Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 02 OUT 2017 - 12H25

Um trono: a cruz. Uma coroa: a de espinhos!

Cristo Rei

Homilia 34º DOMINGO DO TEMPO COMUM

  Jo, 18, 33-37 -  Cristo Rei 

Nas idas e vindas, em nossas ocupações, preocupações, trabalhos e projetos durante a semana esforçamo-nos para sermos melhores. Termos dias melhores. Uma sociedade justa, pacífica.  É difícil libertar-se do egoísmo, da ambição, da violência diária e de todo o pecado! Mas, se vivido realmente de modo cristão, o domingo será um refúgio de esperança, repouso e paz na peregrinação da semana; talvez até pelos caminhos do sofrimento! Viver espiritualmente o domingo é fazer a experiência reconfortante do “oásis”, o lugar sereno e verdejante no deserto, onde brota a água pura mitigando a sede ardente do caminheiro. O altar de Jesus, em nossa comunidade, nos levanta de nossas fraquezas e nos põe de pé junto com o Cristo crucificado e ressuscitado, nosso companheiro, amigo e irmão! Todas as comunidades católicas no mundo inteiro reúnem-se diante do crucificado. Nele contemplamos o rei eterno, perpétuo, universal. Senhor do mundo e da história. 

Neste mundo, a corrupção, as injustiças, a iniquidade, são abrasadoras e sufocantes como o sol do deserto. Não raro, a experiência do mal, do sofrimento, das violências, da sensualidade e de todos os pecados põe à prova nossa fé no poder de Deus. O mundo globalizado engana e seduz, parecendo colocar ao alcance de todos o bem-estar e o conforto. Mesmo fazendo isso aqui e ali, em geral ele não deixa de ampliar e multiplicar a miséria, a pobreza e todas as exclusões.

Nós cremos em Jesus, no seu Evangelho e na sua vitória final. E celebramos esta fé durante o ano inteiro, reunidos no altar em nossa comunidade e nos compromissos concretos da vida. Entretanto no último domingo do ano eclesiástico fazemos uma profissão de fé solene em Jesus Cristo Senhor da História e Juiz final de todos os homens. Por ora, Ele é rei de serviço e não de poder. Não podemos confundir a soberania e o poder de Jesus Cristo, com aquilo que conhecemos nos príncipes e governantes do mundo. O reinado de Jesus não se sustenta no dinheiro, na astúcia política, na competição mentirosa das eleições e menos ainda, com a força das armas. O reinado serviçal de Jesus já venceu os poderes do mundo. Como escreveu Santo Agostinho: “Victor quia victima!” (Jesus é vencedor pelo fato mesmo de ser vítima.) Leia Jo 18,33-37.

A preocupação de Pilatos, governador e juiz imperial romano, era encontrar um pretexto legal convincente para condenar Jesus à morte. Mas, nada fazia daquele acusado humilde um conspirador, um revolucionário contra o Império Romano ou o trono de César! Pilatos investiga o réu: “Tu és o rei dos judeus?” (v.33). A pergunta podia soar até como um deboche aos próprios judeus. Ou quem sabe uma ironia do poderoso governador constatando a desprezível situação do acusado que não tinha nenhuma solidariedade por parte da sua gente e chefes religiosos. Entretanto, para o Evangelho de João, a contraposição entre Pilatos e Jesus nesta passagem mostra a diferença entre dois poderes: o poder real terreno e o poder real de Cristo. “O meu reino não é deste mundo...” (v.36), responde Jesus. Resposta que poderia ajudar o ambicioso governador a refletir melhor e a não se curvar aos judeus. No mundo de Pilatos e dos líderes judaicos, o poder era garantido pelas armas, exércitos, guerras, eliminação de concorrentes e conchavos de interesses. O diálogo do orgulhoso romano com Jesus, no ato da investigação, deixa entrever esse jogo político. “O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste? (v.35). Na pergunta, Pilatos parece querer declinar sua responsabilidade no processo.

Jesus, porém, devolve ao juiz romano a responsabilidade moral sobre aquele julgamento. “Se meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas meu reino não é daqui” (v.36). E apresenta aos pagãos as credenciais do seu reino: testemunhar a VERDADE! A verdade não é um mero conceito, é um caminho para Deus. Onde o homem segue a verdade, ali impera a justiça, reina a paz e se realiza o projeto de Deus, a felicidade e o bem-estar de todas as pessoas. Logo, quem se opõe à verdade prefere a mentira, a fraude, o engodo para conquistar o poder e nele se manter. Inclusive eliminando os concorrentes. Jesus veio ao mundo e quis viver no meio dos homens a plena verdade da vida conforme o Projeto de Deus. Permaneceu fiel até às últimas consequências! Essas o levaram à cruz, onde doou seu sangue em testemunho de uma vida verdadeira. No Calvário, a cruz, é o seu trono: de amor, justiça, paz. Ela é o fundamento do seu Reino: reino de verdade, santidade e graça!

 

Maria, mãe das dores, rainha do Calvário

 

No Evangelho de João, Nossa Senhora é a “mulher” de pé junto à cruz. Não se reproduz nela a figura da rainha sentada ao lado do trono do rei. Desde então ela foi invocada como rainha dos mártires. Sofreu o maior dos martírios e assim partilhou da glória do seu Filho. É modelo da cristã (ão) fiel. Da igreja servidora e não triunfalista. Só este tipo de Igreja transmite a verdade de Jesus ao mundo e promove entre os homens o reinado de Deus anunciando um esquema de vida oposto àquele construído com ambição de poder, com ânsias por riquezas e prestígio, mentindo, corrompendo e oprimindo. Confiando em Maria, mãe rainha, sejamos o rebanho que ouve a voz do Bom Pastor e o segue. Venha a nós o vosso reino!

 

 

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