Por Thiago Pereira Domingos Em Palavra do Associado Atualizada em 03 OUT 2017 - 08H32

O Estudo de Maria na Idade Antiga e Média

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Para quem se interessa pelo estudo acerca da Virgem Maria vale a pena olhar um pouquinho para trás e ver como os cristãos antigos e medievos enxergavam a pessoa da Mãe de Deus.

Sabemos que a disciplina teológica encarregada sobre o estudo da Mãe de Deus se chama: mariologia (do grego: estudo acerca de Maria). Esta, porém, como tratado separado é fruto da Idade Média. Percebemos, todavia, que o primeiro milênio de cristianismo conhece Maria, mas sempre numa relação com Jesus Cristo, onde este era o protagonista dos discursos e homilias – lembremo-nos que a Patrística era o período das grandes controvérsias teológico-cristológicas. Mas, mesmo assim, a liturgia e a própria vida dos cristãos estavam amparadas pelo patrocínio marial. Temos neste período, ainda, o “protoevangelho de Tiago” (início do século III) e a “Vida de Maria”, do monge Epifânio.

Já na Idade Média, após os dogmas cristológicos serem definidos, a piedade marial ganhou mais espaço. Basta que nos lembremos do surgimento do santo Rosário, das inúmeras devoções marianas e das revelações privadas que ocorreram a vários santos. Se pegarmos em nossas mãos o Tratado da Santíssima Virgem, de São Bernardo de Claraval (+ 1153), veremos que é uma obra belíssima e que fala de uma maneira terna, porém teológica, acerca de Maria e que, por isso, marca este período histórico.

Ainda no período medieval, percebemos grandes controvérsias mariológicas, principalmente no que diz respeito à Imaculada Conceição. De acordo, com o curso Tópicos de Mariologia, promovido pelo Instituto Gewissen, as universidades eram verdadeiros polos de discussão entre teólogos franciscanos e dominicanos. Apesar destes últimos carregarem o rosário no hábito e terem todo um histórico devocional mariano – devido ao seu fundador, São Domingos de Gusmão – eram os frades menores que defendiam a imaculada concepção de Maria, encontrando a sua figura mais expressiva no Beato João Duns Scotus. Por esse motivo é que Santo Tomás não fez um tratado de mariologia, visto que era dominicano e, portanto, fruto de uma época e de uma escola de pensamento.

É sempre bom lembrarmo-nos de que a Virgem Maria sempre esteve intimamente ligada ao seu Filho Jesus e que, por isso, desde sua identidade mais profunda – enquanto ser humano – até seu estudo e missão na Igreja, está vinculada à sua vocação à maternidade divina. Os grandes mariólogos que tivemos na Idade Antiga e Medieval jamais perderam de vista esta realidade de fé e nós, enquanto amantes da Virgem Mãe de Deus, não podemos esquecer que é por causa Dele que ela se faz presente a nós e caminha conosco.

 

Thiago Pereira Domingos

Membro da Academia Marial

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