Por Eduardo Lopes Caridade Em Palavra do Associado Atualizada em 01 MAR 2019 - 15H06

O Silêncio da Quaresma à luz do silêncio de Maria



Virgem do Silêncio

“Ouve em silêncio, e tua modéstia provocará a benevolência”. (Eclo 32, 9)

Para uma amizade com Deus no mundo real, requer que renovemos todas as coisas (cf. Ap 21,5), pois Deus tem um sonho para este mundo e quem experimentou em sua vida na humildade e no silêncio, apontando o exemplo de seu Filho a todos nós, foi Maria, nos retratando a ternura do Pai, pela força do Espírito.

Também podemos nos aprofundar neste silenciar, conforme nos apresenta o Frei basco Inácio de Larrañaga, no seu famoso livro “O silêncio de Maria”, onde, logo em seu início, nos diz: “o silêncio de Maria não é ausência, mas presença”, e, continua: “um apostolado sem silêncio é alienação, e que o silêncio sem apostolado é comodidade”.

Assim, vivemos mais uma Quaresma, tempo de despertar, tempo de recomeçar, onde devemos acolher com alegria essa travessia quaresmal em direção ao novo que o Deus de forma surpreendente nos reserva. É preciso escutar mais, para estar em contato com Deus, é preciso perder o contato com a confusão da vida. É preciso silenciar.

Por Deus possuir um sonho para este mundo, nos deseja um mundo onde os seres humanos trabalhem juntos em harmonia e amizade com ele, uns com os outros e com toda a criação. A criação toda, já se vê, foi feita à imagem e semelhança de Deus – Deus é a única realidade, o único modelo para a criação. Os cristãos creem que Jesus de Nazaré é Deus encarnado, em carne humana, que depois da ressurreição, voltou aonde estavam reunidos os Apóstolos, com as portas fechadas e disse: “A Paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio” (Jo 20,21).

Então quais as consequências de viver como amigos de Deus. Esta espiritualidade da amizade com Deus é o propósito para o qual Deus nos criou. Eis, o tempo de conversão; Quaresma, tempo de discernimento sobre a nossa vocação de cristão.

Nossa vida é um eterno caminhar, pois crer é integrar-se, crer é partir sempre, é preciso atravessar a escuridão que está a nossa vida e, dessa maneira chegar à claridade do mistério. O Pai é mistério, que se aceita no silêncio. Deus não está ao alcance de nossa mão, como a mão de um amigo, que podemos apertar com emoção. Deus é essencialmente desconcertante porque é essencialmente gratuidade.

Desta forma, podemos dizer que “A vida de Maria não foi turismo... como todos nós, ela foi descobrindo o mistério de Jesus Cristo, com a atitude típica dos pobres de Deus: abandono, busca humilde, disponibilidade confiante” (O Silêncio de Maria, p.46). Assim, percorremos hoje este período quaresmal da mesma forma como Maria percorreu na fé em Jesus, no seu tempo, que ela acreditava porque confiava, ela se deixou permitir, aderiu, se entregou, amou.

Ao final da peregrinação, junto a cruz, Maria não se oculta, mas avança, se colocando em primeiro plano, digna e silenciosa, ensinando a todos os cristãos hoje, a importância deste tempo. Pois, conforme o autor do Eclesiástico sabia que “ouvir no silêncio nos leva a benevolência”.

Eduardo Lopes Caridade
Associado da Academia Marial

:: Nossa Senhora do Silêncio (Knock – Irlanda)
:: Maria, Senhora do Silêncio



4 Comentários

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Anterior
Próximo
Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Eduardo Lopes Caridade, em Palavra do Associado

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.