proselitismo religioso”. Em geral consiste no ativismo em favor de alguma crença mediante propaganda, doutrinação (positiva ou negativa), métodos atraentes etc. O conceito de proselitismo inclui uma forte carga negativa. De um lado o pluralismo, de outro o proselitismo! Ambos fazem surgir no Brasil (e no mundo) seitas religiosas numerosas e diversificadas. Muitas se pretendem cristãs. Esse empenho cultural de atrair, convencer ou “converter” está presente também na política, na educação, na mídia em geral.

Quanto à Igreja Católica ela continua una e unida desde o começo até hoje, embora seja notícia ao sabor da mídia que ela está perdendo fiéis, ou que muitos de seus filhos e filhas vêm se separando dela. É difícil, porém, compreender que uma vez conhecendo e amando fielmente Jesus alguém possa mudar de igreja. De todo modo a Igreja Católica (e sua hierarquia) tem a preferência das críticas principalmente nos quadros intelectuais e nos grupos de poder. Esses não a frequentam, mas querem que o discurso religioso católico seja conforme a cabeça deles. A nossa Igreja será sempre um “sinal de contradição”na sociedade, à maneira de seu fundador, o Cristo. Quando apresentado no Templo em Jerusalém, aquele velho servidor chamado Simeão o recebeu dos braços de Maria e profetizou: “Eis que este menino vai ser causa de queda e elevação... Ele será um sinal de contradição” (Lc. 2,34).

 É uma herança que recebemos de Jesus: por em crise a sociedade! Sinal de contradição! É até necessário desconfiar quando a nossa Igreja for muito elogiada. Aí é preciso se questionar: será que estamos sendo fiéis a Jesus e ao Evangelho? A paz que Jesus oferece aos homens de todas as culturas, em seu projeto de vida chamado por Ele de Reino de Deus, é fruto da justiça e da verdade. E não de um acordo de interesses, uma somatória de opiniões, um pacto político! Hoje, o cristão é convocado à nova evangelização pela acolhida a todos, o diálogo e aceitação da pessoa. Mas também à fidelidade aos valores do Evangelho.

Há no capítulo 12 de São Lucas uma série de instruções de Jesus à comunidade cristã. Elas formam um conjunto de atitudes ascéticas ou espirituais e caracterizam a presença cristã na

Leia: Lucas 12,49-53, texto do 20º domingo comum, ano C.

O contexto das sentenças ou instruções de Jesus é o mesmo do texto anterior, ou seja: a vigilância escatológica na urgência do seguimento fiel do Mestre. Duas forças opostas querem possuir o nosso coração: a graça de Deus e o pecado. Ora uma, ora o outro determinam nossas opções e decisões. O discípulo de Jesus está consciente do valor sem igual da graça de Deus. Mas sente também a força sedutora do pecado e suas tentações. Praticar a vigilância interior, conforme o Evangelho, nos ajudará a superár a ambiguidade entre a atração do bem e a sedução do mal. A vigilância cristã nos torna prevenidos para sermos fiéis ao Senhor.

Ele nos convida a segui-lo, mas não “doura a pílula”. Decidir-se por ele é uma opção para valer. No seu seguimento não cabe a neutralidade. Decidir é arriscar-se, pois a causa de Jesus provoca mudanças radicais. Ela provoca uma guerra sem tréguas contra o mal e o pecado criando tensão e impacto nas relações sociais e mesmo nas estruturas mais fortes, como as de família. “Eu vim trazer fogo à terra...”(v.49).“Não vim trazer a paz, vim trazer a divisão”(v.51). “Estou ansioso para se cumprir meu batismo!” Fogo e batismo são palavras com muitos simbolismos na Bíblia. Num primeiro momento o fogo que Jesus quer acender e o batismo que ele vai passar, podem ser imagens da sua missão. O fogo representa a força da sua pregação. O batismo “esperado ou desejado por ele com angústia(v.30), refere-se à sua morte violenta. Ele se questiona intensamente aonde o levava o sentido de sua vida! Percebe qual seria o caminho de provações na sua vocação. De um lado, sentia-se agoniado com as perspectivas sombrias e trágicas da perseguição e morte. De outro lado, deixava-se fascinar sabendo-se humano, e como Filho de Deus inflamava-o a fidelidade pelo triunfo na sua missão. Só venceria o amor cheio de misericórdia!

Em continuidade com a exortação à vigilância, atitude fundamental em vista do juizo de Deus, o fogo que Jesus veio acender na terra, pode ser entendido também como fonte de purificação. Somente quando purificados por sua doutrina e sacrifício na cruz, chegaremos ao Reino de Deus. Outro impacto que o evangelho provoca na sociedade é o da separação ou da divisão. Inclusive pode separar a pessoa do cristão até mesmo dos laços familiares. Diante de Jesus ou se é a favor, ou se é contra! Não vai ser possível ficar neutro ou “em cima do muro”. O evangelho não é pacífico. Ele é provocante mesmo: não tem meios termos. Não propõe acordos e nem acomoda interesses de um lado e de outro. Ele põe em crise a falsa paz de uma ordem social injusta. Até Maria ainda jovenzinha em Nazaré se perturbou ao ser a primeira convocada a crer e ser instrumento da vinda de Jesus e de sua missão. Que ela nos abençoe e ajude.

 

Pe. Antonio Clayton Sant'Anna, CSsR

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