Por Pe. Antonio Clayton Sant'Anna, CSsR Em Homilias

Homilia 5º Domingo da Páscoa Ano B

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A seiva da vida e do amor de Cristo está em nós!

A ressurreição de Jesus, que libertou seu corpo da morte e do túmulo, deu início a uma nova criação e a um novo tempo na História. Daí em diante a Páscoa é um processo dinâmico. Tudo é Páscoa, sempre em todos os tempos e o será até Cristo ser tudo em todos!(Efésios 1,23; 1Cor. 15, 28).  Onde no mundo houver um ato de bondade, um gesto fraterno, um brilho de esperança, uma caridade: nisso haverá um sinal pascal, a promessa de mais vida, o indício de uma libertação. O dinamismo pascal é o que faz a Igreja Católica estar no meio dos homens. Ela não é apenas uma instituição humana ligada ao Jesus da história, o Jesus de Nazaré, o crucificado. Ela é instituição divina ligada ao Cristo da fé, o homem ressuscitado por Deus. É o fruto do mistério pascal.

A realidade plena da Igreja vai além das aparências que a configuram no espaço social: templos, celebrações e ritos, organização e governo humanos! Sua presença e trabalho ultrapassam as informações e análises da mídia que presencia e convive com o mistério divino dela, mas não o pode compreender e nem de fato analisar não sendo parte dela. Por outro lado, muitos são cristãos de nome, pertencem só nominalmente à Igreja. Receberam o batismo mais por costume. Não permanecem na seiva vital da fé e do amor ao Cristo ressuscitado.

Para uns e outros devemos ser o rosto vivo de uma Igreja divino-humana e não apenas sociológica. Nós somos o povo pascal da nova aliança feita no sangue de Jesus. Se formos cristãos autênticos a nossa vida projetará a imagem real da Igreja em sua íntima e profunda ligação com Jesus. Não somos seus discípulos por meio de documentos. As certidões de batismo, primeira eucaristia, crisma ou casamentos com brilho e pompa não nos ligam a Jesus no íntimo. Embora úteis à organização paroquial os papéis não perfazem a unidade vital com o Cristo da fé, expressa no simbolismo da videira: “Eu sou a videira... vós sois os ramos!” Essa imagem bíblica da vinha muito usada pelos profetas refere-se à aliança de Deus com seu povo escolhido. Ao adotá-la Jesus quis dizer qual era o grau de compromisso que ele esperava de seus seguidores. Leia João, 15,1-8.

Uma lavoura de uvas, viçosa e bem cuidada esparramando-se em verdes ramagens e contraposta à paisagem do deserto formava bela figura na paisagem da Palestina. Podia ser um belo símbolo do povo enquanto aliado de Deus. De fato os profetas recorriam ao simbolismo da vinha procurando despertar no coração das pessoas e lideranças a vivência sincera da fidelidade ao Senhor. O culto devia ir além dos rituais e das aparências. A aliança com Deus implicava a vida íntima pessoal e a organização social. A Bíblia não vê a prática religiosa como algo subjetivo e particular. A prática da justiça e do direito devia ser uma preocupação social normal. A religião tem necessariamente uma expressão social: ela é comunhão íntima com Deus e serviço ao próximo. Os atos religiosos e ritos exteriores: sacrifícios no Templo, romarias, ritos, cerimônias para nada valiam sem a íntima comunhão de vida com Deus.

 

Ora, a videira será frutífera conforme os cuidados do agricultor.

No texto Jesus aprofunda outro aspecto do simbolismo da vinha. Focaliza a própria seiva de vida que une a videira aos ramos. E diz que ele em pessoa é a “verdadeira videira”. Ele veio trazer a todos os homens e não só ao povo de Israel a mediação vital com Deus. Criando uma “nova aliança”, um caminho religioso interior, fecundo, fértil entre o homem e Deus. Compara-se então ao tronco, à raiz viva donde se origina toda uma nova humanidade. Nele e por ele fica constituído quem realmente agrada a Deus e faz parte do seu povo. E assim o discípulo, o seguidor está para Jesus como um ramo verde e vivo está para o tronco da videira. Cristão, discípulo dele é quem participa da mesma seiva de vida que sobe do tronco e estando em comunhão na mesma vida, vai produzir os frutos esperados. Os frutos comprovam a relação fecunda vital entre o tronco e ramos. Ora, a videira será frutífera conforme os cuidados do agricultor. É o papel da comunidade cristã. Quem está ligado a ela é um ramo bem cuidado e podado. Receberá a graça divina que sobe de Jesus, a raiz, e passa para os ramos. Ser fecundo, produzir frutos é a consequência natural do compromisso firme com Jesus e seu Evangelho. É resultado da comunhão de vida através da fidelidade ao ensino, à palavra, e da vivência do amor fraterno.

Maria, a vinha da Nova Aliança.

Deus, agricultor da Criação e da Redenção, preparou a vinha da Nova Aliança conosco a partir do seio virginal de Maria. Ela assentiu, colaborou e produziu o fruto que Deus esperava: Jesus, o salvador. Maria, na sua condição única de Mãe do Verbo feito carne é a pessoa mais próxima e mais unida a Jesus. Viveu a sua identidade. No projeto divino Ela é representativa da humanidade redimida que permanece no amor. Nós a invocamos cantando: “Da cepa brotou a rama, da rama brotou a flor; da flor nasceu Maria, de Maria, o Salvador”.  Que ela nos ajude a ser cada vez mais conscientes de nossa união com o ressuscitado, no compromisso do seu amor partilhado com os outros pelo vinho do altar: a comunhão eucarística.

Pe. Antonio Clayton Sant’Anna – CSsR

Sócio colaborador da Academia Marial

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