Por Pe. Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça Em Palavra do Associado Atualizada em 14 AGO 2018 - 13H51

Comunicar a identidade, a vocação, a espiritualidade e a missão do cristão fiel leigo

Thiago Leon
Thiago Leon

Estamos celebrando o Ano Nacional do Laicato , organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, aberto no dia 26 de novembro de 2017 e se estenderá até 25 de novembro deste ano de 2018, com o tema "Cristãos leigos e leigas, sujeitos na Igreja em saída, a serviço do Reino" e o lema "Sal da Terra e Luz do Mundo" (Mt 5,13-14). O objetivo geral é "Como Igreja, Povo de Deus, celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil, aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade".

Para cumprir este objetivo propõe-se o estudo e a prática do Documento 105 da CNBB "Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade", acompanhado dos demais documentos do Magistério Eclesiástico como poderíamos citar, dentre outros os do Concílio Vaticano II,especialmente a Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM (sobre a Igreja) Decreto APOSTOLICAM ACTUOSITATEM (sobre o apostolado dos leigos ), a Constituição Pastoral GAUDIUM ET SPES (sobre a missão da Igreja no mundo) e o Decreto AD GENTES (sobre a missão), a EVANGELII NUNTIANDI ( sobre a evangelização) do bem-aventurado Paulo VI, a CHRISTIFIDELES LAICI (sobre os cristãos fiéis leigos) de São João Paulo II, além dos ricos ensinamentos de Bento XVI e do Papa Francisco, em particular, a EVANGELII GAUDIUM (sobre a alegria do Evangelho).

Refaz-se, neste contexto, a importância do conhecimento e da revisitação da Doutrina Social da Igreja, desde a RERUM NOVARUM sobre as coisas novas) de Leão XIII , passando pela QUADRAGÉSIMO ANNO de Pio XI , as radiomensagens sociais de Pio XII, a MATER ET MAGISTRA e PACEM IN TERRIS de São João XXIII, a OCTOGÉSIMA ADVENIENS e a POPULORUM PROGRESSIO do beato Paulo VI, a LABOREM EXERCENS, a SOLICITUDO REI SOCIALIS e a CENTESIMUS ANNUS de São João Paulo II, a CARITAS IN VERITATE de Bento XVI, até a LAUDATO SI de Francisco. Uma vez que a missão do leigo é salgar e iluminar as realidades terrestres, as culturas, a política,a educação,a comunicação a economia,etc ,para transformar a sociedade em Reino de Deus, pelo anúncio e testemunho do Cristo e de sua ação redentora , é necessário conhecê-las bem, inculturar-se e discernir, a partir do Evangelho, quais as atitudes e posturas decorrentes da fé , com os princípios e critérios do Magistério Social da Igreja.

Leia MaisRostos do Laicato: Caminhos para a família Cinco atitudes para viver bem o Ano do LaicatoNesta linha, colaboram para um aprofundamento da visão da missão inculturada e transformadora, os documentos do Conselho Episcopal Latino-americano e do Caribe (CELAM), especialmente os textos das Conferências de MEDELLIN, PUEBLA, SANTO DOMINGO e APARECIDA. Também muito rica e iluminadora a série de documentos da CNBB, nas várias décadas após o Concílio Vaticano II, para a compreensão da conjuntura brasileira, o chão concreto, com todos os seus problemas e qualidades, onde o cristão leigo e leiga deve evangelizar para a libertação integral, a salvação, o resgate da dignidade "do homem todo e de todos os homens " como dizia Paulo VI , afirmando que não há verdadeira evangelização que não seja promoção humana. E neste sentido, enfatiza, na REDEMPTOR HOMINIS, São João Paulo II : " O Homem é a via da Igreja".

