Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Academia Marial

O mistério de Jesus está acontecendo: erguer a cabeça!

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Homilia -  1ºDomingo do Advento C

O mistério de Jesus está acontecendo: erguer a cabeça!

Numa estrada o viajante ou peregrino além de não estar sozinho, deve prestar atenção em duas coisas: no percurso e na meta para onde se vai. O percurso, o caminho, oferece novidades, desvios, insegurança. Exige constante cuidado do viajante. Sem meta, sem ter consciência do fim da jornada, viaja-se a esmo, sem destino. Ora, nós pretendemos caminhar com Jesus Cristo, seguindo-o pela estrada da vida. Não vamos ficar onde passamos. Vamos indo nos caminhos terrenos atentos ao valor das pessoas e das coisas, e sem jamais perder de vista o fim onde queremos chegar com ele. O cristão não se contenta com as aparências do mundo, mas põe sua esperança no que Cristo ensinou e viveu. Adota o seu projeto de vida, que será pleno e consumado na manifestação definitiva de sua glória. Na sua segunda vinda, chamada desde o começo da Igreja com a palavra grega parusia. Parusia é isso: a vitória final do poder de Deus em Jesus. Desde o tempo dos apóstolos os cristãos rezam: Creio em Jesus Cristo! Ele virá de novo em sua glória para julgar os vivos e os mortos!

A primeira vinda de Jesus ao mundo foi humilde. Veio na fragilidade da nossa carne. A segunda vinda acontecerá com majestade. Virá como juiz para resgatar toda a História e fazer novas todas as coisas conforme o poder absoluto de Deus. Neste tempo do ano litúrgico nós refletimos sobre as duas vindas. É o tempo do Advento, a vinda de Jesus considerada na totalidade do seu mistério: o começo e o fim. Tempo de grande riqueza espiritual a exigir de nós um empenho interior muito vivo, de modo pessoal e de modo comunitário. Nesse primeiro domingo meditamos um trecho do Evangelho de São Lucas que anuncia a segunda vinda de Jesus. Anuncia usando um gênero literário comum na Bíblia e chamado de “apocalíptico”. É uma linguagem misteriosa que projeta catástrofes, mas procura provocar a esperança final de quem se compromete fiel e ativamente com o projeto de vida de Jesus. Quem permanece vigilante na fé em meio a todos os acontecimentos. Leia: Lucas, 21,25-28. 34-36.                

São Lucas usa aqui o gênero literário chamado apocalíptico ao descrever como devemos viver o ato de fé na vitória final de Jesus Cristo. A sua segunda vinda. Vitória que nada vai impedir. Nenhum acontecimento, dificuldade atual ou futura. Nenhum tipo de perseguição aos que o seguem. Para entender bem o texto distingue-se: o modo de narrar e a mensagem. O gênero literário e o conteúdo. O modo de narrar é cheio de imagens fortes, anúncios de coisas espantosas, sinais simbólicos de grandes perseguições. A mensagem é: manter confiança total na vitória do Evangelho e entregar-se sem medo ao jeito de viver de Jesus. Isso implica acreditar na sua segunda vinda como juiz final dos homens e da história. Logo, nunca se deixar enganar ao longo da vida por qualquer tipo de provação e sedução, já que a qualquer momento pode ser o fim. Aí será preciso: “estar de pé diante de Jesus, o Filho do Homem” (v.36). Filho do homem aqui é sinônimo de Juiz absoluto.

A conclusão prática é: não sair do caminho! Não perder de vista a meta. Nem mesmo quando tudo parecer confuso, ameaçador, cheio de angústia e aflição, sem saída. A linguagem apocalíptica realça exatamente esse contraste: a angústia e o pavor dos homens e o final feliz e libertador. O texto nos aconselha permanecer fiéis: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas... As pessoas vão desmaiar de medo... Quando começarem a acontecer tais coisas, levantai-vos e erguei a cabeça, porque está próxima a vossa libertação” (Lc. 21,25-28). Tudo isso nos avisa que o poder de Deus revelado já na vinda de Jesus Cristo continua agindo na História mesmo contra as aparências. Se a libertação dos pecados e males que atormentam os seguidores de Jesus está assim próxima, é porque ela de fato já está acontecendo. Já vem chegando! Logo, o propósito sugerido no texto é incutir ânimo e esperança em todos nós. Viver em estado de vigilância e discernimento crítico, praticando a fé e buscando a justiça.

 

Maria, a Virgem do sim fiel e da espera vigilante!

Para chegar até nós em Jesus, Deus se serviu de Maria, a cheia da graça. Aquela humilde serva do Senhor que vivia na expectativa da manifestação dos sinais de Deus na História. Já glorificada em Deus, também no seu corpo, ela sustenta nossa esperança e levanta nosso olhar para o fim. Isto porque ela chegou à perfeita configuração com o Cristo ressuscitado. Elevada ao céu, Maria é em si mesma um documento da nossa esperança futura. Que ela nos ensine a viver nesse tempo intermediário entre as duas vindas de Jesus Cristo. A vinda na carne, como Salvador. A vinda na glória, como juiz! Viver no presente, mas atentos sempre ao fim, que vem chegando.

                                                                                                             27-11-15

Homilia:   Grão de trigo - Lc.21, 25-28. 34-36-  1ºDAdvento C
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