Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Homilias Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H34

Exaltação da Santa Cruz

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Exaltação da Santa Cruz

João 3, 13-17

Exaltar é elevar, tornar sublime, glorificar! Em relação à cruz não é mais referência à dor, ao sofrimento, mas ao mistério nela escondido! A cruz tornou-se sinal de vitória com Jesus. Nela refulge o triunfo da libertação pascal. Ela é a prova máxima e insuperável do amor salvador de Deus que nos deu seu Filho para não nos condenar (João, 3,17). Ele nos fez passar da condição de pecado para a da graça. Porque nos amou em extremo Jesus foi nela suspenso e a tornou o horizonte luminoso da esperança humana. No altar da Eucaristia nosso olhar está posto na cruz de Cristo! Por isso, nos rituais católicos qualquer celebração religiosa: bênçãos, recepção dos sacramentos (batismo, crisma, confissão, comunhão, casamento, unção dos enfermos, matrimônio) tudo deve ser presidido pelo mistério da cruz. Na oração e nos atos bons nossos interpõe-se o merecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. O nosso coração fica plenificado ao dizer com São Paulo: “Nós devemos gloriar-nos na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, da qual pendeu a salvação, a vida, a ressurreição” (Gl. 6,14).

Olhar para Ele! No dia litúrgico da Exaltação da Santa Cruz, que neste ano coincide com o 24º domingo do calendário Ano A, as três leituras bíblicas se entrelaçam e se explicam. O livro dos Números 21,4-9 relata o fato da serpente de bronze que erguida no alto do poste, foi o sinal do perdão de Deus ao povo ingrato e a cura para os mordidos por serpentes venenosas no deserto. Em João, 3, 13-17 Jesus relembra a passagem e a aplica a si mesmo. Paulo envia uma reflexão cristológica à comunidade de Filipos ensinando que a supremacia do nome de Jesus acima de tudo, vem de sua obediência a Deus até a morte e morte de cruz. O evangelho de João recria um diálogo entre Jesus e Nicodemos, membro da elite religiosa judaica. Os dois conversavam sobre a vida do Espírito de Deus em nós. Ela “vem do alto” e não dos ritos e práticas da lei mosaica, como pensava Nicodemos, perito nessa lei. Só Jesus, que veio de Deus, pode nos elevar até a vida divina. O episódio da serpente de bronze “exaltada” num poste prefigura na Antiga Aliança a salvação definitiva, fruto do amor misericordioso e infinito com o qual o crucificado selou no seu sangue a Nova Aliança.

Então, é necessário fixar nossos olhos no Cristo da cruz. Oferecer-lhe nosso coração arrependido para sermos curados de nossos pecados. Esta chance continua sendo oferecida a nós que cremos e perseveramos com o olhar fixo em Jesus Cristo (Hebreus, 12,2), conscientes das propostas e normas do seu Evangelho mesmo se peregrinos num mundo que zomba das leis de Deus. Sirva-nos de aviso: de um lado o castigo sofrido pelo povo bíblico que subestimou o dom da liberdade; e de outro lado, o amor de Jesus que se doou até o extremo de si mesmo. Às vezes, as mil seduções terrenas, o envolvimento com negócios, dinheiro, trabalho, profissão e diversões nos provocam com aceno de felicidades e prazeres. Ora, mesmo se legítimas é certo que as felicidades passageiras não nos asseguram uma vida espiritual elevada. Não nos elevam ao gozo do espírito, à liberdade interior, a excelência do amor. É necessário sempre “olhar para o alto”: contemplar o mistério da cruz e desejar o céu! A cruz é escada para chegar lá, com Ele, o crucificado!

No Calvário, sem dúvida, Maria não despregava seu olhar materno do Filho que agonizava. Tudo via, tudo acompanhava e com Ele sofria! O corpo machucado que pendia do madeiro fora gerado e formado no seu seio bendito desde o momento do FIAT: o “faça-se em mim segundo a sua Palavra”. Lá, era a Virgem das dores; hoje é para nós a Mãe da esperança.

 

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