Mas, para que o cristão leigo e leiga exerça esta desafiadora tarefa , deve estar mergulhado na espiritualidade da identificação batismal e crismal com Cristo , numa vida de santidade, de comunhão eucarística,na escuta e serviço da Palavra, de contínua conversão pelo sacramento da penitência e na vivência fiel e missionária de sua vocação familiar e profissional. "A vocação à santidade anda intimamente ligada à missão e a responsabilidade confiada aos fiéis leigos na Igreja e no mundo" (...) "comporta que a vida segundo o Espírito se exprima de forma peculiar na sua inserção nas realidades temporais"(São João Paulo II,Christifideles Laici ,17). Como já afirmava o decreto conciliar: "A unidade de vida dos fiéis leigos é de enorme importância, pois eles têm que se santificar na normal vida profissional e social. Assim, para que possam responder à sua vocação, os fiéis leigos devem olhar para as atividades da vida quotidiana como uma ocasião de união com Deus e de cumprimento de sua vontade, e também como serviço aos demais homens, levando à comunhão com Deus em Cristo" (Apostolicam Actuositatem, 4). Chamado universal à santidade que é base da Igreja: "Se, pois, nem todos seguem o mesmo caminho, todos, no entanto, são chamados à santidade" (Lumen Gentium, 32). "Aos leigos compete por vocação própria , buscar o Reino de Deus, ocupando-se das coisas temporais e ordenando-as segundo Deus" (Lumen Gentium, 31). São eles "verdadeiros sujeitos eclesiais" (Documento de Aparecida, 497a / Documento 105 da CNBB), são homens e mulheres batizados e crismados, chamados e enviados pelo próprio Jesus, por meio da Igreja, para serem discípulos missionários na comunidade e na sociedade. Unidos e em comunhão com os ministros ordenados (bispos, presbíteros e diáconos), anunciam e testemunham Jesus,sendo homens e mulheres da Igreja no coração do mundo e mulheres e homens do mundo no coração da Igreja (cf CELAM, Documento de Puebla, 786; Documento de Aparecida,209). "Como consequência do batismo, os fiéis estão inseridos em Cristo e são chamados a viver o tríplice ministério sacerdotal,profético e real" (CELAM, Documento de Santo Domingo,94; cf Lumen Gentium 33). "Em virtude do Batismo e da Confirmação, somos chamados a ser discípulos missionários de Jesus Cristo e entramos na comunhão trinitária da Igreja" (CELAM, Documento de Aparecida, 153).

Concluindo, com a riqueza conciliar e do ensinamento dos pontífices, o cristão fiel leigo tem enfim uma definição positiva, advinda de sua incorporação a Cristo pelo batismo e identificação testemunhal pela Crisma, pela igualdade fundamental de sua dignidade de membro eclesial, no exercício do tríplice múnus de santificar, ensinar e pastorear, decorrente da participação a seu modo, do único Sacerdócio de Cristo,no Sacerdócio comum, distinto essencialmente do Sacerdócio Ministerial ou Hierárquico dos Ministros Ordenados, mas em plena comunhão e cooperação com ele na edificação do Corpo de Cristo, exercendo sua missão específica de salgar e iluminar as realidades do mundo, na vocação universal à santidade, no mandato universal de evangelizar, na espiritualidade da Palavra de Deus e da Eucaristia, "fonte e cume de toda a vida cristã" (Lumen Gentium 11; Sacrosanctum Concilium 10).

"Vivem no mundo, isto é, no meio de todas e cada uma das atividades e profissões e nas circunstâncias da vida familiar e social, as quais como que tecem a sua existência. Aí os chama Deus a contribuírem, do interior, à maneira de fermento, para a santificação do mundo, através de sua própria função e, guiados pelo espírito evangélico, e desta forma, manifestarem Cristo aos outros, principalmente com o testemunho da vida e o fulgor da sua fé, esperança e caridade" (Lumen Gentium 31) Sobre esta basilar temática, é obrigatória a leitura da exortação apostólica do Papa Francisco GAUDETE ET EXSULTATE, sobre o chamado à santidade no mundo atual.


Pe Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça
Membro da Academia Marial de Aparecida e da Academia Friburguense de Letras
Assessor Eclesiástico Diocesano da Pastoral da Comunicação e Familiar
Membro da Comissão Pastoral Diocesana de Educação e Cultura


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