Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 25 MAR 2019 - 17H27

Toda vocação é porta aberta pelo Bom Pastor para a comunhão de coração

 Bom pastor

 João 10, 1-10 4º domingo páscoa A              

Você já reparou como nossa sociedade está repleta de falsos líderes? Na política e na vida civil? Na religião também. Pastores de novas seitas prometem curas, milagres e a solução de todos os problemas. Na política, ao lado de poucos homens sérios, há uma chusma de aproveitadores do povo! Este precisa hoje de líderes honestos e competentes; compromissados com os outros e vocacionados para sua tarefa. E não de aventureiros e exploradores!

A Igreja, todos os cristãos que servem à comunidade encontram no capítulo 10 de São João uma cartilha da verdadeira liderança. Jesus se apresenta aí como o único líder. Ele indica aos seus discípulos como deve ser exercida a liderança na Igreja por um cristão na família e na sociedade. À luz da parábola do Bom Pastor o cristão (ã) com funções de liderança na família, na comunidade, na sociedade, não pode pensar e procurar apenas seu proveito pessoal. Nem jamais transformar um cargo, uma função pública em trampolim de benesses, enriquecimento e outras vantagens individuais. Pois nesse caso em vez da liderança e do bom serviço haveria a opressão, o domínio, a exploração.

A parábola conhecida como: o Bom Pastor é própria do Evangelho de São João. Nela as referências aos usos e costumes dos pastores cuidando do rebanho no tempo de Jesus servem como símbolo do relacionamento dele conosco e entre nós na Igreja. Ler: João 10, 1-10.

Bom pastor - Claudio PastroO quadro de fundo desta narrativa é aquele da decisão por Jesus. Ouvi-lo e aceitá-lo. Mas ele foi rejeitado. Os profetas do A.T. ensinavam que Javé o Senhor Deus era o único pastor de seu povo. Por isso o profeta Ezequiel condenara o modo como os líderes religiosos e os governantes cuidavam do povo de Israel. Descontente com eles Deus iria tirar deles o rebanho e confiá-lo a um pastor semelhante ao rei Davi. Olhando para o rei Davi como um rei-pastor os profetas anunciavam a vinda do rei-Messias. Ele seria o grande pastor que Deus daria a seu povo. Os líderes e chefes judeus conheciam muito bem o que escrevera Ezequiel, 34, 2-3 “Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel, profetiza e dize-lhes: assim fala o Senhor Javé: ai dos pastores de Israel que apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar o rebanho? Vós vos alimentais de leite e vos revestis de lã... mas não apascentais o rebanho.”

Na parábola Jesus aplica a crítica de Ezequiel às lideranças do povo na relação pastoreio-rebanho do Senhor. Tratavam do povo como coisa própria, com ânimo de ladrões e salteadores. A seguir, usando imagens conforme os costumes do tempo, Jesus define o perfil do verdadeiro pastor. A partir do modo como se dirige às ovelhas, da familiaridade com o vigia e com o próprio rebanho. O pastor entra pela porta, chama as ovelhas pelo nome e é por elas atendido. Os ouvintes porém, ou nada entenderam ou não quiseram ouvi-lo. Os chefes do povo recusavam-se a aceitar Jesus como o enviado de Deus. Então ele declara abertamente: “eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores que vieram pra roubar, matar e destruir. Eu vim para dar a vida abundante a todos”.

As comunidades cristãs desde o começo da Igreja até hoje têm consciência do que Jesus quer de nós comparando-se à ‘porta das ovelhas’ e ao ‘bom pastor’. De um lado a parábola nos permite discernir quem nas lideranças pastorais da Igreja retrata o ofício de guia e salvador do Mestre. De outro o Evangelho afirma de modo claro a dimensão vocacional missionária de quem se diz cristão. E a parábola indica quem de fato encarna o exemplo de Jesus com o desejo de servir e o respeito aos outros nas propostas e nos atos. Deus quer unir os homens como um só rebanho num mundo digno, ético e justo para todos. Sem dúvida estão por aí os falsos pastores: explorando, enganando, marginalizando. São os atuais “ladrões e salteadores”. Estão presentes em todos os cantos da vida pública social e política. Manipulando o poder da mídia com mentiras e as leis conforme seus interesses imediatos.

Não é sem esses propósitos que ficou estabelecido o Domingo do Bom Pastor como o dia mundial de orações pelas vocações na Igreja, na família, na sociedade. Maria, a mãe do Bom Pastor, exerceu o papel único de guia de Jesus na infância e na adolescência. Enquanto isso foi aprendendo dele o perfil serviçal do discipulado. Até ser a mãe do sumo sacerdote no Calvário e ao lado da Igreja nascente. Aí tornou-se a discípula primeira, modelo perfeito do cristão (ã) em todos os tempos.

 

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